SEM PALANQUE PARA PRESIDENCIÁVEIS

Kalil anuncia campanha sem candidato a presidente: 'nem Lula nem Bolsonaro"

Candidato a governador pelo PDT faz campanha no Norte de Minas e visitou Bocaiuva, terra natal de Patrus Ananias, um dos seus concorrentes na eleição

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"Nem Lula nem Bolsonaro". A frase é do candidato a governador e ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT) ao anunciar que faz uma campanha "sem palanque" para candidatos à Presidência da República em Minas, incluindo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), que polarizam a disputa e lideram as pesquisas da corrida presidencial. Kalil frisou também que não apoia nenhum outro postulante ao Palácio do Planalto.

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O candidato do PDT fez a declaração em entrevista nesta terça-feira (1º/9), em Montes Claros, no Norte de Minas, onde realizou atividades de campanha. "Sim, sem palanque nenhum (para candidato a presidente da República. Isso aqui não é lugar de palanque (para a Presidência). Isso aqui é lugar de governador", respondeu Kalil, ao ser questionado sobre apoio a concorrente à Presidência da República.

Ele alegou que há 12 anos Minas Gerais sofre com a falta de recursos e grandes obras do governo federal, diferente do que vem ocorrendo em outros estados, contemplados com grandes investimentos da União. "Estão fazendo um túnel de debaixo do mar em São Paulo com dinheiro federal. Estão fazendo ponte sobre o mar em Salvador com dinheiro federal", argumentou o ex-prefeito de BH.

Ele fez referência ao túnel imerso, com 1,5 quilômetro de extensão, entre Santos e Guarujá, no litoral de São Paulo, orçado em R$ 6,8 bilhões; e à ponte Salvador-Itaparica, na Bahia, com 12,4 quilômetros de extensão sobre o mar, com um custo previsto de R$ 12,6 bilhões. As duas obras estão em execução.

Dobradinha do passado e o futuro presidente

Na eleição de 2022, Alexandre Kalil disputou o governo de Minas pelo PSD, tendo o Luiz Inácio Lula da Silva como seu principal cabo eleitoral. Por diversas vezes, o ex-prefeito de Belo Horizonte subiu no palanque do petista, inclusive, em comício em Montes Claros. No entanto, a "dobradinha" não vingou e Kalil foi derrotado por Romeu Zema (Novo) no primeiro turno.

Na pré-campanha eleitoral deste ano, foi ventilada a possibilidade de Alexandre Kalil oferecer novamente palanque para Lula, já que ele está filiado a um partido de esquerda que integra a base do presidente da República. Porém, desta vez, Kalil recusou o entendimento com os petistas e se aproximou de outra liderança, o ex-governador, ex-senador e deputado federal Aécio Neves (PSDB), que no último fim de semana assumiu a candidatura ao Senado, com o apoio do ex-prefeito de BH.

O candidato do PDT disse que, apesar da sua decisão de "não dar palanque" e não pedir votos para nenhum presidenciável, se for eleito governador, buscará ter uma "excelente" relação com o mandatário da República, independentemente de sigla partidária, e vai negociar o pagamento da dívida do estado com a União.

Ao ser questionado sobre a relação que pretende ter com o futuro presidente da República, se for eleito governador, Kalil respondeu: "Será excelente como deve ser, do credor para o devedor. Eu sou devedor. (Você) já viu alguém, algum devedor tratar mal o credor? Se é Minas Gerais – e eu estou devendo, vou tratar muito bem. Mas vou me dar ao respeito de ser governador de segundo (maior) estado deste país. Vou com gravata terno e lá (em Brasília). Eu não vou definitivamente fazer "tik-tok" prometendo lote na lua e muito menos comer banana com casca”, declarou.

Críticas à atual gestão estadual

Em Montes Claros, na manhã desta terça-feira, Alexandre Kalil concedeu entrevistas a uma emissora de rádio, a um portal de notícias e à "Intertv Grande Minas", afiliada da "TV Globo". Ele também visitou a Associação Comercial, Industrial e de Serviços (ACI) e o Mercado Municipal de Montes Claros, onde concedeu uma rápida entrevista coletiva.

Em suas falas, o candidato do PDT fez críticas ao governo do estado, chefiado por Mateus Simões (PSD), que concorre à reeleição. Disse que as obras executadas pela gestão Romeu Zema/Mateus Simões em Minas Gerais foram patrocinadas com recursos do acordo com a Vale para os reparos do desastre da barragem de rejeitos de Brumadinho, na Grande BH, no qual morreram 272 pessoas. Duas vítimas seguem desaparecidas.

Ele também dirigiu críticas ao candidato a governador pelo PT, o deputado federal Patrus Ananias, mesmo se referindo ao petista como "cara que gosto muito". Kalil disse que condena o fato de Patrus ter declarado que não considera a negociação do pagamento da dívida do estado como prioridade e falar muito em projetos sociais, sem apontar uma fonte dos recursos orçamentários para bancar os benefícios. "É bolsa ali, é bolsa aqui. E ninguém aguenta isso mais. O dinheiro tem que sair de algum lugar", comentou.

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Na tarde desta terça-feira, o representante do PDT seguiu para Bocaiuva, na mesma região de Minas, justamente a terra natal de Patrus Ananias. Na agenda de campanha foram previstos encontro com o prefeito de Bocaiuva, Roberto Jairo Torres (Avante), e a vice-prefeita Sônia Carvalho Guimarães (Rede) e caminhada pelo Centro da cidade.

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