A terceira via na briga entre bets e Faria Lima pelo mercado preditivo

Parceria entre Kalshi e XP acelera debate sobre como enquadrar plataformas que negociam eventos futuros

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A tentativa de introduzir no Brasil os chamados mercados preditivos abriu uma disputa entre as bets e agentes do mercado financeiro, concentrados na Faria Lima, sobre como enquadrar juridicamente esse tipo de contrato. Os mercados em questão são utilizados por usuários para negociar contratos que pagam conforme a ocorrência (ou não) de eventos futuros, como eleições, guerras e afins. As bets defendem que o modelo seja tratado como aposta e submetido às regras do setor, enquanto representantes do mercado financeiro sustentam que se trata de um produto negociável semelhante a instrumentos financeiros. Mas uma terceira interpretação já começa a circular entre especialistas em regulação.

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Essa leitura aponta que os acordos usados nessas plataformas podem se aproximar dos chamados contratos aleatórios previstos no Código Civil, em que as obrigações dependem de um evento futuro e incerto. Nesse formato, o contrato é firmado diretamente entre as partes, o que permitiria que diferentes agentes explorassem o modelo, de plataformas de apostas a instituições do mercado financeiro.

Um dos que defendem esse enquadramento é o advogado Matheus Puppe, especialista em economia digital pela Universidade de Frankfurt.

Esses mercados podem ser entendidos como contratos aleatórios, em que as partes assumem o risco de um evento futuro e incerto, disse.

O debate ganhou força após a parceria entre a plataforma americana Kalshi e a corretora XP para oferecer a clientes brasileiros contratos baseados em eventos futuros, como indicadores econômicos.

A iniciativa provocou reação de operadores de apostas online, que passaram a pressionar o governo para que o modelo seja tratado como jogo e submetido às regras do setor. Representantes do mercado financeiro, por sua vez, defendem que se trata de um produto negociável semelhante a instrumentos financeiros e discutem formas de desenvolver estruturas parecidas no país, inclusive em ambiente de bolsa.

A discussão ocorre em meio ao interesse de empresas de cripto e apostas em explorar plataformas desse tipo no Brasil. A movimentação já vinha sendo discutida no setor, mas esbarrava na falta de enquadramento regulatório, como mostrou a coluna.

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Com a entrada de instituições financeiras no debate e a reação das bets, o tema passou a ser acompanhado pelo Ministério da Fazenda, que avalia como classificar esse tipo de operação no país.

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