Candidato ao governo de Minas, o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) defendeu “choque de gestão” e corte de recursos para equilibrar as contas de Minas. As declarações ocorreram durante uma agenda em Divinópolis no primeiro dia oficial da campanha eleitoral, neste domingo (16/8).

Cleitinho participou de um “adesivaço” ao lado dos irmãos, o deputado estadual Eduardo Azevedo (PL) e o ex-prefeito de Divinópolis Gleidson Azevedo (Republicanos) – que disputam a reeleição e uma vaga na Câmara Federal, respectivamente.

Entre as medidas defendidas pelo senador estão o corte de gastos, revisão de contratos, a reavaliação de incentivos fiscais e fortalecimento da fiscalização para aumentar a arrecadação.

“Da parte do governo, a gente precisa fazer um choque de gestão: cortar gastos, rever cada contrato e acabar com essa isenção fiscal. Como é que eu estou devendo bilhões de reais e vou deixar de receber? Não sou contra as empresas que tiveram essa isenção, mas é preciso saber qual foi a contrapartida”, defendeu.

A dívida fiscal de Minas com a União beira a R$ 180 bilhões. “Quando você deve, tem que dialogar. Minas Gerais deve ao governo federal. Então não adianta pegar quem for presidente a partir de 2027 e brigar com esse presidente. Isso não vai resolver nada. Se eu estou te devendo, tenho que chegar com humildade para conversar, dialogar e negociar essa dívida”, propos.

Cleitinho ainda disse buscar um “choque de realidade”. “Quero mostrar para Minas Gerais a realidade do Vale do Jequitinhonha, do Norte de Minas e de todas as regiões que mais precisam”, afirmou Cleitinho que participa ainda hoje de uma caminhada em Medina, no Vale do Jequitinhonha.

Combate a sonegação

Paralelamente ao corte de gastos, Cleitinho defendeu o fortalecimento da estrutura de fiscalização tributária. Segundo o candidato, o Estado precisa investir em mecanismos para identificar a sonegação e ampliar a arrecadação.

“A Receita Estadual tem que ter uma inteligência artificial, a Receita Federal tem que ter estrutura para a gente ver quem está sonegando.”

Cleitinho também argumentou que pequenos produtores e contribuintes cumprem suas obrigações tributárias e, por isso, o Estado precisa cobrar o mesmo comportamento dos grandes devedores.
Apesar de prometer um choque de gestão, Cleitinho evitou afirmar que conseguiria quitar completamente a dívida estadual durante um eventual mandato. “Não vou falar aqui que a gente vai zerar a dívida, não, porque a dívida chega a quase R$ 200 bilhões, mas a gente vai deixar ela reduzida.”
Acordo de Mariana no pacote de negociações.

Entre as possibilidades apresentadas durante a entrevista, Cleitinho também citou recursos relacionados ao Acordo de Mariana.

O candidato mencionou R$ 80 bilhões e sugeriu discutir com o Governo Federal uma forma de relacionar esses recursos à dívida de Minas.

“Por que a gente não negocia, pega esses R$ 80 bilhões, desconta na dívida e os R$ 80 bilhões vão para o Governo Federal, para ele poder investir aqui em Minas Gerais também com infraestrutura?”.

“Continuo apoiando o Flávio Bolsonaro”

Cleitinho também comentou a aliança com o PL. Ainda no período de pré-campanha, ele declarou apoio à candidatura à presidência de Flávio Bolsonaro. Contudo, o senador reconheceu que a demora para decidir sobre a candidatura inviabilizou o palanque.

“Isso foi uma questão minha com o partido, que a gente foi postergando. O PL queria, sim, me apoiar, mas infelizmente demorou essa questão da minha composição. Eu já tinha falado desde janeiro: se o Flávio Bolsonaro fosse candidato, eu iria apoiá-lo. Vou continuar apoiando. Só que agora perdi o palanque. Então, agora, vou fazer um palanque com o povo.”, declarou.

O PL lançou candidatura própria com o nome do ex-presidente da Federação da Indústria de Minas Gerais (Fiem), o empresário Flávio Roscoe.

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*Heloisa Benicio e Amanda Quintiliano especiais para o Estado de Minas

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