Hertz defende reforço no combate ao feminicídio e critica discurso misógino
Pré-candidato do PSTU à Presidência associa aumento da violência contra mulheres ao avanço da extrema direita
compartilhe
SIGA
O pré-candidato do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) à Presidência da República, Hertz da Conceição Dias, afirmou nesta terça-feira (28/7), durante sabatina promovida pelo Correio Braziliense, que o enfrentamento ao feminicídio e à misoginia deve ocupar posição central nas políticas públicas do país. O candidato associou o crescimento da violência contra as mulheres ao avanço de discursos de ódio e à falta de investimentos governamentais voltados à proteção das vítimas.
Leia Mais
Ao abordar o tema, Hertz afirmou que a polarização política tem sido acompanhada pelo fortalecimento de discursos que, segundo ele, transferem para grupos sociais a responsabilidade pelos problemas estruturais do país. Na avaliação do presidenciável, mulheres, negros, nordestinos e pessoas LGBTQIA+ têm sido alvos frequentes desse processo. O candidato também criticou manifestações que, segundo ele, colocam em dúvida direitos políticos das mulheres, como o voto, classificando esse tipo de posicionamento como incompatível com a democracia.
O presidenciável defendeu que a propagação de discursos misóginos seja tratada com maior rigor pelo Estado. Segundo Hertz, é necessário diferenciar liberdade de expressão de manifestações que incentivem a discriminação e a violência contra mulheres. Na avaliação dele, grupos organizados que difundem conteúdos de ódio contribuem para a naturalização da violência de gênero e devem ser responsabilizados.
Durante a entrevista, o professor e ativista afirmou que os sucessivos recordes de feminicídio registrados no país são resultado de um conjunto de fatores, entre eles a crise econômica, o desemprego e a disseminação de discursos que culpabilizam as mulheres pela situação vivida por parte dos homens. Para o candidato, a violência não pode ser dissociada das condições sociais nem do ambiente político, que, segundo ele, estimula comportamentos discriminatórios.
Ao comentar as políticas públicas do governo federal, o pré-candidato avaliou que os recursos destinados à proteção das mulheres são insuficientes. Ele defendeu a ampliação dos investimentos na área e afirmou que o combate à violência exige uma rede permanente de atendimento. Entre as propostas apresentadas, estão a criação e ampliação de delegacias especializadas com funcionamento 24 horas por dia, o fortalecimento de casas de acolhimento para vítimas e o aumento da estrutura de proteção às mulheres em situação de risco.
Hertz também criticou declarações de lideranças políticas que, segundo ele, reforçam estereótipos sobre as mulheres e contribuem para um ambiente de violência. O candidato afirmou que manifestações desse tipo não podem ser tratadas como meras opiniões ou brincadeiras, por entender que ajudam a legitimar práticas discriminatórias em uma sociedade marcada por elevados índices de violência de gênero. Segundo ele, a responsabilização dos agressores deve ser acompanhada de políticas públicas voltadas à prevenção e à garantia dos direitos das mulheres.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
O evento presencial ocorre no auditório da sede do jornal, com transmissão ao vivo pelas redes sociais do Correio. Esta é a primeira rodada de entrevistas com os candidatos ao Palácio do Planalto. A sabatina com os presidenciáveis deste ano tem o apoio da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Anfip), da Federação Nacional de Auditores Fiscais Tributário (Fenat), da Associação Nacional de Fiscais de Tributos Estaduais (Febrafite) e da Unafisco Nacional.