Governador mineiro teve tarde cheia em Brasília e vai acionar STF para prorrogar efeito de liminar que permite adiamento do pagamento de dívida com União -  (crédito: Alexandre Guzanshe/EM/D.A. Press)

Gastos do governador são questionados durante reunião na Assembleia Legislativa de Minas Gerais

crédito: Alexandre Guzanshe/EM/D.A. Press

A oposição questionou nesta terça-feira (12/12), durante reunião sobre o regime de recuperação fiscal na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, os gastos do governador Romeu Zema (Novo) com fornecimento de gêneros alimentícios para o Palácio Tiradentes, sede do governo na Cidade Administrativa, e apresentou contratos com um sacolão de Sete Lagoas, na Região Central do estado, no valor total de R$ 307,6 mil para fornecimento de itens de luxo como presunto parma de R$ 550, o quilo, vinho culinário de R$ 79,90, a garrafa, e latas de palmito a R$ 46,90, cada. A oposição também acusou o governador de fingir austeridade nas redes sociais e de não mais doar seu salário, reajustado em 298%, em maio deste ano.

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De acordo com o deputado Professor Cleiton (PV), esses valores representam “um gasto de quase R$ 6 mil por semana com sacolão”. “Não temos um governador de austeridade, um governador que de fato cumpre sua agenda de campanha, mas um que comete estelionato eleitoral, que aumenta seu salário em 300% e gasta, só de sacolão seis mil por semana”, disse o deputado. O parlamentar afirmou que Zema age de uma maneira nas redes sociais, mas que a realidade é outra. O governador aparece sempre na internet levando uma vida sem nenhum tipo de luxo.


“Esses contratos são antagônicos a postura do governador nas redes sociais de homem simples que abre mão de regalias”, disse o deputado se referindo aos quatro contratos de um ano firmados com Sacolão Center Setelagoano para fornecimento de gêneros alimentícios de luxo estimados em R$ 307,6 mil por ano. Os contratos foram assinados em abril deste ano e têm validade por um ano. Além dos produtos citados pelo deputado, os contratos preveem também fornecimento de produtos como chicletes, barra de cereal, azeite extra-virgem, óleo de coco para cozimento, biscoito tipo Bis, licores, sal do Himalia, vinagre de framboesa, castanhas e pão de forma sem casca.


Procurado pela reportagem, o governo de Minas não informou se Zema permanece, como fez no primeiro mandato, doando seu salário. Em relação aos gastos questionados pela oposição, afirmou, por meio de uma nota, que “os produtos alimentícios contratados pelo órgão são adquiridos para abastecimento do estoque, para atendimento de toda demanda alimentar existente dentro da rotina do Prédio Tiradentes e para possíveis eventos”.


“A cozinha do Prédio Tiradentes utiliza os produtos na produção de todas as refeições que atendem a necessidade de alimentação de rotina diária do local, incluindo da equipe dos militares que compõem a segurança e guarda das instalações físicas. Cabe informar que os contratos de fornecimento de alimentos têm entrega parcelada, mediante demanda, ou seja, apesar de conter todos os itens que geralmente são adquiridos, os pagamentos são feitos conforme cada entrega efetivamente realizada”, afirma.


Os contratos com o detalhamento dos itens a serem fornecidos para o Palácio Tiradentes não estão mais acessíveis no Portal da Transparência, mas a reportagem teve acesso ao detalhamento dos itens que incluem também especiarias, embutidos, sucos e refrigerantes, totalizando 306 produtos.


Sobre os contratos, o governo disse que “o Portal da Transparência MG possibilita várias consultas, porém, referente ao detalhamento dos itens adquiridos, no que tange aos materiais de consumo, categoria esta que se enquadram os gêneros alimentícios, apenas é possível esta consulta através do Portal de Compras MG, em acesso restrito aos usuários do portal”.


O governo informou ainda que o governador de Minas Gerais vive atualmente em casa alugada com recursos próprios em Belo Horizonte.