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Gabriel Azevedo diz que Simões desinforma ao propor ‘cashback’ da dívida

Candidato do MDB considera 'enganosa' proposta de vincular pagamento da dívida de Minas a investimentos da União em rodovias federais

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Gabriel Azevedo (MDB), candidato ao governo de Minas Gerais, voltou a criticar uma proposta do governador e candidato à reeleição Mateus Simões (PSD), durante agenda em São João del-Rei, neste domingo (30/8).

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Desta vez, o ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte questionou a ideia apresentada pelo atual chefe do Executivo de negociar com o próximo presidente da República para que parte dos recursos pagos pelo Estado à União em razão da dívida pública seja destinada à duplicação de rodovias federais em território mineiro.

“É uma proposta enganosa. Mateus tenta convencer a população de que a dívida de Minas Gerais com a União tem cashback: eu pago a minha dívida e você me devolve o dinheiro para eu gastar comigo mesmo. Não funciona assim”, afirmou Gabriel.

No sábado (29/8), durante agenda em Montes Claros, no Norte de Minas, Simões defendeu que aproximadamente R$ 1 bilhão por ano relacionado ao pagamento da dívida de Minas seja utilizado pelo governo federal na duplicação das BRs 251 e 116. O governador afirmou que pretende levar a proposta ao próximo presidente da República caso seja reeleito.

Na avaliação de Gabriel, o mecanismo, da forma como foi apresentado, não está previsto nas regras atuais do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), ao qual Minas aderiu no fim de 2025. “A duplicação dessas rodovias é necessária e eu a defendo. Só que uma coisa é Minas Gerais pagar aquilo que deve. Outra é o estado negociar investimentos federais. Misturar as duas coisas é desinformar a população”, afirmou.

O candidato do MDB comparou a proposta a uma relação comum entre credor e devedor. “É como dever ao banco e dizer: ‘Eu pago a prestação, desde que o banco use o dinheiro para reformar a minha casa’. Isso não é pagamento. É querer que o credor receba a parcela e a devolva ao próprio devedor.”

Gabriel acrescentou que a dívida é mantida com a União e, por isso, envolve recursos federais. “A União representa contribuintes do Brasil inteiro. O restante do país ajudou a financiar essa dívida. Minas Gerais pode e deve reivindicar investimentos federais. Só não pode tratar o pagamento de uma dívida como dinheiro que continua sendo nosso depois que foi pago.”

O que prevê o Propag

Minas Gerais formalizou a adesão ao Propag em 31 de dezembro de 2025, na modalidade que prevê a amortização extraordinária de 20% do saldo devedor e o refinanciamento do restante em até 30 anos, com correção pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e juros reais de 0% ao ano.

Na data-base de 1º de dezembro de 2025, o saldo confessado pelo Estado era de R$ 179,3 bilhões. Além dos pagamentos da dívida, Minas assumiu como contrapartida o aporte anual equivalente a 1% do saldo devedor ao Fundo de Equalização Federativa (FEF) e a aplicação de outros 1% em áreas estratégicas, entre elas educação, habitação, saneamento, segurança pública, adaptação às mudanças climáticas e transportes.

A possibilidade de realizar investimentos em transportes, no entanto, é diferente da proposta apresentada por Simões de negociar para que parte do valor relacionado ao pagamento da dívida seja direcionada pela União às rodovias federais.

Para Gabriel, caso a intenção seja deixar de repassar R$ 1 bilhão à União e utilizar diretamente esse valor nas estradas, seria necessária uma alteração das condições hoje vigentes. “Se a ideia é deixar de pagar R$ 1 bilhão e aplicar o dinheiro nas rodovias, será preciso mudar a legislação federal e o contrato da dívida. Se a ideia é pagar normalmente e pedir que a União invista R$ 1 bilhão nas estradas, então é outra coisa: estamos falando de negociar uma despesa no orçamento federal. Isso é perfeitamente legítimo”, disse.

“O que não é aceitável é apresentar uma negociação futura como se esse mecanismo já existisse e o dinheiro pudesse simplesmente ser carimbado pelo governador”, completou.

Relação com o governo federal

Gabriel também relacionou a proposta à necessidade de diálogo entre o governo estadual e o Palácio do Planalto. Segundo o candidato, a busca por investimentos extraordinários da União depende da capacidade de interlocução de Minas Gerais com o governo federal, independentemente de quem ocupar a Presidência da República.

“Não dá para chamar o governo federal de ‘grande agiota nacional’, atacar permanentemente o partido do presidente e depois anunciar que uma conversa com esse mesmo presidente resolverá tudo. Eu posso discordar profundamente de quem estiver no Palácio do Planalto. Como governador, não tenho o direito de transformar divergência partidária em prejuízo para Minas Gerais”, afirmou.

Os trechos mineiros das BRs 116 e 251 citados por Simões foram concedidos neste ano à iniciativa privada. O contrato prevê investimentos e a duplicação de trechos das duas estradas. Na avaliação de Gabriel, intervenções adicionais também precisariam considerar as condições da concessão.

“A duplicação das BRs 116 e 251 é necessária e pode salvar vidas. Vamos reivindicá-la. Só que proposta séria precisa responder: quanto custa, de onde vem o dinheiro, quanto tempo leva, quem é responsável e qual mudança jurídica será necessária. Primeiro se constrói o caminho para executar. Depois se anuncia. Fazer o contrário é populismo”, criticou.

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Gabriel concluiu defendendo uma relação federativa baseada em diálogo institucional, independentemente do partido que estiver no comando do governo federal. “Minas Gerais precisa cobrar aquilo a que tem direito, apresentar projetos maduros e negociar com firmeza. Dívida não tem cashback. Federação exige diálogo. E governar exige responsabilidade suficiente para não vender como solução pronta aquilo que ainda depende de lei, orçamento, contrato e negociação.”

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