Primeira leitura: ‘Todo nome é escasso', de Daniel Francoy
Vencedor do Jabuti, poeta de Ribeirão Preto homenageia nomes como Carlos Drummond de Andrade e Hilda Hilst em novo livro
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varda
Centenária, o que vejo
não me basta.
Onde está o espelho
que deixei diante do mar?
*
van gogh
Imenso, o descampado
e o que aprendi me fere.
Antes dos girassóis, os girassóis
como o amor antes do amor
e a estranheza antes da estranheza.
*
drummond
Regresso de um baile de máscaras.
Noite calada. Brejo morto.
Sob a poeira de lua desfeita
há um anjo que não me enxerga.
*
hilst
Conheço a aridez do cio,
a brutalidade do meu corpo
e os duros olhos dos senhores.
Sob o sol, há muito
perdi a santidade dos animais.
*
mendes
Caem os pregos que abriam a carne.
A tarde, mais uma vez,
torna-se limite.
É mais fácil perdoar a morte
do que a beleza.
*
brecht
As nossas mães,
as nossas crianças
nunca se conheceram.
Os nossos cadáveres
dormem distantes.
Os nossos trabalhos,
os nossos medos
são segredos
e isso basta.
Conhecemos o mesmo mundo.
SOBRE O AUTOR
Nascido em Ribeirão Preto em 1979, Daniel Francoy é poeta e prosador. Publicou os livros “Identidade” (prêmio Jabuti na categoria poesia, 2017), “A Invenção dos Subúrbios” (semifinalista no prêmio Jabuti na categoria crônica, 2019), “O Ganges Represado”, “O Velho Que Não Sente Frio e Outras Histórias”, “O Livro do Martim”, “Nos domínios do Cerrado” (semifinalista no prêmio Jabuti na categoria conto, 2025). Também tem publicações em Portugal, Uruguai e Argentina.
“Todo nome é escasso”
• Daniel Francoy
• Edições Jabuticaba
• 40 páginas
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