A 32ª edição do Grito dos Excluídos reuniu, nesta segunda-feira (7/9), manifestantes de movimentos sociais, lideranças e políticos de esquerda em Belo Horizonte. O ato começou por volta das 9h na Praça Rio Branco, em frente da rodoviária, passou pela Praça Sete e terminou na Praça da Estação, sob o Viaduto Santa Tereza. Entre os principais temas defendidos pelos participantes estiveram a manutenção e ampliação de direitos sociais, a soberania nacional, o combate à violência contra as mulheres, o direito à moradia e à terra e a defesa da democracia.

Candidato à reeleição para a Câmara dos Deputados, Rogério Correia (PT-MG) ressaltou que o ato deste 7 de Setembro, além de defender a democracia, também serviu para defender o fim da jornada 6x1 e a ampliação da jornada 5x2. “Hoje, infelizmente, a extrema direita acena à perda de direitos, inclusive trabalhistas e direitos referentes à saúde e à educação pública”, criticou.

Correia ainda associou a defesa da soberania à relação do Brasil com os Estados Unidos e criticou setores da direita por, segundo ele, defenderem interesses norte-americanos. “Há um movimento da extrema direita de entregar, infelizmente, o Brasil para o Trump. Seja terras raras, petróleo”, disparou.

Também presente no movimento, a deputada estadual Beatriz Cerqueira (PT-MG), candidata à reeleição, destacou a abordagem da violência contra as mulheres. “Nós estamos numa epidemia de feminicídio e agora, no período eleitoral, tem uma turma, que é a da extrema direita, que faz da violência contra as mulheres plataforma”, criticou.

Ao tratar de Minas Gerais, Beatriz citou a defesa da Serra do Curral e criticou a atuação de políticos em favor de mineradoras. “É uma situação extremamente grave quando um deputado federal, com uma votação expressiva no estado, faz o lobismo das mineradoras na destruição da Serra do Curral", disse, referindo-se às mensagens divulgadas entre o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e o banqueiro Daniel Vorcaro, que mostram o parlamentar mineiro pedindo a ajuda de Vorcaro para liberar “um ativo de minério”. “Soberania é sobre isso, sobre proteger as mulheres, nossas serras, nossos territórios, nossas águas”, sintetizou.

Igualdade

Candidato ao governo de Minas pelo PCB, Túlio Lopes relacionou o Grito dos Excluídos à comemoração do Dia da Independência. “Se em 7 de setembro de 1822 nós tivemos a emancipação política, a independência do Brasil, nós seguimos lutando pela emancipação social, pela igualdade social no nosso país. Por isso que a temática se chama Grito dos Excluídos, porque, apesar da riqueza socialmente produzida em nosso país, ainda tem a permanência da desigualdade social. Então nós gritamos por mais igualdade, por soberania popular, por nossos direitos", disse.

Candidato ao governo de Minas pelo PCB, Túlio Lopes

Vinícius Prates/EM/D.A Press

O candidato também defendeu a retomada da Companhia de Habitação de Minas Gerais e a construção de moradias populares. “Nós queremos, enquanto candidato ao governo do estado de Minas Gerais, reativar a Companhia de Habitação de Minas Gerais e zerar o déficit habitacional com a construção de moradias populares, juntamente com as prefeituras”, disse.

Para a população em situação de rua, Lopes defendeu políticas de acolhimento e reinserção social. “No caso da população em situação de rua, é necessário o acolhimento, trabalhar a questão da saúde mental, trabalhar a questão também da busca para a ressocialização, do ponto de vista do trabalho.”

A candidata ao governo de Minas pelo UP, Indira Xavier, também colocou a moradia no centro do debate. Segundo ela, a pauta está relacionada à autonomia das mulheres e ao enfrentamento da violência doméstica. “Para mim, que sou a única candidata mulher, defender a pauta da moradia é defender a vida das mulheres, porque a gente sabe que um dos mecanismos para assegurar que a mulher não continue no ciclo de violência é exatamente ela ter uma política de habitação”, disse.

Indira também defendeu o cumprimento da função social da propriedade e criticou a existência de imóveis fechados enquanto parte da população não tem moradia. “Essa é uma pauta central que defende a vida das mulheres, mas que defende dignidade e que faz cumprir a Constituição brasileira, que diz que a propriedade precisa estar cumprindo função social. Se ela está fechada, ela não está cumprindo o que está na Constituição. Portanto, o governo precisa atuar para garantir o que está previsto na Constituição e fazer uma reforma urbana e uma reforma agrária que garanta a justiça na distribuição de terra e de moradia para o nosso povo", emendou.

Candidata ao governo de Minas pelo UP, Indira Xavier

Vinícius Prates/EM/D.A Press

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Patrus cancela participação

A participação do candidato ao governo de Minas Patrus Ananias (PT) no Grito dos Excluídos foi cancelada. O irmão dele, Márcio José Patrus Ananias, morreu nesse domingo (6/9). Em nota encaminhada à imprensa, a campanha informou que a agenda desta segunda-feira foi suspensa em razão do falecimento.

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