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Cirurgião Andy Petroianu estreia no romance com a saga de 200 anos da própria família judaica

Em "Emigrados", o professor da UFMG reconstrói a trajetória de seus antepassados da Ucrânia ao Brasil. "Não me percebi como escritor, mas como o primeiro leitor", diz o autor

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Em mais de meio século como cirurgião e professor da Faculdade de Medicina da UFMG, Andy Petroianu publicou quase 600 artigos científicos e 27 livros sobre cirurgia, anatomia, ética e didática. Ficção, nunca tinha escrito. Até que, como ele mesmo conta, surgiu "inexplicavelmente" a vontade de escrever um romance histórico. "Ainda sem compreender-me, sentei à frente do computador e comecei a redigir sem saber exatamente o que iria escrever. Surpreendi-me com a história que estava sendo contada sobre a minha família, iniciada na Ucrânia exatos 200 anos atrás."

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O resultado é "Emigrados – memórias de uma família" (Editora Del Rey, 484 páginas), lançado no ano em que o médico completa 50 anos de carreira. Segundo a assessoria do autor, o livro foi escrito em cerca de três meses. Já traduzido para o hebraico e o inglês, ele foi publicado também em Israel e nos Estados Unidos, com distribuição pela Amazon.

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A narrativa parte das raízes ucranianas da família no início do século 19. Dali, acompanha as ramificações que se espalharam pela Romênia, onde o próprio autor nasceu, e também pelo Egito, Austrália, Áustria, Itália, Alemanha, França, Israel, Portugal e Brasil. Os personagens são reais e aparecem com seus nomes verdadeiros. Na sinopse, Petroianu resume o fio que une essas gerações: "O destino não permitiu aos membros desta família terminarem suas vidas nos mesmos lugares onde nasceram."

Da Rússia czarista ao Brasil de Vargas

Além da crônica familiar, o livro percorre dois séculos de história. Petroianu descreve a rotina de comunidades judaicas que viviam "obrigatoriamente em uma tradição e isoladas do restante da população". Também trata dos colonialismos russo, turco, alemão e francês e da criação do Estado de Israel, com os conflitos que se seguiram com os países árabes vizinhos.

O capítulo brasileiro, diz o autor, traz "uma visão peculiar do Brasil desde a era Vargas passando pelo regime militar até os dias atuais, com explicações sobre fatos menos estudados". Para ele, a obra permite "compreender a alma das pessoas obrigadas a emigrar para sobreviverem".

"A arte se utiliza do artista"

Acostumado a escrever com base em evidência científica, Petroianu diz ter vivido algo diferente com o romance. "O livro foi se escrevendo como se cada um dos personagens que eram incluídos contasse a sua própria história de vida. Não me percebi como escritor, mas como o primeiro leitor de uma obra que estava sendo construída à minha frente."

A experiência mudou sua compreensão sobre a criação artística. "Diferentemente de tudo que havia escrito racionalmente em ciência e didática, esse livro era arte. Por mais estranho que pareça, compreendi que não é o artista quem cria a obra, mas é a arte que se utiliza do artista como seu instrumento para evidenciar-se." O cientista admite que não tem explicação para isso: "A ciência evoluiu enormemente em todos os domínios do conhecimento humano, porém não conseguiu ter a menor ideia de onde surge a arte."

Meio século de cirurgia

Formado pela UFMG em 1976, Petroianu é professor da instituição desde 1978 e titular desde 1992. Também chefia o Serviço de Cirurgia Geral da Santa Casa de Belo Horizonte. Foi fellow no Memorial Sloan Kettering Cancer Center, em Nova York, e é membro da Academia Nacional de Medicina e da Academia Mineira de Medicina. Recebeu 116 prêmios e distinções, entre eles o de melhor pesquisador pela Academia Nacional de Medicina. É ainda autor do capítulo sobre o baço do "Gray's Anatomy", referência mundial em anatomia editada em Londres, e o único brasileiro entre os autores da obra. Em 2004, recebeu o título de cidadão honorário de Belo Horizonte.

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"Emigrados – memórias de uma família"

De Andy Petroianu
Editora Del Rey, 484 páginas
De R$ 95 a R$ 149, nas versões física e digital
À venda na Amazon, no site da Del Rey e nas livrarias Travessa, Leitura, Martins Fontes e Scriptum, além da Cooperativa Médica da UFMG

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