O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) foi criticado por um pastor evangélico após vídeo publicado pelo senador nas redes sociais. Na publicação, o "filho 01" de Jair Bolsonaro promete declarar o Brasil a Jesus como primeiro ato de governo. O reverendo Leonardo Carvalho utilizou de passagens bíblicas para condenar as falas e justificar as críticas à fala de Flávio.
O vídeo publicado pelo pastor nas redes sociais inicia com a fala de Flávio Bolsonaro: "Quando eu for presidente, um dos meus primeiros atos será decretar que o Brasil é o Senhor Jesus Cristo". Em seguida, o religioso classifica a fala como perigosa, inconstitucional e teologicamente equivocada.
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No decorrer do vídeo, o reverendo explica cada um dos pontos que classificou na frase dita pelo candidato do PL. Quanto ao "perigo" citado, o pastor defende as demais religiões existentes no Brasil e seus integrantes, e cita que a medida é "implementar o evangelistão".
"Presidente não é pastor, o país não é uma igreja, o cidadão não tem que professar a mesma fé que o seu governante pra ter pertencimento. A democracia serve justamente para isso, para que não se transforme fé em critério, pra que ele possa desfrutar das benesses do estado. O nome disso é totalitarismo. Estão tentando implementar o evangelistão", descreveu o ministro.
O religioso ainda cita que a ação é juridicamente incompatível com a Constituição Federal, que garante e protege a liberdade e a laicidade do Estado e que, portanto, não seria possível transformar a fé em lei.
Quanto ao "equívoco" teológico citado, o pastor afirma que esta é a parte onde a fala mais lhe incomoda, já que, segundo ele, pode parecer cristã e piedosa, mas "é uma tentativa desonesta de capturar consciências pelos símbolos da fé". Em seguida, o reverendo utiliza passagens bíblicas para justificar o incômodo.
"Jesus não disse: tome o estado para mim, ide e governai. Essas palavras nunca saíram de Jesus. Aliás, quando ele foi questionado sobre César e os tributos, ele disse, dá a César o que é de César e a Deus o que é de Deus. E quando questionado por Pilatos sobre o seu reino, Jesus falou: 'O meu reino não é deste mundo. O reino de Deus não precisa de um decreto presidencial para existir, não precisa de um governo para se estabelecer. Ele está no meio de nós'", criticou o pastor.
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*Estagiário sob supervisão do subeditor Gabriel Felice