Ao ser questionado sobre o futuro da Petrobras em um eventual governo, durante agenda em Belo Horizonte nesta quinta-feira (23/4), Ronaldo Caiado (PSD) defendeu a abertura da estatal à iniciativa privada. Segundo ele, a empresa deve ser analisada por segmentos, com abertura pontual ao capital privado e revisão de áreas consideradas ineficientes.
“Você não resume a Petrobras a uma coisa só. Ela tem mais de 10 ramos”, afirmou. Caiado defendeu uma abordagem técnica, baseada na análise de cada unidade de negócio. “Você não abre mão de tudo. Você abre mão de pontos que vão ser alavancados”, disse.
Um dos principais focos de crítica foi o setor de gás natural. O governador apontou a falta de infraestrutura como entrave ao desenvolvimento regional, especialmente em Minas Gerais e Goiás. “Nós não temos um gasoduto no Triângulo Mineiro e nem que chegue ao estado de Goiás”, afirmou.
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Ele também destacou o volume de gás reinjetado pela Petrobras – mais de 113 milhões de metros cúbicos por dia, como um desperdício de potencial econômico, segundo o político. Para Caiado, esse recurso poderia ser convertido em insumos industriais, como amônia e ureia, destinados à produção de fertilizantes.
Nesse ponto, o presidenciável conectou a política energética à agenda do agronegócio, alertando para riscos no abastecimento futuro. “Hoje estamos sem saber como vamos suportar a safra de 2027”, disse, ao defender a exploração de reservas nacionais de potássio e fósforo.
Apesar das críticas, Caiado reconheceu a capacidade técnica da Petrobras, especialmente na exploração do pré-sal. “Ela é reconhecida mundialmente como a mais preparada nessa área”, afirmou.
A proposta, segundo ele, não é desmontar a estatal, mas reconfigurá-la. Em paralelo, defendeu o avanço de fontes alternativas, como o biometano e o aumento da mistura de etanol e biodiesel na matriz energética. “O Brasil não tem política de combustíveis”, criticou.
Críticas a Lula
De passagem por Belo Horizonte, o postulante ao Planalto conversou com representantes do setor produtivo em sua primeira agenda de pré-campanha por Minas Gerais. Ancorado em um discurso antipetista, o presidenciável teceu críticas ao governo federal em temas ligados à economia e à exploração de recursos naturais.
“Ele (presidente Lula) não sabe nem o que são terras raras pesadas. Na tabela periódica, não sabe nem onde estão esses minerais”, disse. Ao citar sua gestão em Goiás, Caiado utilizou os índices de aprovação como argumento para se contrapor ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Por que o PT não volta a governar em Goiás nos próximos 100 anos? Porque eu governei bem. A vacina contra o PT é governar bem o estado”, declarou.
Em tom crítico à polarização, ele afirmou que há uma tentativa de restringir o debate eleitoral “aos mesmos grupos de sempre” e disse que sua candidatura surge como contraponto. “Queriam fechar o segundo turno no primeiro turno, manter só as duas bolhas da polarização”, declarou.
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Ao se colocar como opção fora desse eixo, sustentou que pode ampliar o debate. “O Caiado é exatamente o nome capaz de romper essas bolhas e tirar o Brasil de uma discussão que empobrece a política nacional”, afirmou. Apesar de reconhecer menor exposição até aqui, atribuiu isso à falta de espaço no debate público. “Teve debate? As pessoas não me conhecem. Sabem o que eles pensam, mas não sabem o que eu penso”, disse.
