Eleições 2026/EM

SENADO EM MINAS BUSCA POR FEITOS INÉDITOS

Carlos Viana tenta romper jejum de 44 anos sem senador reeleito no estado, enquanto Marília Campos lidera pesquisa e pode levar esquerda à Casa pela primeira vez desde a redemocratização

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A disputa por duas cadeiras do Senado em Minas Gerais reúne, em 2026, candidatos que tentam romper marcas históricas da política do estado. De um lado, o senador Carlos Viana (PSD) busca a reeleição e tenta se tornar o primeiro mineiro a emendar dois mandatos consecutivos na Casa desde Itamar Franco, eleito em 1974 e novamente em 1982. Do outro, a ex-prefeita de Contagem Marília Campos (PT) chega à corrida como líder nas pesquisas e pode, caso seja eleita, representar um feito inédito para a esquerda mineira desde a redemocratização.

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Ao todo, 17 candidatos disputam as duas vagas que estarão abertas em Minas. Cada eleitor poderá escolher dois nomes diferentes, que serão eleitos para mandatos de oito anos. A disputa envolve as cadeiras atualmente ocupadas por Carlos Viana e Rodrigo Pacheco (PSB), que decidiu encerrar a carreira política ao fim do mandato.


Jejum


Carlos Viana chegou ao Senado em 2018, quando foi eleito com mais de 3,5 milhões de votos pelo Partido Humanista da Solidariedade (PHS), sigla posteriormente incorporada pelo Podemos. Oito anos depois, tenta renovar o mandato em uma eleição que pode colocá-lo diante de uma marca que nenhum senador mineiro alcança há mais de quatro décadas.

Para as eleições deste ano, o senador costurou sua candidatura ao grupo governista de Mateus Simões (PSD), que disputa a reeleição ao governo de Minas. Viana também buscou ampliar a projeção nacional de seu mandato. Um dos principais espaços ocupados pelo senador foi a presidência da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, instalada em agosto de 2025 para investigar o esquema de descontos fraudulentos aplicados a aposentados e pensionistas.

Sob o comando de Viana, no entanto, a comissão encerrou os trabalhos em março de 2026 sem aprovar um relatório final. O texto apresentado pelo relator, deputado Alfredo Gaspar, que propunha o indiciamento de mais de 200 pessoas, foi rejeitado por 19 votos a 12. Dias antes, o Supremo Tribunal Federal havia negado o pedido de prorrogação dos trabalhos.

A presidência da CPMI deu ao senador uma das principais vitrines de seu atual mandato e levou seu nome para o debate em torno das investigações. Na pesquisa Quaest divulgada na terça-feira (25/8), porém, Viana aparece em segundo lugar na disputa pelo Senado, empatado com Domingos Sávio (PL), com 8% das intenções de voto.


Esquerda


Do outro lado, Marília Campos chega à disputa em uma posição mais favorável. A ex-prefeita de Contagem lidera a pesquisa Quaest, com 15% das intenções de voto. Caso seja eleita, ela poderá se tornar a primeira senadora escolhida pelos mineiros, desde a redemocratização, filiada a um partido de esquerda no momento da eleição.

A primeira eleição para o Senado após a promulgação da Constituição de 1988 ocorreu em 1990. Desde então, candidatos de partidos de esquerda participaram de diferentes disputas em Minas, mas nenhum conseguiu conquistar uma das cadeiras.

Entre 1994 e 2014, candidaturas de PT, PDT e PSB chegaram, no máximo, à terceira colocação. Em 2018, quando duas vagas estavam em disputa, a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) terminou em quarto lugar. Naquele ano, Pacheco e Viana foram eleitos, enquanto Dinis Pinheiro ficou em terceiro.

Em 2022, quando apenas uma cadeira foi colocada em disputa, Sara Azevedo (Psol) também terminou na quarta posição. A trajetória de Júnia Marise é uma exceção à história recente, mas não contradiz o recorte. Ela foi eleita senadora por Minas em 1990 pelo PRN, partido do então presidente Fernando Collor de Mello. Só depois, em 1993, filiou-se ao PDT e, em 1998, tentou a reeleição pela legenda, mas foi derrotada por José Alencar, então filiado ao PMDB.


Indefinição


Além de Viana e Domingos Sávio, Marcelo Aro (PP) registra 6%. Áurea Carolina (Psol), Marco Antônio, o "Superman" (Novo), e Carlin Moura (Avante) têm 2% cada, segundo levantamento Quaest. Gustavo Galassi (PSDB), Marcelo Heringer (PDT), Ana Luiza do MLB (UP), Manoel Carvalho (MDB) e Juiz Ramon Moreira (DC) aparecem com 1%. Jordano Metalúrgico (PSTU), Arcanjo Pimenta (MDB), Victória Mello Vic (PSTU), Fidélis Alcântara (UP) e Tião Pessoa (PCO) não pontuam.

Como estão em disputa duas cadeiras, a pesquisa considera as menções feitas pelos eleitores para a primeira e a segunda vagas. Os percentuais, portanto, não representam uma disputa tradicional de turno único entre candidatos, mas a distribuição das duas escolhas que cada eleitor poderá fazer.

O levantamento mostra ainda um eleitorado distante de uma definição. Segundo a Quaest, 31% dos entrevistados estão indecisos e 21% afirmam que votarão em branco ou nulo ou que não pretendem votar.


Quatro mulheres


A disputa deste ano também tem uma participação feminina maior que a registrada em algumas eleições anteriores, embora os homens ainda sejam maioria entre os concorrentes. Dos 17 candidatos ao Senado, quatro são mulheres: Marília Campos, Ana Luiza do MLB (UP), Áurea Carolina (Psol) e Victória Mello (PSTU).

Em 2022, eram duas mulheres entre nove candidatos, em uma eleição na qual apenas uma cadeira estava em disputa. Em 2018, três das 14 candidaturas eram femininas. Naquele ano, duas vagas estavam abertas.

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Em 2014, duas mulheres disputaram uma vaga entre oito candidatos. Em 2010, havia uma mulher entre os candidatos considerados aptos. Em 2006, também houve uma mulher entre dez concorrentes.

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