DALLAS, EUA – O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro afirmou que, se o senador Flávio Bolsonaro (PL) for eleito, o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), vai sofrer um processo de impeachment. A fala ocorreu nesta sexta-feira (27/3), durante o discurso na Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), nos EUA.

"Existe um prognóstico que vamos ter a maioria no Senado", disse ele em referência à base aliada da direita. "Os futuros senadores vão 'impichar' o Alexandre de Moraes. Vamos chutar para fora esses juízes corruptos. No dia seguinte, eu vou processar ele pela prisão, pelos crimes que ele cometeu e por quando ele me processou por crimes que eu não cometi."

O ex-parlamentar, que vive nos Estados Unidos desde fevereiro no ano passado, foi um dos principais defensores das taxações contra o Brasil e de punições contra Moraes, que caíram no fim do ano passado.

O ex-deputado se mudou para os Estados Unidos há um ano alegando sofrer perseguição no Brasil e perdeu seu mandato parlamentar por faltas.

No CPAC, afirmou que ele e sua esposa têm contas bancárias congeladas. "Eles tiraram o meu passaporte, meu mandato. Agora, eu sou um ex-deputado. Não me deixam nem ser um policial federal no Brasil", disse ele, que ironizou que vive nesta situação porque é "uma ameaça ao Brasil" e que é "um cara muito perigoso".

"Não temos medo de você, Alexandre de Moraes. Vamos vencer essas eleições, vamos perdoar Jair Bolsonaro, e os EUA vão ter o maior aliado no Brasil no ano que vem", diz.

Flávio Bolsonaro no mesmo evento

Como mostrou reportagem da Folha de S. Paulo, Eduardo tem guiado Flávio em viagens internacionais para construir uma articulação estrangeira de extrema direita. O senador é pré-candidato pelo PL à Presidência da República e também vai se apresentar no evento neste sábado (28/3).

Diferentemente do ano passado, quando discursou sozinho no palco da conferência, Eduardo dividiu o horário com outros convidados de diferentes países, como Austrália, Hungria, Japão e ex-primeira-ministra do Reino Unidos de Liz Truss.

O presidente do CPAC, Matt Schlapp, afirmou que ama Eduardo, Flávio e Jair Bolsonaro. Também alegou que esteve no Brasil e viu que nos livros didáticos "crianças com 9 anos aprendem que podem ser ativos sexualmente e trocar seu gênero", sem explicar a que obra se referia.

Aliados do bolsonarista, o ex-parlamentar e o ex-comentarista da Jovem Pan, Paulo Figueiredo, têm intensificado pedidos para que a comunidade internacional acompanhe o processo eleitoral brasileiro. Na última semana, estava planejada a viagem de Darren Beattie, conselheiro para relações com o Brasil nos Estados Unidos, para o Brasil.

Beattie tentou uma visita a Jair Bolsonaro, que, em um primeiro momento, foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes. Porém, depois de manifestação do ministro Mauro Vieira, das Relações Exteriores, o magistrado retrocedeu.

O juiz afirmou que a visita poderia configurar "indevida ingerência nos assuntos internos do Estado brasileiro". Ele também disse que o pedido não se enquadra nos objetivos oficialmente comunicados pelo Departamento de Estado, relacionados a entender o funcionamento do sistema eleitoral brasileiro.

Darren Beattie é crítico de Moraes e do governo federal, e sua visita se daria em contexto no qual o Brasil avalia que Trump pode tentar interferir nas eleições. No Brasil, ele também planejava tratar de decisões judiciais que determinaram o bloqueio de perfis em redes sociais no âmbito dos inquéritos sobre "fake news" e milícias digitais conduzidos pelo STF.

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O conselheiro ainda procurava uma ampla agenda com o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), que a partir de junho será comandado por indicados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), com o ministro Kássio Nunes Marques na presidência e André Mendonça como vice.

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