O caminho percorrido pelo voto a partir do encerramento do pleito é cercado de mecanismos de segurança. Ao longo do dia, as escolhas feitas na urna são armazenadas no Registro Digital do Voto (RDV), um arquivo dentro do equipamento que registra e embaralha os votos, impedindo que eles sejam relacionados aos eleitores que o registraram.
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Às 17h, no horário de Brasília, quando termina a votação, o mesário digita um código na máquina para que ela identifique o encerramento do pleito. O equipamento então imprime automaticamente o Boletim de Urna, com o registro da quantidade de votos recebida por cada candidato e partido naquela seção eleitoral. Uma via é fixada no local de votação e pode ser conferida por fiscais dos partidos e eleitores.
Ao mesmo tempo, os dados do Boletim de Urna, assinados digitalmente, também são gravados de forma criptografada em uma mídia eletrônica e enviados aos Tribunais Regionais Eleitorais. A partir desse local de transmissão, os arquivos são encaminhados aos sistemas da Justiça Eleitoral por uma conexão criptografada.
“Essa transmissão segura daquele local até o TSE é garantida por meio do que a gente chama de VPN. É um túnel criptografado onde as informações trafegam com segurança”, explica Glaysson Gomes Rocha, titular da Secretaria de Tecnologia da Informação do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG).
“O principal equívoco sobre o processo é de que alguém possa entrar, algum hacker possa acessar e alterar os dados, influenciando a totalização”, comenta Glaysson Gomes, Secretário de Tecnologia da Informação do TRE-MG.
Antes que os votos sejam contabilizados, o sistema verifica a assinatura digital do arquivo. A assinatura digital é uma forma de identificação eletrônica que permite confirmar que o documento foi produzido pela urna oficial daquela seção e que seu conteúdo não sofreu nenhuma alteração.
Em seguida, o sistema realiza outras verificações de segurança e consistência. Caso seja identificada alguma irregularidade, como uma assinatura inválida ou divergências entre o número de votos e o total de eleitores que compareceram na seção eleitoral, o documento é rejeitado.
Nesse caso, o procedimento previsto pela Justiça Eleitoral é de que o boletim retorne para a urna e a seção eleitoral de origem para verificação. A máquina gera um novo arquivo, com as mesmas informações de votação, para ser transmitido novamente ao TSE.
Em 2026, a urna apresenta mudanças na interface, incluindo uma barra de progresso permitirá que o eleitor acompanhe quais cargos já foram votados, qual está em votação e quais ainda faltam.
Somente depois de todas essas conferências os resultados seguem para a totalização nacional, realizada pelo Tribunal Superior Eleitoral, em Brasília, de onde é divulgado o resultado oficial das eleições. “O principal equívoco sobre o processo é de que alguém possa entrar, algum hacker possa acessar e alterar os dados, influenciando a totalização”, comenta Glaysson Gomes.
Segundo o secretário, uma das formas mais simples de verificar a correspondência dos resultados está no Boletim de Urna. “Na hora em que a urna termina de fazer a apuração, a primeira coisa é a emissão do boletim impresso. Então, se tiver alguma dúvida, pego o boletim impresso e confiro com o resultado divulgado pelo TSE. Isso me garante que os resultados têm que ser iguais para serem válidos. Se tiver qualquer alteração, ele vai ser invalidado”, afirma.
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Esta reportagem faz parte de uma série especial sobre a urna eletrônica, na qual foram abordados temas como as dificuldades e fraudes que marcaram o processo manual de votação, a criação e a evolução das urnas, o processo de licitação, produção e o período em que foram fabricadas em Minas Gerais, além das fases de auditoria que garantem a transparência do processo. Três décadas depois da primeira eleição informatizada, o equipamento continua passando por mudanças, enquanto o processo eleitoral mantém diferentes mecanismos de verificação para garantir a segurança do pleito.
