Após salto nas pesquisas de intenção de voto, o candidato à Presidência da República Augusto Cury (Avante) desembarcou em Belo Horizonte nesta terça-feira (1º/9) para inaugurar um comitê de campanha, chamado de “Casa Cury”, no bairro Lourdes, na Região Centro-Sul da capital.
No local, ele negou que seja da “terceira via”: quer se colocar como um nome de pacificação que agrade inclusive ao presidente Lula (PT) e ao senador Flávio Bolsonaro (PL-MG).
A capital mineira abriga a sede nacional do Avante e foi escolhida para iniciar o projeto, que promete chegar a diversas cidades do país como “um espaço para o Brasil ser escutado”.
No entanto, ainda não há previsão de quantas e quais regiões vão receber o projeto. O presidente da legenda, o deputado federal Luís Tibé (MG), disse que “não faz ideia” das próximas inaugurações, mas brincou que, “se Deus quiser, vão ser mais de 5 mil. Uma em cada cidade do Brasil”.
Além da distribuição de materiais de campanha, atividade comum nesse tipo de estabelecimento, a “Casa Cury” propõe ser um ambiente de participação popular, em que os eleitores poderão expor e debater ideias durante o processo eleitoral.
'Quero Lula e Bolsonaro'
“Eu não sou a terceira via. Eu sou a única via da pacificação. Eu quero que Lula da Silva e Bolsonaro venham conosco, porque não é possível mais essa polarização que adoeceu a nação brasileira e dividiu as famílias. Não é possível mais aceitar que um lado tem tudo de bom: luz e inteligência. E o outro lado tem trevas e desinteligência. O meu sonho é mostrar que existem pessoas espetaculares na direita e pessoas maravilhosas na esquerda”, disse Augusto Cury.
O psiquiatra chegou a marcar 11% na pesquisa BTG/Nexus divulgada na segunda-feira (31/8), saltando 9 pontos em uma semana e despontando como principal nome fora da polarização entre os candidatos do PT e do PL.
O levantamento mostrou queda tanto de Flávio Bolsonaro, que saiu de 37% para 33%, quanto de Lula, que foi de 41% para 39%. Os números sugerem que Cury conseguiu conquistar eleitores de ambos os lados, captando o sentimento de insatisfação com a polarização.
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Salto nas pesquisas
Ao Estado de Minas, o pesquisador Antônio Fernandes, mestre e doutorando em Ciência Política pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), apontou a grande importância das redes sociais na ascensão do candidato, inclusive com “cortes” do debate da TV Bandeirantes, ocasião em que o nome de Cury disparou nas buscas do Google. "Cury furou a ‘bolha’ após o primeiro debate, que estava esvaziado por estar sem os dois principais nomes na disputa, mas que, ao mesmo tempo, serviu de exposição necessária exatamente para os nomes menos conhecidos na corrida”, avaliou.
Vídeos curtos de Cury fizeram sucesso, e influenciadores declararam apoio a ele. Em três dias, a conta no Instagram do candidato do Avante ganhou mais de 2 milhões de seguidores. Porém, desde a participação dele na entrevista à TV Globo, na noite de sábado (29/8), os números recuaram, e Cury perdeu cerca de 50 mil seguidores. Ele não mostrou preocupação com o balanço e afirmou que “contaram algumas mentiras” sobre a entrevista, negando que vai substituir servidores públicos por Inteligência Artificial e que o uso de drones será a única medida para combater o feminicídio.
“Nosso plano de governo fala tanto de proteção à mulher. O drone é apenas um detalhe. Muita gente falou: ‘Nossa, o Cury está propondo uma coisa do século XII’. Gente, os drones são utilizados pelo crime organizado, pela polícia e até nas guerras. Por que não quando uma mulher aperta o botão de alerta, esse botão não toque na delegacia [para um drone chegar] mais rápido? Até o policial chegar não dá tempo!”, defendeu.
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Mais cedo, o também candidato à Presidência Renan Santos (Missão) chamou Cury de “pastel de vento”, por supostamente ser apenas uma alternativa para quem está infeliz com a polarização, mas sem oferecer conteúdo. Questionado pela imprensa em BH, o presidenciável do Avante rebateu dizendo ser o psiquiatra mais lido do mundo. “Eu respeito ele, mas ele nem faculdade fez”, afirmou. Renan passou pela Faculdade de Direito da USP, mas não concluiu o curso.
