Em nota conjunta, Brasil e aliados condenam ação militar dos EUA na Venezuela
Nota conjunta pede solução pacífica, respeito à soberania e alerta para riscos à estabilidade regional
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O governo federal divulgou, na tarde deste domingo (4/12), uma nota conjunta na qual o Brasil, ao lado de México, Chile, Colômbia, Uruguai e Espanha, manifesta forte reação às ações militares realizadas unilateralmente pelos Estados Unidos em território venezuelano. A publicação expressa preocupação com os desdobramentos da operação que levou à captura do presidente Nicolás Maduro e aponta riscos diretos à paz regional e à ordem internacional.
No texto, os países, afirmam que as ações militares contrariam princípios fundamentais do direito internacional, especialmente aqueles previstos na Carta das Nações Unidas. A nota ressalta que o uso ou a ameaça do uso da força, assim como a violação da soberania e da integridade territorial de um Estado, representam um precedente considerado perigoso, com potencial de afetar a segurança regional e expor a população civil a novos riscos.
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Os governos também reiteram que a crise venezuelana deve ser enfrentada exclusivamente por meios pacíficos. A posição conjunta defende o diálogo e a negociação como únicos caminhos legítimos para a resolução do conflito, sem ingerências externas, e enfatiza que qualquer saída duradoura deve respeitar a vontade do povo venezuelano. Segundo o documento, apenas um processo político inclusivo, conduzido pelos próprios venezuelanos, pode resultar em uma solução democrática e sustentável, alinhada ao respeito e à dignidade humana.
Outro ponto central da nota é a reafirmação da América Latina e do Caribe como zona de paz. Os países destacam que essa condição foi construída com base na não intervenção, no respeito mútuo e na solução pacífica de controvérsias. Diante do atual cenário, o grupo faz um apelo à unidade regional, independentemente de diferenças políticas, como forma de conter iniciativas que possam comprometer a estabilidade do continente.
O texto também dirige um chamado às Nações Unidas e a outros mecanismos multilaterais para que atuem de forma ativa na desescalada das tensões. A expectativa é que esses organismos utilizem seus instrumentos diplomáticos para preservar a paz regional e evitar o agravamento do conflito.
A nota foi divulgada minutos antes da reunião ministerial da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), que está marcada para as 14h deste domingo, e será realizada por videoconferência.
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O encontro foi convocado para discutir os desdobramentos da ação militar dos Estados Unidos na Venezuela e seus impactos regionais. Segundo a assessoria do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o chefe do Executivo permanece na Base Naval de Marambaia, no Rio de Janeiro, e “qualquer novidade será informada à imprensa ao longo do dia”.