O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), formalizou à Assembleia Legislativa a decisão de renunciar ao cargo a partir do próximo dia 22 de março. A comunicação foi feita por ofício lido durante a sessão plenária de terça-feira (18/3).

No documento, Zema afirma deixar o comando do Estado com “sensação de missão cumprida” e destaca a recuperação das contas públicas como uma das principais marcas de sua gestão. Ele relembra que assumiu o governo, em 2019, em meio a uma grave crise fiscal, com atrasos no pagamento de servidores, serviços públicos comprometidos e alto endividamento.

Segundo o governador, ao longo de seus dois mandatos, houve reorganização administrativa, retomada da regularidade salarial do funcionalismo e avanço na prestação de serviços. “Mais do que isso, Minas voltou a ficar de pé”, afirmou no texto, ao acrescentar que a reeleição em primeiro turno, em 2022, representou um reconhecimento coletivo da população mineira.

Na carta, Zema também critica o cenário político nacional e ao governo federal. Sem mencionar diretamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ele afirma ver o país “novamente tomado pela indignação”, cita sucessivos escândalos de corrupção e diz que há uma tentativa de “blindagem de uma turma de intocáveis”. Para o governador, o Brasil enfrenta hoje um sentimento semelhante ao vivido por Minas antes das mudanças iniciadas em sua gestão.

O agora ex-chefe do Executivo estadual também relaciona a decisão de deixar o cargo a um “espírito de serviço” voltado ao país. Ele ressalta suas origens familiares, ligadas à imigração italiana e ao trabalho no interior paulista, e afirma sentir que é o momento de “retribuir ainda mais ao Brasil”.

No ofício, Zema manifesta confiança no vice-governador Mateus Simões, que assumirá o comando do Estado após a renúncia. Segundo ele, o sucessor dará continuidade ao projeto administrativo iniciado em 2019, mantendo o foco em responsabilidade fiscal e compromisso com os mineiros.

O governador encerra a mensagem agradecendo à Assembleia Legislativa pela parceria institucional ao longo dos anos e à população de Minas pela confiança. “Minas estará sempre no meu coração”, conclui.

Leia a íntegra 

"À Assembleia Legislativa do Estado de Minas GeraisSenhor Presidente,Senhoras e Senhores Deputados,

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Dirijo-me a esta Casa para comunicar, de forma respeitosa e transparente, minha decisão de renunciar ao cargo deGovernador do Estado de Minas Gerais, a partir do próximo dia 22 de março. Faço isso com o coração cheio de gratidão aos mineiros e com profundo respeito a esta Assembleia Legislativa, que tevepapel fundamental nos momentos mais desafiadores que enfrentamos juntos ao longo destes anos.Quando assumi o governo em 2019, Minas Gerais atravessava um dos períodos mais difíceis de sua história. O Estadoestava desorganizado, incapaz de pagar seus servidores em dia, com serviços públicos comprometidos e com uma dívida gigantescaque limitava severamente a capacidade de ação do governo.Mais do que a crise financeira, havia um sentimento que doía em todos nós: pela primeira vez, muitos mineiros sentiamvergonha da situação do nosso Estado.Foi esse sentimento que me trouxe para a política. Eu era um empresário que nunca havia ocupado um cargo público, mas,como tantos outros mineiros, estava indignado com o que estava acontecendo com Minas Gerais.Com o apoio do povo mineiro, fui eleito em 2018 com uma missão clara: fazer o governo trabalhar para quem sustenta oEstado – para os mineiros – e não para quem vive às custas dele.Ao longo desses anos, enfrentamos enormes dificuldades, mas avançamos juntos.Colocamos ordem na casa. Recuperamos as contas do Estado. Voltamos a pagar os servidores em dia. Reorganizamosserviços e mostramos que é possível governar com responsabilidade, respeito ao dinheiro público e foco em quem realmente paga aconta.Mais do que isso, Minas voltou a ficar de pé.E, talvez a maior alegria de todas, os mineiros voltaram a sentir orgulho de ser mineiros.Por isso, recebi com enorme gratidão a reeleição em primeiro turno em 2022, um reconhecimento que pertence não a mim,mas a todos os mineiros que acreditaram que era possível mudar.Hoje deixo o governo com a sensação de missão cumprida.Mas o mesmo sentimento que me levou a disputar as eleições em Minas em 2018 também fala alto neste momento emrelação ao Brasil.Página 93 de 187 www.almg.gov.brQuinta-feira, 19 de março de 2026Vejo um país novamente tomado pela indignação.Escândalos de corrupção se sucedem. Uma turma de intocáveis tenta se blindar e se colocar acima do povo. O governo doPT parece cada vez mais voltado para si mesmo, enquanto milhões de brasileiros lutam para fechar as contas no fim do mês. Odinheiro do brasileiro vale cada vez menos.Cresce no país um sentimento muito parecido com aquele que vimos em Minas Gerais antes da mudança que começamosem 2019.Sou, antes de tudo, um brasileiro comum. Um mineiro que cresceu trabalhando, estudando e empreendendo, como milhõesde brasileiros fazem todos os dias.Minha família chegou ao Brasil vinda da Itália, pobre, para trabalhar na roça no interior de São Paulo. Foi aqui queconstruímos nossas vidas. Foi este país que nos deu oportunidades.Sinto, portanto, que chegou o momento de retribuir ainda mais ao Brasil tudo aquilo que ele deu à minha família.É com esse espírito de serviço que deixo o governo de Minas Gerais.Tenho plena confiança de que o vice-governador Mateus Simões dará continuidade ao trabalho que iniciamos juntos eseguirá conduzindo Minas com seriedade, responsabilidade e compromisso com os mineiros.Agradeço profundamente a esta Assembleia Legislativa pela parceria institucional ao longo destes anos. Mesmo nosmomentos mais difíceis, prevaleceu o compromisso com Minas Gerais.E agradeço, acima de tudo, ao povo mineiro pela confiança, pelo apoio e pela oportunidade de servir.Minas estará sempre no meu coração."

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