Candidato à Presidência da República, Romeu Zema (Novo) saiu em defesa do adversário Renan Santos (Missão), que teve a campanha suspensa por decisão do ministro Dias Toffoli no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
“Não ficarei calado por ser um concorrente. O buraco é muito mais embaixo”, escreveu o ex-governador mineiro, em post nas redes sociais nesta segunda-feira (31/8).
Zema disse discordar “em muitos pontos” do candidato do Missão, “mas o que o Toffoli acaba de fazer é um absurdo”.
“Não existe Democracia que se sustente dessa forma, com um Supremo já desgastado por diversas decisões, inquéritos e esquemas que só mancham a instituição e o Brasil mundo afora. Chega de intocáveis”, completou.
Campanha de Renan suspensa
O registro de candidatura de Renan não apresentou os perfis digitais que seriam usados pela campanha no tempo determinado pela legislação. 16 contas foram declaradas à Justiça Eleitoral somente no dia 19 de agosto, 12 dias após o Missão enviar o requerimento para oficializar a entrada na disputa pela Presidência.
Com a decisão, Renan fica impedido de fazer propaganda eleitoral por meio dos perfis digitais, já que eles foram informados tardiamente. O Missão não tem tempo de rádio ou TV, então a suspensão deve afetar gravemente a comunicação da campanha.
Toffoli também determinou que as plataformas digitais suspendam os 16 perfis informados em até 6 horas após a notificação oficial, sob pena de multa de R$ 10 mil por hora e por perfil.
Por fim, Renan não poderá participar de debates em rádio, televisão, podcasts ou outros meios de comunicação.
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Renan acusa retaliação
“A gente vai continuar lutando e vai ao TSE para derrubar essa decisão absolutamente injusta e ilegal. A decisão é ilegal. A decisão é persecutória”, criticou o candidato do Missão, em vídeo divulgado nas redes sociais. Ele próprio afirmou que o post contraria a decisão judicial.
Renan disse que o erro na prestação de dados ao tribunal foi devido a um “problema técnico” que “centenas de outros candidatos tiveram”, mas não explicou o que impediu a apresentação das contas.
"Curiosamente, eu convoquei quatro manifestações nesse último ano contra o senhor Dias Toffoli, contra o envolvimento não apenas dele, mas de todas essas pessoas no escândalo do Banco Master. As manifestações tomaram as ruas de São Paulo quatro vezes. O nome do Dias Toffoli foi mencionado e cartazes foram feitos todas essas vezes. Eu estou pagando o preço por ter defendido o que eu defendi”, disse.
Toffoli integrou o quadro de sócios da Maridt Participações, empresa gerida pelos seus irmãos que fez negócios com um fundo gerido pela gestora Reag, ligada ao centro do escândalo do Banco Master. O empreendimento familiar era um dos proprietários do resort de luxo Tayayá, em Ribeirão Claro (PR), e vendeu a cota de participação a fundos controlados pela Reag.
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Após as revelações, manifestações ao redor do país pediram o impeachment de Toffoli e do também ministro Alexandre de Moraes, cuja esposa manteve um contrato de advocacia de R$ 139 milhões com o Master. As denúncias de ligação ao escândalo se somaram às acusações de abusos na Corte, principalmente entre o campo bolsonarista, que questiona o julgamento da tentativa de golpe de Estado.
