O governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), afirmou que “não faz sentido” para o Partido Liberal (PL), sigla do ex-presidente Jair Bolsonaro, lançar uma candidatura própria ao governo do estado nas eleições de 2026.

Em entrevista exclusiva ao Estado de Minas, nesta sexta-feira (29/5), Simões avaliou que a indefinição do partido em Minas é consequência direta da disputa nacional entre o ex-governador Romeu Zema (Novo) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), ambos pré-candidatos à Presidência da República.

“PL só não está comigo neste momento, porque nacionalmente as duas candidaturas [Flávio e Zema] são separadas localmente. Para o PL, não faz nenhum sentido ter um candidato próprio. Eles não têm um nome. Então, têm que construir um nome do nada. Isso demanda energia e não é o foco do partido para esse ano”, afirmou.

A declaração ocorre em meio ao agravamento da crise entre Zema e o clã Bolsonaro. Após críticas do ex-governador mineiro às relações do senador com o banqueiro Daniel Vorcaro, o embate passou a provocar desgaste também dentro do Novo e ameaçar alianças estaduais entre a legenda e o bolsonarismo.

Simões reconheceu que a tensão nacional impacta diretamente sua pré-candidatura ao governo de Minas, mas afirmou tratar a situação como parte do processo político. “Certamente influencia”, declarou.

Segundo o governador, a prioridade do partido de Jair Bolsonaro estaria concentrada na disputa ao Senado, e não na construção de um projeto próprio para o Executivo mineiro. “O partido tinha dito que queria eleger senadores. Bolsonaro veio aqui e falou isso para mim. Queria uma vaga para o Senado, que é só isso que eles querem”, afirmou.

Apesar disso, Simões disse não ver espaço para interferir na postura adotada por Zema diante de Flávio Bolsonaro. O governador reforçou apoio ao ex-chefe do Executivo mineiro na disputa presidencial e afirmou que seguirá ao lado do aliado político.

“Eu jamais vou pedir ao meu ex-governador que recue nas posições dele. Isso seria impróprio e contrário até à relação de confiança que nós temos”, disse.

Na entrevista, Simões voltou a associar a experiência administrativa de Zema em Minas ao cenário nacional e afirmou que o ex-governador teria credenciais para enfrentar problemas econômicos do país.

“O Brasil vai enfrentar ano que vem a mesma coisa que Minas enfrentava em 2019, quando nós assumimos. Ele sabe exatamente como é pegar uma estrutura destruída pelo PT”, afirmou.

Mesmo admitindo dificuldades para uma composição com o PL neste momento, o governador disse esperar uma convergência entre os partidos de direita em Minas Gerais ao longo da disputa eleitoral.

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“Espero que a direita em Minas Gerais possa se unificar. Mas, se não se unificar, estou pronto para essa etapa da eleição, se ela chegar”, declarou.

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