A Federação Brasil da Esperança (PT, PV e PCdoB) protocolou uma representação na Justiça Eleitoral contra um perfil na rede social TikTok que simula, utilizando inteligência artificial (IA), violência contra mulheres vestidas com camisas do PT. No vídeo, um pastor, usando verde e amarelo, dá tapas na cara de mulheres. A legenda do vídeo diz que é um "pastor tirando demônio de petista".
Leia Mais
O perfil que divulgou o vídeo, que viralizou nas redes, contava com 400 mil seguidores e a agressão obteve cerca de três 3 milhões de curtidas. Identificado como "RehVerse IA", ele saiu do ar após notificação extrajudicial enviada pelo PT, mas a federação busca a responsabilização do autor para evitar novos ataques. A federação argumenta que tais conteúdos ultrapassam a sátira, configurando incitação ao atentado contra pessoas e depreciação da condição feminina, condutas vedadas pelo Código Eleitoral.
A representação fundamenta-se nas novas normas aprovadas pelo TSE para as eleições de 2026, especificamente a Resolução nº 23.755/2026, que veda o uso de IA para a criação de campanhas negativas que representem, entre outras condutas vedadas, violência política de gênero.
A federação também destaca a violência do vídeo e cita estudos da Justiça Global e Terra de Direitos que revelam que, entre 2020 e 2022, foram registrados 54 assassinatos e 94 agressões por motivação política no Brasil.
A representação pede que o vídeo seja suspenso imediatamente e que o TikTok o forneça dados para que o autor do perfil seja identificado. O documento pede ainda que outras redes sociais sejam notificadas para impedir a circulação de conteúdo idêntico ou semelhante.
O documento também relembra o assassinato do ex-tesoureiro do PT, Marcelo Arruda, em 2022, como um exemplo extremo da intolerância que começa com propagandas de ódio na internet. Ele foi assassinado por Jorge José da Rocha Guaranho, agente penitenciário federal e apoiador de Jair Bolsonaro, em Foz do Iguaçu, Paraná.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
No mês passado, O Ministério da Justiça acionou o TikTok pedindo explicações sobre medidas adotadas pela rede para detectar e remover conteúdo misógino, após a viralização de vídeos que simulavam agressões contra mulheres. As imagens, que circularam amplamente na véspera do Dia Internacional da Mulher, mostravam homens simulando chutes, socos e facadas contra mulheres que recusavam pedidos de namoro ou casamento.
