NOVO IMORTAL

"Sonhava com praças e pratos cheios": o discurso de posse de Márcio Borges na AML

Autor de letras inesquecíveis do Clube da Esquina passou a ocupar, desde o último sábado (11/7), a cadeira de número 29 da Academia Mineira de Letras. Leia a íntegra de seu discurso

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O compositor Márcio Borges, autor das letras de alguns dos maiores sucessos da carreira do irmão, Lô Borges, de Milton Nascimento e outros cantores brasileiros, tomou posse no último sábado (11/7) na Academia Mineira de Letras. 

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Na saudação ao novo imortal da AML, o escritor Angelo Oswaldo, prefeito de Ouro Preto, observou: “O verso de Márcio Borges traduz, como verbo fundamental, a essência daquela música que advém dos anos 60, originária de uma Belo Horizonte atonal que nela iria encontrar, enfim, uma identidade sonora. É ele o criador de letras – paroles ou lyrics, assim ditas significativamente em francês e inglês – que, na verdade, são belos poemas.”

Ainda no discurso de saudação, Angelo Oswaldo frisou: “A densidade do texto de Márcio Borges é reveladora de suas fontes. As leituras drummondianas sem dúvida o levaram a extrair do sentimento do mundo as angústias de que se alimenta o verso, assim como os embates da vida moderna o fizeram perceber o reverso do cotidiano, o inverso da grade social e o perverso de uma condição a ser ultrapassada na busca pela vida plena.”    

Leia, a seguir, a íntegra do discurso de Márcio Borges ao ocupar a cadeira de número 29 da Academia Mineira de Letras.

“Sei que supostamente eu deveria falar sobre os feitos e obras dos prévios ocupantes da Cadeira nº 29, tantas figuras de proa na cultura, nas letras, no direito, no jornalismo e na política nacionais, nomes históricos e até lendários, figuras verdadeiramente imponentes e para mim, até ontem, inatingíveis. 

Mas, que dizer, se antes de mim sentaram-se nesta cadeira nº 29 ilustres homens públicos, com extensa folha de serviços prestados à Nação e exaltadas virtudes, senadores, poetas, escritores consagrados, famosos professores, verdadeiros pilares da República Brasileira? 

Que fazer se daqui por diante eu terei em torno de mim 39 figuras impolutas que me observam e examinam? Como me igualar, se minhas confreiras e meus confrades são o que de melhor vicejou em chão mineiro? Tenho muito é que correr atrás, como se diz vulgarmente. 

Tenho que rever meus passos e lembrar onde, quando e como colhi algum merecimento, se é que, de todo, cheguei a colher algum. Então, à procura deste valor que algum dia eu possa ter acumulado, vou começar buscando, sinceramente, dentro de mim mesmo. 

Há 60 anos, no auge dos meus 20, eu pensava que pudesse mudar tudo que via de errado no mundo, instaurando uma mítica "revolução". Entendia por essa palavra sedutora, a instituição da utopia, do mundo perfeito de paz e prosperidade, habitado por pessoas fraternais, bem alimentadas, sadias e felizes, em perene era de plena fartura para todos e todas, igualmente merecedores do trabalho produtivo e do ócio criativo, das virtudes da Amizade, da Paz, da Arte a vigorarem em tudo: nas ruas, teatros, bibliotecas, fábricas, escolas, cinemas, palcos. Sonhava com praças e pratos cheios. Eu era jovem e estava disposto a colocar minha vida a serviço dessa causa. 

Nesse tempo, escrevi uns versos que depois se tornaram muito populares pelo Brasil afora: "Porque se chamavam homens / também se chamavam sonhos / e sonhos não envelhecem”. 

Acrescento décadas depois: que sonhos, de fato, se propagam e se perpetuam, mas os sonhadores, esses fenecem, se esquecem e eventualmente desistem e falecem. Tenho muita sorte em ver minhas palavras e sonhos sobrevivendo ao tempo, guardados na memória, no coração e na voz dos meus semelhantes. Passei minha vida inteira fazendo isso: colocando palavras e sonhos no cantar e na voz dos outros. 

