O candidato à Presidência da República Renan Santos (Missão) é alvo de processo ajuizado pelo Ministério Público Federal (MPF) por declarações de ódio contra 14 etnias indígenas. A ação pede a exclusão de vídeos publicados nas redes sociais, retratação pública e indenização por danos morais de R$ 500 mil aos povos da região do Baixo Tapajós, no Pará.
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Em duas publicações feitas no Instagram em 25 e 26 de fevereiro, o líder do Movimento Brasil Livre (MBL) se refere aos povos originários como "bando de índio vagabundo e picareta do Psol". Os vídeos foram feitos após ocupações promovidas a um terminal da Cargill, em Santarém, no Pará. Os manifestantes protestavam contra um decreto que previa a desestatização de rios amazônicos.
"Um bando de índio vagabundo organizaram uma invasão numa empresa, a Cargill, impediram a passagem de caminhões e após fazer seu showzinho típico, conseguiram um decreto do vagabundo do Lula, que impede a possibilidade de fazer hidrovias que escoariam essa produção muito mais rápido", afirmou Renan Santos em um dos vídeos.
A ação ainda afirma que o presidenciável negou a identidade étnica dos indígenas e utilizou de estereotipia racista depreciativa em outra postagem feita em 6 de abril ao afirmar que trata-se de uma "etnia indígena que desapareceu no século 17 e reapareceu com o PT alguns anos atrás".
O candidato ainda afirmou que vai "acabar com essa farra de qualquer um falar que é índio, falar que qualquer região aqui é reserva indígena e parar obras e o funcionamento do Brasil só para ganhar poder político".
Em vídeo divulgado via assessoria após o processo, Renan Santos afirmou que a ação é "bizarra" e voltou a relativizar a ideia de que são "tribos" indígenas, por terem, segundo ele, sido redescobertas alguns anos atrás.
Renan ainda declarou que, se eleito, a "farra vai acabar, tanto para o Ministério Público, quanto para ONG vagabunda, quanto para supostas tribos indígenas que têm como negócio a sabotagem ao Brasil".
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* Estagiário sob a supervisão da subeditora Tetê Monteiro
