O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deu o primeiro passo da campanha em Minas Gerais na noite dessa sexta-feira (21/8), com comício lotado na Praça da Estação, no Centro de Belo Horizonte. Ele resgatou momentos históricos do país e da trajetória pessoal, exaltou o legado petista no Estado brasileiro, mas ressaltou que “ainda tem muita coisa para fazer”, pedindo votos para a chapa estadual e “se sobrar um pouquinho de voto”, para si.
“Eu não sou mineiro, mas tem poucos mineiros que conhecem Minas Gerais como eu conheço”, discursou o presidente. O evento oficializou as candidaturas do “Time do Lula” em Minas. O deputado federal e ex-prefeito de Belo Horizonte Patrus Ananias (PT) é o candidato ao governo e, consequentemente, quem vai comandar o palanque petista, com o ex-procurador-geral de Justiça Jarbas Soares (PSB) na vice.
Lula começou lembrando que a Praça da Estação foi palco de "muitas alegrias" e também de "algumas tristezas" para o PT em Minas, com comícios de eleições que terminaram em derrotas, como a de 1989, quando perdeu no segundo turno para Fernando Collor. E celebrou as vitórias: "Eu devo ter alguma coisa com Deus, porque o cara nasceu onde eu nasci; não morreu de fome até completar cinco anos de idade; não tem diploma universitário, é apenas torneiro mecânico; e está na terceira vez como presidente do Brasil".
O presidente relatou a conversa que teve com Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, na manhã dessa sexta. Relatou ter dito ao americano que as taxações impostas a exportações brasileiras foram baseadas em acusações falsas sobre o comportamento do Brasil, especialmente em relação ao desmatamento e o trabalho escravo. Disse que Trump “reconheceu” a argumentação, e “já pediu pro secretário de comércio ligar pro nosso Márcio [Elias Rosa, ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior], e já marcaram uma reunião”.
Também contou que conversou com o líder dos EUA sobre o combate ao crime organizado. Desde junho, o governo Trump passou a tratar as facções criminosas brasileiras Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas, e o governo brasileiro se opôs. "Ô Trump, se você quer combater o crime organizado, vamos combater o crime organizado. A Polícia Federal quer combater o crime organizado, nós queremos prender de vez os bandidos. Agora, nós queremos trabalhar junto — o que nós não queremos é interferência no Brasil".
Time do Lula
Lula foi o último a discursar. Antes dele, Patrus falou, mas não inflamou o público, que esperava ansiosamente para ouvir o líder nacional. O candidato ao governo começou sendo guiado pelo presidente até a parte mais à frente do palco. No discurso, cometeu a gafe de comemorar o apoio da Rede Sustentabilidade, que, apesar de compor federação com o Psol que participa da coligação com o PT em Minas, está apoiando a candidatura de Alexandre Kalil (PDT) ao governo. Também chamou a candidata ao Senado Áurea Carolina (Psol) de “Áurea Campos”, confundindo com o nome da outra candidata ao Senado, a ex-prefeita de Contagem Marília Campos (PT). A dupla, inclusive, foi celebrada por Lula: “Imagina a revolução, Minas Gerais ter duas senadoras mulheres pela primeira vez”. Só uma mulher foi eleita para a Câmara Alta do Congresso Nacional em Minas - Júnia Marise, em 1990.
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Patrus prometeu discutir a reestatização da Copasa, privatizada pelo governo Romeu Zema (Novo) no início deste ano. “Mas não será em um passe de mágica”, alertou. “Nós vamos herdar um estado com a dívida alta - reitero, mais de R$ 200 bilhões. Precisamos priorizar a educação, a saúde, a cultura, as estradas abandonadas de Minas. Então, a questão da Copasa é um processo que nós vamos discutir, porque trazê-la de volta para o estado, como nós queremos, não é um caminho de poucas semanas ou meses - talvez demore anos, por razões econômicas e por razões jurídicas”.
Governador Valadares
Mais cedo, Lula cumpriu agenda oficial da Presidência em Governador Valadares, no Vale do Rio Doce, para anunciar investimentos e visitar as obras de duplicação nas BRs 116 e 251, na ponte São Raimundo. Apesar de ser uma agenda institucional, discursou em tom de campanha.
“Eu queria que vocês pesquisassem se em algum momento na história da Presidência desse país algum presidente colocou a quantidade de recursos [em Minas Gerais] que nós estamos colocando para fazer estradas, recuperar estradas e recuperar rodovias”, disse. A provocação foi repetida mais tarde em BH.
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Em seguida, Lula saiu em defesa do ex-governador Fernando Pimentel (PT), que “foi governador deste estado enquanto ‘aquela coisa’ era presidente”, em referência ao ex-presidente Michel Temer (MDB). “Aquela coisa que governou o Brasil não fez negociação [da dívida do estado], não ajudou o Pimentel. Então, o Pimentel muitas vezes não pôde nem pagar salário de funcionário”.
