BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) estimam que juízes ganharão em média cerca de R$ 25 mil mensais a menos com a decisão que limitou os pagamentos de penduricalhos no Poder Judiciário. 

O cálculo foi feito pelos ministros Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e Flávio Dino, relatores das ações que tratam do tema e foram julgadas no plenário da corte nesta semana. 

O número é resultado da diferença entre a atual remuneração média bruta dos magistrados em 2025 (R$ 95.968,21), calculada pela comissão criada para discutir esse tema a partir de dados do CNJ (Comissão Nacional de Justiça), e a estimativa dos ministros da média salarial (cerca de R$ 70 mil) após as mudanças. 

Com a decisão da corte, a remuneração mensal permitida será de até R$ 78,8 mil para aqueles que ganham pelo teto e recebem a quantia máxima das verbas indenizatórias. 

O teto do funcionalismo público é de R$ 46.366, e a decisão do STF acabou aceitando penduricalhos no Judiciário e no Ministério Público até um limite de 70% do salário dos servidores desses órgãos. 

O valor de quase R$ 96 mil médios da remuneração bruta em 2025 foi calculado com base no teto remuneratório constitucional anualizado, para refletir a renda de 13 contracheques -incluindo parcelas como 13º salário e férias. Isso significou considerar como teto um valor de R$ 52.805,94. 

A comissão instituída por Fachin afirmou que, mesmo diante do argumento de defasagem salarial dessas carreiras, como apontado por entidades representativas, a situação fiscal do país impunha cautela. "A dívida líquida do setor público atingiu 65,3% do PIB, maior percentual da série histórica." 

Há aproximadamente 19 mil juízes no Brasil, segundo dados do CNJ . Com isso, os ministros estimam um potencial de economia de R$ 6,2 bilhões só com a magistratura. A reportagem apurou que os ministros listam mais de 50 penduricalhos encerrados por eles. 

As novas regras também valerão para o Ministério Público. Segundo dados do CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público), os MPs têm cerca de 13 mil membros no país. 

Além disso, o STF determinou a divulgação completa das verbas pagas como penduricalhos. Atualmente, há baixa transparência na discriminação desses valores. 

Moraes, Zanin, Gilmar e Dino são relatores de ações no Supremo que tratam do pagamento de verbas indenizatórias e apresentaram um voto conjunto autorizando um limite de 70%. 

A tese apresentada pelos quatro foi ratificada pelos demais integrantes da corte: André Mendonça, Kassio Nunes Marques, Luiz Fux, Dias Toffoli, Cármen Lúcia e Edson Fachin -presidente do tribunal. 

Conforme a decisão, as verbas indenizatórias (que incluem pagamento de férias não gozadas e acúmulo de jurisdição) não podem ultrapassar 35% da remuneração do servidor. No caso de ministros do STF, esse valor extra representa R$ 16.228. 

Além da limitação desses penduricalhos em até 35%, os ministros concordaram em permitir outro adicional, por tempo de serviço, chamado de "parcela de valorização do tempo de antiguidade na carreira", ou ATS. 

Esse valor será também de até 35% do teto, com repasse de 5% a cada cinco anos. O limite só será pago a quem tiver 35 anos de serviço ou mais, ativo ou inativo, e comprovar o direito ao penduricalho. 

No caso dos integrantes do próprio Supremo, que recebem R$ 46.366, esses pagamentos adicionais podem chegar a R$ 32.456. 

Esse limite será válido apenas para quem já recebe teto salarial, quem recebe um grande número de verbas indenizatórias e quem tem 35 anos ou mais de carreira. A expectativa é que os demais servidores passem a receber valores menores do que hoje. 

Neste ponto, a decisão acabou recriando um benefício extinto havia 20 anos no âmbito da União -para juízes federais e procuradores da República. O chamado quinquênio foi abolido por uma emenda à Constituição de 2003 e que passou a ter efeito em 2006. 

No TJ-SP (Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo), por exemplo, atualmente há remunerações líquidas que ultrapassam valores como R$ 180 mil e R$ 200 mil. Um desembargador recebeu, em dezembro passado, R$ 213.494. 

Nesta quinta-feira (26), o CNJ e o CNMP CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público) instituíram um grupo de trabalho conjunto para cumprimento da decisão do Supremo sobre o regime remuneratório da magistratura e do Ministério Público. 

A AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros) divulgou nota para manifestar "profunda discordância" com a decisão da corte. O texto é assinado por entidades dos estados representativas da magistratura estadual, federal, do trabalho e militar filiadas.

QUAIS PENDURICALHOS ESTÃO PROIBIDOS? 

O STF afirmou que penduricalhos como licenças compensatórias e demais verbas indenizatórias ou auxílios previstos em decisões administrativas, resoluções, leis estaduais e até mesmo em leis dessas carreiras são inconstitucionais, devendo cessar imediatamente. 

A seguir alguns deles: 

- Auxílios natalinos; 

- Auxílio-combustível; 

- Licença compensatória por acúmulo de acervo; 

- Indenização por acervo; 

- Gratificação por exercício de localidade; 

- Auxílio-moradia; 

- Auxílio-alimentação; 

- Licença compensatória por funções administrativas e processuais relevantes; 

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

- Licença compensatória de um dia de folga por três trabalhados.

compartilhe