Hoje, aqueles doces pássaros da juventude voaram para muito longe, de onde, no entanto, continuam gorjeando sua leve melodia, através das gerações. Palavras e sonhos que já não me pertencem mais. Tornaram-se propriedade afetiva, e coletiva, de outras vozes, outras épocas, outros povos. Incorporaram-se ao acervo sentimental dos afetos populares. Quanto a mim, tudo bem, fico alegre e satisfeito com isso, porque não criei aqueles cantos e aqueles versos por capricho. Criei por precisão, por necessidade inadiável. 

Primeiro para experimentar algum tipo de poder. Antes de tudo, o poder de vencer o medo. De vencer a pobreza. De vencer a força bruta, os dragões da maldade e da tristeza, com o poder das flores que entopem canhões. Criei para me opor a qualquer forma de totalitarismo, qualquer imposição da vontade do mais forte sobre o mais fraco, pois isso sempre me deixou injuriado e sempre me afastou de muita gente. Eu sempre pertenci a esse lado mais fraco. 

Minha introspecção era meu escudo contra tudo e todos, e minha intuição me orientava, como uma bússola imprecisa. E me premiava com achados e descobertas. Eu tinha dezesseis anos e guardava debaixo da cama uma mala velha, cheia de folhas de caderno escritas a mão, versos, contos, fragmentos de ideias, sinopses, roteiros. Certo dia, flagrei meu pai fuxicando essa mala e me senti muito mal com a cena, como se ele estivesse ali lendo minha mente e meus segredos mais íntimos. 

Papai era um jornalista conceituado; era quem corrigia nossos deveres escolares de português, análise sintática e redação. Quando me viu, perguntou:

 – Você que escreveu essas coisas? Eu, bastante envergonhado, e esperando alguma severa correção:

 – Sim, senhor, fui eu. 

– Pois vou te dizer só uma coisa: você está começando por onde eu ainda não cheguei e nem sei se vou chegar um dia. 

Abracei meu pai e chorei dentro do seu abraço. E prometi a mim mesmo naquela hora: nunca mais paro de fazer isso que faço. E até hoje não parei. 

Peço paciência aos ouvintes, porque pretendo levar até o fim minha versão, ou narrativa, como se diz hoje, da lenda das canções eternas, dos sons imaginários, dos hinos de paz e amor que pretensamente eu e meus camaradas criamos ao longo do tempo, harmonias e versos que ressoam em muitos ouvidos até hoje. Pressinto que foi este o motivo principal da minha eleição para a Academia Mineira de Letras; então, vou esmiuçar isso. Um letrista na academia de letras. Local apropriado para confessar meu amor e meu temor pela PALAVRA, escrita, falada ou cantada. 

Para mim desde sempre a palavra encantada, mistério que me arrebatou pela vida afora, com seus segredos e revelações. Eu era ainda menino e já ficava matutando: que mágica era aquela, a fala, a tal da palavra. Por que a gente faz vários sons com a boca e um outro ouve, decifra, entende e responde com outro tanto de sons? De onde vinha isso? Por quê um animal grasna, rosna, late, ruge e um outro fala, canta, conversa e faz discurso? Deitado na cama, eu menino ficava repetindo uma palavra banal até ela perder o sentido, e me maravilhava ao reencontrar a trilha do seu nexo, quando a música de suas sílabas, de repente, recuperava o significado. De onde viria aquilo?

 Sei que estudiosos e linguistas pelo mundo afora afirmam que nenhum idioma pode nos dar ideia, nem de perto, nem de longe, do que possa ter sido a mágica que me intrigava, a origem da linguagem, a lingua mater da humanidade. Pergunta sem resposta. Porque, segundo eles, e acho que concordo, o fenômeno da fala é anterior ao que chamamos de cultura e se perde na noite dos tempos. Os atributos emocionais e subjetivos da linguagem humana chegam imediatamente na expressão da fala, da pré-história até hoje. 

