Esvaziado, primeiro debate tem foco nas ausências de Lula e Flávio
Candidatos presentes conversaram em clima amistoso e rechaçaram a falta dos favoritos
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O primeiro debate entre presidenciáveis, realizado pela TV Bandeirantes, não teve a presença dos candidatos mais bem colocados nas pesquisas: o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) não quiseram comparecer. Assim, a conversa ficou entre três nomes da “terceira via”: o fundador do MBL Renan Santos (Missão), o psiquiatra Augusto Cury (Avante) e o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD).
Segundo a pesquisa Datafolha divulgada nesse sábado, eles têm, respectivamente, 4%, 2% e 5% das intenções de voto no primeiro turno. Lula lidera com 39%, e Flávio tem 33%.
O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) também não foi. Em nota à imprensa, ele explicou: “Diante da ausência de Lula e de outros concorrentes, a alteração de data perdeu o seu propósito inicial [o debate foi adiado para tentar atender a Lula]. O posicionamento do Partido Novo é de oposição ao governo Lula e ao PT, cuja atuação é considerada uma tragédia ao país”. Outros candidatos não foram convidados.
Enquanto o debate acontecia, a Record exibiu uma entrevista exclusiva com Lula. Na participação, ele respondeu pela primeira vez sobre as revelações do envolvimento do filho Lulinha com a lobista Roberta Luchsinger. “Todos nós somos obrigados a agirmos corretamente. Se alguém está agindo de forma equivocada, de forma errada, esse alguém tem que ser investigado. Não sou um presidente que tenta proibir investigação. Eu não ameaço mandar ministro embora. Investigue-se”, disse.
Renan Santos
Renan Santos acusou a Record de “puxar o saco” do petista para se livrar de um suposto escândalo de corrupção com o banco Digimais e chamou Lula de “bêbado safado”. Na chegada ao debate, o candidato do Missão tinha mostrado um par de fraldas em que escreveu os nomes de Lula e Flávio, chamando os adversários de “medrosos” pela ausência.
"Dois fracassados, dois medrosos, dois criminosos. Que fazem negócios com o crime organizado, desde facção do Rio de Janeiro até o Banco Master e o INSS. Esses caras estão fugindo do debate por minha causa. E eu quero deixar claro: vocês não estão vindo porque são criminosos”, disse em entrevista coletiva.
Na primeira fala no encontro, Renan também provocou os adversários ausentes: “Eles são covardes. Não estão vindo aqui porque não têm coragem de falar sobre os crimes que cometeram: Lula com Lulinha, Petrolão e Mensalão; Flávio Bolsonaro e seu envolvimento com Daniel Vorcaro e seu escândalo de Rachadinha. Covardes e canalhas. E vocês não ligam para as vidas dos brasileiros que morrem todos os anos por conta da criminalidade”.
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"Seria bem mais legal se eles tivessem aqui, mas também é uma oportunidade. Todos os lugares que me derem esses microfones para falar, eu falarei. A verdade é cristalina, como água mineral. Se você traz ela, qualquer um vai ver se é verdade ou mentira o que eu estou falando, mesmo quem não concordava com questões ideológicas", completou o presidenciável.
Polarização
A primeira pergunta do debate, inclusive, refletiu a ausência de Lula e Flávio. Renan perguntou a Augusto Cury por que tantos brasileiros votam no petista. O psiquiatra respondeu criticando a polarização no país: “O Brasil está dramaticamente doente. Polarizado, radicalizado. Venderam uma ideia mentirosa de que nós estamos em dois barcos. Estamos em um barco só. Nem de direita, nem de esquerda. O barco se chama família brasileira. E 90% das dores não têm cor partidária”.
Apesar do início amistoso e da sintonia dos adversários em criticar os ausentes, Cury questionou a postura de enfrentamento do candidato do Missão: “Renan, você tem um nível de agressividade que me assombra. As ideias podem ter fundamento, mas a agressividade asfixia a capacidade de as pessoas terem as próprias opiniões. A beleza da Democracia está na divergência. Você pode criticar as ideias de Lula, mas não pode criticar a pessoa transformando ela em uma escória humana, quase que um lixo”. Foi o principal momento de discussão entre os presentes.
O principal tema de discussão, portanto, foram os candidatos ausentes. Em segundo lugar, veio a segurança pública. Para Ronaldo Caiado, o atual governo é conivente e “se ajoelhou” para o crime organizado. “As pessoas estão se acovardando, não estão acreditando mais que seja possível [combater as facções]. É possível. Me dê um mandato de presidente da República que você vai ver que bandido não vai mandar em um palmo deste país. (...) É preciso ter coragem, e falta para muitos que estão à frente do governo. Como presidente da República, vou confiscar os bens de todos os faccionados e garantir a segurança pública”. Também prometeu que, caso eleito, terá o promotor Lincoln Gakiya, do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) de São Paulo, como ministro de Segurança Pública.
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Os candidatos voltam a debater apenas em 14 de setembro, em evento formado por pool de 11 meios de comunicação, como SBT, Metrópoles e CNN Brasil. Lula deve seguir cumprindo a cartilha do favoritismo e provavelmente não vai comparecer. Ainda não se sabe se Flávio Bolsonaro irá.