‘O careca não pode atrasar’: Vorcaro foi cobrado sobre dinheiro a Moraes
Contrato com escritório da família do ministro era tratado pelo banqueiro como "o mais importante"
compartilhe
SIGA
O banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, tratava com prioridade os repasses ao escritório de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Em mensagens reveladas pela quebra de sigilo nesta terça-feira (1º/9), Vorcaro foi cobrado: “O careca não pode atrasar”.
O texto foi enviado por Fábio Faria, ex-ministro das Comunicações no governo de Jair Bolsonaro, em março de 2024, dois meses após o Master assinar contrato de R$ 131 milhões com o escritório de Viviane. Faria atuou como mediador político e conselheiro de Vorcaro, segundo a PF.
Faria enviou duas mensagens de visualização única e depois disse “Irmão. Depois vê aí que preciso retornar o careca”. Pelo contexto da conversa, investigadores ouvidos pelo “Estado de S. Paulo” disseram que as imagens provavelmente mostram cobrança de Moraes ao ex-ministro pelo atraso no pagamento ao escritório da esposa.
Vorcaro respondeu que “o contato não é o Fabiano”, provavelmente em referência a Fabiano Zettel, cunhado e operador financeiro do banqueiro. “É o Ângelo do banco”, explicou, em indicação a Ângelo Antônio Ribeiro da Silva, sócio e tesoureiro do Master.
Leia Mais
“Tá. Manda pagar a ele. O careca não pode atrasar. Passa o contato do Ângelo que passo pra ele”, disse Faria. Então, Vorcaro repassou os dados do tesoureiro, e o ex-ministro arrematou: “Passei para ele. Avisa que vão ligar do escritório”.
Em paralelo, o banqueiro cobrou Ângelo: "Pqp. Não pagaram Barci de Moraes. Não tô entendendo isso. Contrato mais importante que temos. Te pedi para não falhar. Surreal. Vamos ter problemas. Manda pagar agora".
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
Ao Estado de S. Paulo, Fábio Faria afirmou que o pagamento seria no âmbito de uma atuação do escritório de Viviane em defesa de Vorcaro na Justiça de São Paulo, após o banqueiro perguntá-lo sobre a possível contratação da esposa do ministro e ele recomendar. Também disse desconhecer o contrato de R$ 131 milhões com o Master.