O governador de Minas Gerais e candidato à reeleição, Mateus Simões (PSD), considera o governo federal o “grande agiota nacional” e propõe como parte do pagamento da dívida do estado com a União a substituição da mensalidade pela execução de obras nas rodovias federais que cortam o território mineiro. A afirmação foi feita na manhã desta terça-feira (25/8), antes de encontro com empresários na sede da Fecomércio-MG, em Belo Horizonte.
A dívida do estado chega a quase R$ 200 bilhões, pagos em mensalidades de R$ 500 milhões por meio do acordo do Propag (Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados).
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Simões defendeu que o estado que herdou a liderança após a saída do ex-governador Romeu Zema (Novo) para concorrer à Presidência da República, mantém as contas pagas dentro dos vencimentos estabelecidos com o credor, que é o Governo Federal, definido por ele como “grande agiota nacional”.
Ele argumentou que seu objetivo é trabalhar para que, em uma suposta reeleição, o estado tenha mecanismos melhores de pagamento da dívida, a ilustrar pela inclusão do valor gasto em obras na totalização da dívida, de modo a abater parte e ter como consequência ferramentas em benefício de Minas Gerais.
O encontro com Simões foi o primeiro debate realizado na Fecomércio, com a presença confirmada de 75 empresários mineiros do setor de comércio e serviços. À tarde, o candidato do PL Flávio Roscoe também tem uma reunião marcada. Alexandre Kalil (PDT) e Gabriel Azevedo (MDB) também estão na agenda dos próximos dias. Ao todo, seis candidatos terão encontros com o setor, com os dois últimos dependem do resultado das pesquisas de intenção de voto.
Para Simões, o encontro marca a consolidação de um objetivo durante a campanha. Ele contou que, desde que assumiu o governo, tenta “manter um diálogo constante com o meio empresarial, que é o nosso gerador de empregos”, citando inclusive encontro recente com representantes da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), feito nessa segunda-feira (24/8).
“Se a minha proposta aqui, nesse próximo ciclo de mandato, seja exatamente sobre melhora de renda, melhora da qualidade de vida das pessoas, condição das pessoas terem mais dinheiro para fazer aquilo que querem, a gente precisa falar sobre o ambiente de geração desses empregos. E obviamente o setor produtivo é central nisso”, afirmou.
O governador argumentou que os setores abraçados pela Fecomércio representam 40% da economia mineira e que ouvir as propostas sobre “o que anda travando o desenvolvimento econômico do Estado” e apresentar “suas propostas de largada” podem fazer com que “sua proposta central de governo seja mais factível”.
Demandas do setor
Em conversa com o Estado de Minas, o presidente da Fecomércio, Nadim Donato, contou que o objetivo dos encontros é discutir pautas relevantes para o setor com os candidatos ao Palácio Tiradentes, de modo a apresentar demandas como a reforma tributária e o investimento em ferrovias, para que o transporte seja mais ágil. “Aqui ‘trem’ é só uma palavra, não temos trem em Minas Gerais, e é necessário que as nossas ferrovias rodem com produtos, bens como café, e também transportem pessoas, porque isso facilita demais e alivia o que nós temos hoje nas rodovias”, afirmou.
Donato afirmou que a entidade também defende mudanças na tributação estadual, com redução da carga principalmente para empresas enquadradas no Simples Nacional. Segundo ele, a medida poderia aumentar a geração de empregos e a distribuição de renda. “Essa empresa, se ela pagar menos imposto, ela gera mais emprego”, disse.
O presidente da Fecomércio também citou a necessidade de revisar as diferenças de alíquotas entre os estados. Na avaliação dele, Minas Gerais perde competitividade ao impor uma carga tributária maior que a de outras unidades da Federação. Para Donato, a redução dos tributos para pequenas e médias empresas seria uma medida para tornar mais efetiva a geração de empregos e a distribuição de renda.
A reforma tributária também está entre as pautas que serão apresentadas aos candidatos. Donato avaliou que o próximo governador terá papel importante na discussão sobre a tributação no estado e afirmou que o tema será debatido nos encontros promovidos pela federação.
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Outra demanda apontada pelo presidente da Fecomércio é a chamada “taxa das blusinhas”. Donato defendeu que Minas Gerais aumente a tributação estadual sobre compras internacionais como forma de equilibrar a concorrência com o comércio local. Segundo ele, enquanto São Paulo aplica uma alíquota de 20%, Minas Gerais cobra 17%. “Se você não paga imposto internacional para o governo federal, você deve pagar no Estado”, afirmou.
