O ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello afirmou, neste sábado (5/9), que se arrepende de ter apoiado a indicação de Alexandre de Moraes para uma vaga na Corte. A declaração foi dada em entrevista à CNN, ao comentar os recentes episódios envolvendo o ministro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Marco Aurélio integrou o Supremo por 31 anos. Indicado pelo então presidente Fernando Collor de Mello, seu primo, tomou posse em junho de 1990 e presidiu a Corte entre 2001 e 2003. O magistrado se aposentou em julho de 2021.

“Os fatos que vieram à baila são seríssimos. Quando caiu o avião e morreu o ministro Teori Zavascki, [...] eu disse que o presidente Temer tinha um homem talhado para o cargo: professor universitário, membro do Ministério Público, secretário de Segurança do prefeito Kassab, secretário de Governo do governador Geraldo Alckmin, ministro da Justiça. [...] Se arrependimento matasse eu não estaria aqui hoje conversando com vocês”, afirmou Mello.

 

Moraes foi indicado ao Supremo em 2017 pelo então presidente Michel Temer, após a morte de Teori Zavascki em um acidente aéreo. Na avaliação de Marco Aurélio, o ministro tem cometido excessos em sua atuação na Corte. “Vem errando a mão e isso é muito ruim”, declarou.

A crítica ocorre em meio às revelações de um relatório da Polícia Federal que reúne mensagens, documentos e registros encontrados no celular de Vorcaro. Entre os elementos apresentados está o contrato firmado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes, comandado por Viviane Barci de Moraes, mulher de Alexandre de Moraes.

O acordo, assinado em janeiro de 2024, previa pagamentos de R$ 3 milhões líquidos por mês durante 36 meses, chegando a um valor bruto superior a R$ 131 milhões. Segundo a investigação, metadados de uma das versões do documento apontam que o arquivo foi aberto e alterado em um perfil identificado como “Ministro Alexandre de Moraes” antes da assinatura do contrato.

O escritório afirmou que Moraes foi consultado, na condição de marido de Viviane e para verificar a existência de eventuais impedimentos legais à contratação. As informações fazem parte do material extraído pela PF do celular de Vorcaro.

Defesa de André Mendonça

Durante a entrevista, Marco Aurélio também saiu em defesa da atuação do ministro André Mendonça, responsável por retirar o sigilo de parte do material relacionado às mensagens e encaminhá-lo para manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Para o ministro aposentado, Mendonça agiu de acordo com o que deveria ser feito diante das informações apresentadas pela Polícia Federal e classificou o atual momento vivido pelo Supremo como uma “inversão de valores”.

“Eu penso que está havendo uma inversão de valores. O ministro André Mendonça se defrontou com um relatório da Polícia Federal (PF) e procedeu como deveria, encaminhando à Procuradoria-Geral da República (PGR)”, declarou.

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Mendonça também defendeu que os elementos revelados pela investigação sejam analisados pelo plenário do Supremo. As conversas atribuídas a Vorcaro e os demais documentos foram obtidos a partir da quebra de sigilo do celular do ex-banqueiro.

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