Cleitinho mostra carros de senadores: ‘Problema não é acabar com a 6x1’
Senador mineiro usa garagem do Senado para criticar gastos públicos e reforçar defesa de proposta em discussão na Câmara
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O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) publicou, nesta quarta-feira (6/5), um vídeo em que mostra carros utilizados por senadores na garagem do Senado Federal e afirma que esse tipo de gasto, e não o fim da escala 6x1, seria o verdadeiro “problema do país”.
Ao percorrer o local, Cleitinho questiona a narrativa de que o fim da escala 6x1 poderia gerar impacto negativo na economia. “Será que é acabar com a escala 6x1 que vai quebrar o país? Vou mostrar para vocês o que é problema do país”, diz no vídeo, antes de direcionar a câmera para os carros.
Em seguida, menciona benefícios como plano de saúde vitalício para parlamentares e estruturas semelhantes em outros Poderes. “Não é só no Senado. Na Câmara tem, no Tribunal de Contas tem, no STF tem. E quem paga essa conta? É o povo brasileiro”, diz. “Então, não vem com essa ladainha de que se acabar com a escala 6x1 que é o problema do país. O problema do país tá aqui. A fonte de despesa tá aqui”, completa.
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O vídeo segue uma linha já adotada pelo senador em outras manifestações, em que compara a realidade do trabalhador comum à dos agentes públicos. “Vou desenhar. O trabalhador CLT, na escala 6x1, faz 300 dias de trabalho para folgar 65 dias. Agora, vamos mostrar aqui, a classe política, que tem carrão”, diz, ele com um papel na mão escrito “150 dias trabalhados para 215 folgados”. “Ele folga mais do que trabalha”, afirma na gravação.
O posicionamento ocorre em meio à tramitação, na Câmara dos Deputados, de propostas que alteram a jornada de trabalho no país. Uma delas, apresentada pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), prevê a redução da jornada semanal de 44 para 36 horas, com transição ao longo de dez anos. Outra, de autoria da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), propõe uma reorganização mais ampla, com possibilidade de quatro dias de trabalho por semana, também limitada a 36 horas.
As propostas foram reunidas para análise em uma comissão especial, formada por deputados titulares e suplentes, com prazo definido para apresentar parecer. O colegiado deve realizar reuniões frequentes e abrir período para emendas antes de levar o texto ao plenário. Caso avance, a mudança ainda precisará cumprir as etapas exigidas para aprovação de uma emenda constitucional.
Cleitinho tem sido criticado por parte de seus próprios seguidores nas redes sociais, que associam o projeto ao governo Lula (PT) e reagem negativamente à sua defesa. O senador chegou, inclusive, a ser rotulado como "esquerdista".
O tema também expôs diferenças entre parlamentares mineiros. Cleitinho e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), frequentemente alinhados em outras agendas, se distanciaram nessa esfera, especialmente em discussões sobre fiscalização de gastos públicos e questões trabalhistas.
Em discurso no plenário do Senado, o próprio Cleitinho já havia antecipado esse tom ao afirmar que políticos não teriam legitimidade para discutir a jornada de trabalho da população. Na ocasião, defendeu que qualquer mudança nas regras trabalhistas deveria ser acompanhada de cortes de despesas no setor público, reforçando o argumento de que o peso do ajuste não deveria recair apenas sobre trabalhadores.
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Uma pesquisa recente divulgada pela Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados mostra que 63% dos brasileiros são a favor do fim da escala 6x1. Ainda segundo a pesquisa, 22% se posicionaram contra o projeto mas, desses, 10% relataram que apoiam o fim da escala 6x1 se houver garantia de que os salários não serão reduzidos. Apesar da aprovação, apenas 12% disse entender o significado do projeto, 62% disseram que já ouviram falar e 35% não conhecem.