Romeu Zema (Novo), candidato à Presidência da República, se reuniu, na manhã desta segunda-feira (24/8), com pastores e pessoas afetadas pelo vício em apostas esportivas na Igreja Assembleia de Deus Ministério Unção, em Belford Roxo, na Baixada Fluminense (RJ). Durante o encontro, o ex-governador de Minas Gerais voltou a afirmar que pretende proibir as bets caso seja eleito.
A agenda repete uma ação realizada na última terça-feira (18/8), quando Zema também se encontrou com pessoas que relataram problemas relacionados às apostas. Desta vez, o candidato destacou o trabalho realizado por igrejas no acolhimento de famílias e pessoas afetadas pelo vício.
“As igrejas têm feito um trabalho no sentido de tirar essa desgraça que está tomando conta da família brasileira, que são as bets. Filhos, pais e mães que tiram o dinheiro do alimento para poder jogar. Como presidente, meu primeiro ato vai ser eliminar essa praga que só tem crescido no Brasil”, afirmou.
Zema também voltou a criticar a atuação do governo federal na área. Segundo ele, apesar da arrecadação com o setor, faltam políticas públicas para enfrentar os problemas associados ao vício em apostas. “Temos um governo que arrecada bilhões com bets e que não tem nenhuma política social para combater o vício. Só pensa em dinheiro e em arrecadar cada vez mais”, declarou.
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Mercado preditivo
Questionado sobre como pretende conciliar a proposta de proibição das bets com a posição de integrantes do Novo favoráveis aos chamados mercados preditivos, Zema argumentou que as duas atividades são distintas. Segundo o candidato, instrumentos de previsão e proteção financeira são utilizados por empresas e profissionais especializados para administrar riscos e reduzir oscilações de preços.
“Uma coisa não se confunde com a outra. Uma empresa que compra trigo, às vezes, quer ter a garantia de que aquele trigo será comprado por um preço e fecha um contrato. Ela pode perder ou ganhar, mas estamos falando de especialistas. Essas empresas têm uma área de risco, com especialistas que dimensionam esse risco”, disse.
Zema afirmou também que, diferentemente dessas operações, as plataformas de apostas são estruturadas para estimular a permanência do usuário e podem atingir principalmente jovens e adolescentes. “O adolescente e o jovem são completamente iludidos. O algoritmo da bet é feito para levar ao vício. O meu partido, o Novo, é a favor, sim, do livre mercado”, acrescentou.
Plataformas on-line de mercados preditivos tiveram bloqueios determinados pelo Ministério da Fazenda em abril. Por meio desses serviços, usuários podem apostar dinheiro em previsões relacionadas a entretenimento e temas políticos, culturais e sociais. O governo argumentou que esse tipo de operação não possui previsão específica na legislação brasileira.
No mesmo mês, deputados do Novo apresentaram um Projeto de Decreto Legislativo para suspender os efeitos da resolução do Conselho Monetário Nacional que restringiu a atuação dessas plataformas. A proposta foi protocolada pelos deputados Gilson Marques (SC), Luiz Lima (RJ) e Adriana Ventura (SP), que argumentaram que a norma estabeleceu restrições sem previsão específica em lei.
Mercado clandestino
Ao defender a proibição das bets, Zema reconheceu que a medida não impediria completamente a existência de plataformas clandestinas, mas argumentou que restringir o acesso reduziria o número de usuários. “Mercado clandestino sempre vai ter. Nós temos hoje pessoas que são viciadas em cocaína, que é legalmente proibida há décadas, mas, se você legaliza, acaba ampliando esse mercado, que só traz desgraça e uma vida pior para as pessoas”, defendeu.
Segundo o candidato, ferramentas tecnológicas poderiam ser utilizadas para localizar e suspender sites que operassem irregularmente. Para o ex-governador, a fiscalização dessas plataformas seria responsabilidade do governo. “É uma obrigação e um dever. Agora, o governo de hoje está fazendo vista grossa”, criticou.
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O candidato também relembrou a publicidade de casas de apostas em campeonatos esportivos, emissoras de televisão e redes sociais, além da atuação de influenciadores na divulgação das plataformas. Para ele, mesmo que uma proibição integral encontre dificuldades, a exposição do setor deveria ser reduzida. “O cigarro é um exemplo. Dá para reduzir. Se não der para proibir, pelo menos reduzir em 90%”, afirmou.
