O ex-prefeito de Belo Horizonte e pré-candidato ao governo de Minas, Alexandre Kalil (PDT), criticou o Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag) e afirmou que o modelo não resolve o problema financeiro de Minas Gerais, que deve R$ 185 bilhões à União.

De autoria do senador Rodrigo Pacheco (PSB), também apontado como pré-candidato ao governo, o Propag foi aprovado pelo Congresso Nacional em 2024 e permitiu ao então governo Romeu Zema (Novo) renegociar a dívida bilionária de Minas Gerais em melhores condições em troca de entrega de ativos e juros menores. 

Durante painel com pré-candidatos ao governo de Minas organizado pela Associação Mineira de Municípios (AMM) nesta terça-feira (5/5), Kalil disse que a proposta do Propag repete estratégias já adotadas no passado, como a entrega de ativos estaduais para abatimento de dívidas, e que não surtiram efeito. Ele citou o período de 1997 e 1998, quando, segundo ele, o estado tinha uma dívida de cerca de R$ 18 bilhões e realizou privatizações e mudanças estruturais, incluindo o fim de instituições como o banco Minas Caixa. 

 

“Essa proposta de entregar ativo já foi feita em Minas Gerais em 97 e 98. Não deu certo e não vai dar certo de novo a não ser que o governador, a partir do Propag, converse com o governo federal, seja o presidente que for, para avisar a ele que não existe negociação de dívida sem abatimento do principal." 

Ele comparou a situação à de um cliente que renegocia dívidas com bancos, afirmando que descontos são comuns nesses casos. “Qualquer um de nós aqui que tenhamos uma dívida em qualquer banco privado, na hora que você sentar na frente do Bradesco, do Itaú, do Santander, você começa no mínimo com abatimento de 40%”, defendeu.

"Impagável"

Para Kalil, a dívida do estado com a União é “impagável” nos moldes atuais e precisa ser revista com redução de juros, correção e do valor principal. Ele defendeu que o governo estadual adote uma postura mais firme nas negociações com o governo federal. 

O ex-prefeito também relacionou a situação financeira do estado à capacidade de investimento nos municípios. Segundo ele, sem recursos, o governo não consegue manter convênios e repasses em dia, o que afeta diretamente as prefeituras.

“E sem dinheiro, prefeito não quer ver cara de governador. Prefeito quer ver convênio pago no dia do dia”, afirmou.

Apoio petista

Apontado como plano B do governo Luiz Inácio Lula da Silva, caso Pacheco não aceite disputar o governo de Minas, Alexandre Kalil disse, na entrevista concedida após a fala para os prefeitos, que já conversou com vários presidentes nacionais de partidos, entre eles PT, Rede e Psol, além do PSDB, sobre sua candidatura, mas, no momento, disse que está esperando as “coisas se assentarem” para decidir suas alianças na disputa pelo governo de Minas.

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Questionado se poderia ser candidato do Lula em Minas caso Pacheco não confirme sua intenção de disputar, ele disse que pode ser “candidato de qualquer um” dos partidos com quem tem conversado, mas alega não “ter preferência alucinante por nenhum deles”. “Mas fui convidado por todos.” 

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