Multidões em filas por um aperto de mão, um autógrafo, uma palavra: assim é hoje a relação do público com Conceição Evaristo. Prestes a completar 80 anos, a escritora mineira ganha uma celebração à altura: um box com oito de seus livros, fruto da primeira parceria entre as editoras Malê e Pallas. A coleção chega em setembro, na Bienal do Livro de São Paulo, por R$ 375.

Reunidas desde 2014 na tarefa de levar a obra de Conceição ao mundo, as duas casas cariocas assinam agora, pela primeira vez juntas, um projeto que tem assinatura gráfica da designer Letícia Quintilhano.

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Para Cristina Fernandes Warth, da Pallas, o momento carrega um peso especia. “Celebrar as oito décadas de Conceição Evaristo ao lado da Malê, que há 10 anos vem fortalecendo a literatura afro-brasileira, é também reconhecer a grandeza de uma escritora que ajudou a transformar a literatura brasileira e que continua formando leitores e abrindo caminhos para quem vem depois”, disse.

Já Vagner Amaro, da Malê, enxerga na parceria um reflexo da própria trajetória política de Conceição. “É possível enxergar os posicionamentos políticos da Conceição nesse trabalho de parceria entre Malê e Pallas, pois a fé no coletivo sempre guiou Conceição: sua articulação com outras escritoras negras, a participação em coletivos literários, a presença em escolas, em associações dos movimentos negros, a certeza de que ‘uma sobe e puxa a outra’ e de que ‘nossos passos vêm de longe’”, apontou.

A trajetória reunida no box atravessa décadas e gêneros. Tudo começou nos anos 1990, quando os primeiros contos e poemas da autora ganharam as páginas dos “Cadernos Negros”. Os romances vieram na década seguinte: Ponciá Vicêncio, publicado em 2003 pela Mazza, e Becos da memória, de 2006, pela Editora Mulheres. Ambos fora reeditados pela Pallas e estão presentes na coleção.

Os 8 livros que compõem o box

  • "Olhos d'Água" (Pallas, 2014) — Vencedora do Prêmio Jabuti, a coletânea de quinze contos radiografa o cotidiano de mulheres negras, crianças, trabalhadores e moradores de periferias urbanas. É considerado um dos livros mais emblemáticos da autora.

  • "Histórias de leves enganos e parecenças" (Malê, 2016) — Contos em que realidade e fantasia se confundem para investigar ancestralidade, memória, afetos e os mistérios da experiência humana.

  • "Insubmissas lágrimas de mulheres" (Malê, 2016) — Treze histórias de mulheres que enfrentam diferentes formas de violência e desigualdade, transformando a dor em força narrativa.

  • "Ponciá Vicêncio" (Pallas, 2017) — O romance de estreia de Conceição acompanha uma mulher negra que carrega as marcas da escravidão em sua busca por identidade e pertencimento.

  • "Becos da memória" (Pallas, 2017) — Nascido das lembranças da autora sobre a favela onde cresceu, o romance guarda a memória coletiva de uma comunidade sob ameaça de remoção.

  • "Poemas da recordação e outros movimentos" (Malê, 2017) — Versos que transitam entre ancestralidade, identidade, amor, maternidade, luto e resistência.

  • "Canção para ninar menino grande" (Pallas, 2022) — Através de Fio Jasmim e suas relações, o romance explora masculinidades, desejo e racismo.

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  • "Quando eu morder a palavra" (Malê, 2023) — Assinado por Vagner Amaro e Henrique Marques Samyn, reúne entrevistas com Conceição e propõe um guia de leitura por sua obra.

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