O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera a corrida presidencial no primeiro turno, com 37% das intenções de voto, segundo pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (2/9). Flávio Bolsonaro (PL) aparece em segundo, com 29%, enquanto o escritor Augusto Cury (Avante) alcança 10% e assume a terceira colocação.

Renan Santos (Missão) tem 3%, seguido por Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Samara Martins (UP), com 1% cada. Os demais candidatos listados não pontuaram.

Confira os números:

  • Lula (PT): 37%
  • Flávio Bolsonaro (PL): 30%
  • Escritor Augusto Cury (Avante): 10%
  • Renan Santos (Missão): 3%
  • Ronaldo Caiado (PSD): 1%
  • Pablo Marçal (PRTB): 1%
  • Romeu Zema (Novo): 1%
  • Samara Martins (UP): 0
  • Rui Costa Pimenta (PCO): 0
  • Clariana Barão (DC): 0
  • Veterinário Wilson Grassi (Democrata): 0
  • Edmilson Costa (PCB): 0
  • Hertz Dias (PSTU): 0
  • Indecisos: 10%
  • Branco/nulo/não vai votar: 7%

Cury cresce entre independentes

O desempenho de Augusto Cury é atribuído, segundo a Quaest, ao resultado obtido entre eleitores independentes. Nesse segmento, o candidato do Avante chega a 24% das intenções de voto e fica numericamente à frente de Lula.

Em duas semanas, de 16 a 29 de agosto, Cury ganhou cerca de 2,5 milhões de seguidores no Instagram, segundo relatório do Instituto Democracia em Xeque (DX). Campanhas adversárias levantaram suspeitas de que a equipe do médico teria pagado influenciadores para fazer propaganda, o que o marqueteiro de Cury, Sergio Lima, negou em entrevista à reportagem.

Cenário com Pablo Marçal

A Quaest também testou um cenário com Pablo Marçal como candidato do PRTB. Nesse caso, Flávio Bolsonaro passa a 30%, enquanto Lula permanece com 37% e Cury, com 10%. Marçal aparece com 1%. Nesse cenário, Renan Santos tem 3%, Caiado e Zema também aparecem com 1% cada, e Samara Martins e os demais candidatos não pontuam. Os indecisos somam 10%, enquanto 7% dizem votar branco ou nulo ou não comparecer às urnas.

Os números não são totalmente comparáveis com a pesquisa anterior, divulgada em 14 de agosto, porque o cenário mudou. Naquele levantamento, Leonardo Avalanche aparecia como candidato do PRTB. Marçal - que está inelegível - assumiu a vaga e registrou sua candidatura no último dia do prazo, em 15 de agosto.

A situação eleitoral de Marçal ainda será analisada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que deverá decidir se ele poderá ou não concorrer.

A pesquisa Quaest entrevistou 2.004 eleitores de todo o país, entre os dias 30 de agosto e 1º de setembro, por meio de entrevista presencial. A margem de erro do levantamento é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%. O levantamento foi contratado pelo Grupo Globo e está registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o protocolo BR-07065/2026.

Denúncias e desgastes 

A campanha de Lula é afetada pelas investigações da Polícia Federal contra Fábio Luís Lula da Silva, um dos filhos do presidente, por suspeita de tráfico de influência. Conhecido no debate público como Lulinha, Fábio é apontado pela PF como beneficiário indireto da ação da lobista Roberta Luchsinger, que tentava obter benefícios na venda de medicamentos ao Ministério da Saúde.

Lula tem defendido as investigações contra o filho. Em entrevista à Record, o presidente afirmou que nenhum cidadão está acima da lei, que Fábio será punido caso seja culpado e que a PF tem independência para investigar Lulinha.

"Eu não sou um presidente que tenta proibir investigação. Eu não ameaço mandar ministro embora. Eu não ameaço punir delegado. Investigue-se. E todo mundo tem o direito de provar se é inocente. Se isso acontecer, eles serão perdoados", disse Lula.

O mandatário também afirmou, em entrevista ao Jornal Nacional, que não haverá intervenção do governo na apuração do caso. Assim, o presidente busca se contrapor ao governo de Jair Bolsonaro, que acumulou denúncias de interferência para proteger seus filhos, inclusive o senador Flávio Bolsonaro.

A revelação de que Flávio Bolsonaro pediu dinheiro a Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar o filme "Dark Horse", sobre Jair Bolsonaro, tem desgastado a campanha do senador. A descoberta mais recente sobre o caso é a de que o ex-banqueiro fez um repasse adicional de US$ 1,6 milhão (R$ 8,5 milhões na cotação da época) ao fundo responsável por administrar os recursos para a produção.

A informação foi publicada pela revista piauí nesta terça (1º), com base em relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras). O repasse, segundo a reportagem, foi feito ao Havengate Development Fund em 16 de setembro de 2025, quando já eram conhecidas as suspeitas sobre o Master. 

Com o novo pagamento, o total repassado por Vorcaro teria passado de US$ 10,6 milhões (R$ 54,9 milhões em valores atuais) para US$ 12,3 milhões (R$ 63,7 milhões).

Embora tenha negociado com Vorcaro os repasses para o filme por meio de mensagens trocadas com o ex-banqueiro, Flávio não respondeu sobre as divulgações feitas nesta terça (1º). "Essas informações eu não tenho como saber porque eu não trato disso. Tem que perguntar para a produtora. Desculpa", disse.

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(Com informações de Marina Costa e Marcelo Azevedo/Folhapress)

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