A agenda internacional envolvendo os Estados Unidos está no centro do debate eleitoral brasileiro. A pesquisa Nexus/BTG Pactual divulgada nesta segunda-feira (15/6) revela que a maioria do eleitorado está ciente de dois eventos recentes: 86% sabem que os EUA classificaram o PCC e o CV como organizações terroristas, e 73% conhecem a ameaça de um novo tarifaço contra produtos brasileiros.

Apenas 10% dos entrevistados não tiveram conhecimento de nenhuma das duas pautas. A forma como os eleitores interpretam esses fatos, no entanto, mostra uma profunda divisão política no país.

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Visões opostas sobre as facções

A classificação das facções criminosas é vista de maneiras distintas. Para 37% dos brasileiros, a medida ameaça a segurança e a soberania nacional, pois poderia ser usada como pretexto para interferência americana. Já 30% acreditam que a ação vai melhorar a segurança, com os EUA agindo apenas para combater os grupos.

Essa fratura fica clara entre os eleitores dos principais candidatos. Entre quem vota em Lula, 54% veem a decisão como uma ameaça. Na base de Flávio Bolsonaro, 53% a consideram uma melhora para a segurança.

O grupo de eleitores não polarizados, que representa 21% do total e pode definir a eleição, tende a se alinhar com a percepção lulista: 44% enxergam uma ameaça, contra 21% que veem uma melhora na segurança.

De quem é a culpa pelo tarifaço?

A responsabilidade pela possível sobretaxa a produtos brasileiros também divide opiniões. Para 42% dos eleitores, a culpa é de Flávio Bolsonaro, pois a aproximação de sua família com o governo dos EUA teria gerado uma tarifa para punir a gestão de Lula. Outros 39% culpam Lula pela falta de um bom relacionamento com Washington.

Novamente, a polarização é nítida: 76% dos eleitores de Lula culpam Flávio Bolsonaro, enquanto 78% dos eleitores de Flávio Bolsonaro apontam a responsabilidade para Lula. Os não polarizados se dividem, com 39% culpando o candidato do PL e 32% responsabilizando o presidente.

A divisão é ainda mais radical quando se olha para os eleitores mais engajados politicamente. Entre os chamados lulistas convictos, 79% culpam Flávio Bolsonaro pelo tarifaço e apenas 9% responsabilizam Lula. No campo oposto, 75% dos bolsonaristas convictos apontam o dedo para o presidente, e só 17% culpam o senador. Na interpretação da classificação das facções, o padrão se repete: 59% dos lulistas convictos veem a medida como ameaça à soberania, enquanto 56% dos bolsonaristas convictos a enxergam como avanço na segurança.

André Jácomo, diretor de Pesquisa da Nexus, analisa o cenário: "A agenda internacional e comercial entre Estados Unidos e Brasil está mobilizando a opinião pública. Eleitores do presidente Lula entendem as medidas como ameaça à soberania nacional e culpam o candidato do PL, enquanto os eleitores de Flávio Bolsonaro elogiam a medida no campo da segurança e culpam Lula pela possibilidade de um novo tarifaço. O diferencial aqui são os eleitores não polarizados, cujo comportamento se aproxima mais da visão dos lulistas."

A pesquisa Nexus/BTG Pactual foi realizada por telefone com 2.017 eleitores entre 12 e 14 de junho de 2026. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%. O registro no TSE é BR-06645/2026.

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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.

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