O tenente-brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Junior, ex-comandante da Força Aérea Brasileira (FAB), reagiu neste sábado (29/8) à declaração do senador Flávio Bolsonaro (PL) de que ele estaria pedindo votos para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que disputa a reeleição em 2026. Em uma publicação na rede social X, o antigo Twitter, Baptista Junior classificou a afirmação como "leviandade".
Segundo o militar, o comentário foi uma manobra para desviar o foco de uma pergunta feita ao senador durante sua sabatina na TV Globo como candidato à Presidência da República, na quinta-feira (28/8). Na ocasião, Flávio foi questionado sobre os depoimentos de ex-comandantes das Forças Armadas a respeito da tentativa de ruptura institucional no fim do governo de Jair Bolsonaro, seu pai. Condenado a 27 anos de prisão pela tentativa de golpe e, portanto, inelegível, Jair Bolsonaro abriu espaço para a candidatura do filho pelo PL nas eleições de outubro de 2026. Baptista Junior está entre os que relataram ao Supremo Tribunal Federal (STF) ter resistido a pressões golpistas.
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"A leviandade de dizer que faço campanha para a reeleição do presidente Lula, apresentada para não abordar a verdadeira pergunta colocada no debate de ontem, na Globo, é antes de tudo uma ferramenta para fugir da responsabilidade de respondê-la - algo entendido na figura de filho, mas não de alguém que se proponha a nos presidir", escreveu o ex-comandante.
Baptista Junior aproveitou para mencionar seu livro, "Eu disse não! Uma trincheira antigolpista", que será lançado em setembro de 2026. "Talvez seja prudente aguardar, ler o livro e refletir, antes de outra entrevista", sugeriu ao senador. A obra narra os bastidores da crise institucional no fim do governo Bolsonaro.
O militar ainda dirigiu uma provocação ao senador Rogério Marinho (PL-RN). "Sugiro não incorporar o espírito do nosso querido Zagallo, exigindo agressivamente que a tal direita consentida vai ter que nos engolir", concluiu.
O que Baptista relatou ao STF
O ex-comandante da Aeronáutica foi uma das vozes militares que se opuseram a uma ruptura institucional após a derrota de Bolsonaro nas eleições de 2022. Em seu depoimento ao STF, ele descreveu reuniões nos últimos meses daquele governo em que foram discutidas medidas de exceção para impedir a posse de Lula.
Baptista Junior afirmou ter se recusado a receber uma cópia da chamada "minuta do golpe". Ele também relatou que o general Marco Antônio Freire Gomes, então comandante do Exército, alertou Bolsonaro de que poderia ser preso caso insistisse no plano. Em contraponto, o almirante Almir Garnier, que comandava a Marinha, teria colocado suas tropas à disposição da tentativa de golpe.
Livro reúne bastidores da crise
A obra "Eu disse não! Uma trincheira antigolpista", da Autêntica Editora, será lançada em setembro de 2026. O livro é o primeiro relato em primeira pessoa de um membro da alta cúpula militar sobre os bastidores da crise.
No texto, Baptista Junior detalha encontros no Palácio da Alvorada e no Ministério da Defesa, além de descrever três momentos em que, segundo ele, a tentativa de golpe foi frustrada. O militar ingressou na FAB em 1975, acumulou mais de 4,5 mil horas de voo como piloto de caça e comandou a Aeronáutica de abril de 2021 a janeiro de 2023.
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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.
