O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema ganhou R$ 1,75 milhão do seu partido, o Novo, para gastar na campanha à Presidência da República. É a primeira vez que o empresário usa o fundo partidário. Antes, ele dizia ser contra.

Conforme a prestação de contas na plataforma do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Zema recebeu duas transferências do Novo, uma em 10 de agosto, de R$ 750 mil, e outra em 14 de agosto, de R$ 1 milhão. Ambas apresentam a mesma origem: o fundo partidário.

“Quero mostrar que sou um candidato que não tem o rabo preso. Eu acho um absurdo o Brasil gastar R$ 6, R$ 7 bilhões por ano com o fundo partidário e o fundo eleitoral”, declarou o ex-governador, em março deste ano. Ele criticava os fundos por promoverem a “perpetuação de candidatos já eleitos”, já que o dinheiro é dividido conforme o número de parlamentares de cada partido no Congresso Nacional.

Em outubro do ano passado, quando a Câmara estava aprovando quase R$ 5 bilhões para o fundo eleitoral de 2026, Zema reagiu: “Se falta recurso para resolver os problemas, sobra para a farra”. Também disse que os políticos “torram seu dinheiro com campanha eleitoral”, enquanto o país convive com problemas graves, como as facções criminosas.

Cabe ressaltar que o dinheiro recebido pelo ex-governador até então é referente apenas ao fundo partidário, voltado principalmente para despesas cotidianas do partido, e não só a campanha. Ainda não consta o uso do fundo especial eleitoral na prestação de contas.

Mudança de posicionamento

Nas eleições de 2018 e 2022, quando foi eleito e reeleito governador de Minas Gerais, Zema não usou dinheiro público. A campanha foi financiada por doações, algumas diretamente a ele, outras intermediadas pelo partido. A maioria veio de empresários.

No terceiro pleito que participa, neste ano, o mineiro mudou de posição. Em maio, ao "Amado Mundo", reconheceu que usará o fundo eleitoral e justificou: “Se não fica uma batalha desigual, não dá para ir de estilingue contra metralhadora”.

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Porém, o plano de governo de Zema para a Presidência prevê a extinção tanto do fundo partidário quanto do fundo eleitoral em meio às propostas de reforma institucional. O documento prevê substituir os fundos “por um modelo de financiamento privado de campanhas, com doações permitidas por pessoas físicas e jurídicas”.

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