O grito, o chamamento, o aviso de perigo, a evocação de espíritos, isso tudo constitui linguagem, criada ali no momento que exigiu sua criação. Quando a situação se repete, aquele som que todos entenderam é repetido até ser incorporado a um repertório vigente. Então, tornou-se palavra, mas, nesse ponto já se distanciou completamente daquela origem espontânea. Quer dizer, com o passar do tempo, a palavra perdeu a memória da sua origem, mas, pode agora se dar ao luxo de prescindir da voz, da sonoridade que primeiro a criou. Ela pode ser escrita, e assim chegar ao silêncio e à perenidade das imagens impressas no barro, nos papiros, nos livros ou na tela de um celular. Se esse percurso da palavra humana não parece pura magia divina, não sei mais o que parece. 

Meus amigos e amigas, isso são considerações de um amador, de um diletante curioso e reflexivo – não sou um estudioso da matéria. E como então a palavra vira um poema, vira uma narrativa épica? Isso é matéria para muitos e muitos livros, estudo para uma vida inteira. Vou voltar para minha pequena seara. Lembro que foi logo depois do episódio da mala devassada, que eu compus minha primeira letra de música. Hoje, tenho mais de 300 canções gravadas, por pessoas e vozes maravilhosas e ainda estou aqui até hoje, tentando descobrir alguma coisa nova, nesse emaranhado de palavras, versos e sons. Meu saudoso amigo Gonzaguinha nos lembrava: “a beleza de ser um eterno aprendiz!”

Muitas de minhas letras foram radicalmente panfletárias e experimentais, excessivamente fora do esquadro, às vezes até grosseiras e toscas, porque eu mesmo sempre me senti assim. Desde criança, meu coração sempre bateu mais forte pelos malditos deserdados desse chão, pelos pobres e maltrapilhos, pelas pretas empregadas domésticas e seus filhos que eram meus companheiros de grupo escolar. Meus versos, portanto, vindos dessas fontes cruas, jamais poderiam ser bonitinhos, elegantes e bem construídos. Eu não sou um filho típico da classe média, e meu acesso ao chamado "bom-gosto" foi uma viagem penosa e radical, passou por sofrimento, intimidação e preconceito. Aquele pedaço de Belo Horizonte, que ajudei a tornar famoso, a tal esquina das ruas Paraisópolis e Divinópolis, aquilo ficava no fim da cidade quando eu era menino, mas foi ali que comecei a colecionar amigos de infância, de confiança e fé; foi ali que comecei a praticar a solidariedade cúmplice e a igualdade auto-imposta, repartir a merenda, os gibis, as figurinhas, os medos, as revoltas e os folguedos. 

Foi com aqueles meninos e meninas que povoaram minha infância de tanta lembrança boa que aprendi o significado da palavra AMIZADE. 

Hoje, vivo quieto na roça, num sítio em Bocaina de Minas, a compor, meditar, escrever, fotografar lua, estrela e passarinho, e conviver com minha esposa e minha descendência, filhos, netos e afilhados. Continuo otimista e sonhador. Acho que algum dia, depois dessas pesadas purgações que o planeta atravessa, talvez o dia dos filhos dos meus netos, quem sabe não brote e vigore uma Nova Humanidade, bem diferente dessa que está passando tão mal na nossa frente, uma que seja mais parecida com a utopia do mundo perfeito de paz, prosperidade e abundância dos meus longínquos sonhos juvenis. 

O fato é que consegui chegar incólume até aqui, ao refúgio aconchegante e fraterno desta querida Academia Mineira de Letras. Posso me considerar um afortunado sobrevivente a tantos impactos e percalços, resgatado de tantas emboscadas da vida, perdas e dores de uma existência plena. Hoje, com espanto, admiração, e também com muita honra, vejo o moleque da esquina, o "cavaleiro marginal banhado em ribeirão", tornar-se oficialmente alguém de respeito, até diplomado como tal, e perfilar-se, não sei por qual magia do destino, ao lado de nomes cuja estatura e nobreza sequer poderia sonhar em atingir algum dia. 

A começar pela figura magnífica que o destino impôs que eu sucedesse nesta nobilíssima cadeira nº 29, o ilustre desembargador, magistrado, ex professor da UFMG, escritor José Fernandes Filho, professor com mais de 40 anos de vida dedicada ao Direito e à Educação, autor de inúmeras obras e textos jurídicos e também de uma inspirada literatura autobiográfica, coletâneas de relatos e crônicas inspiradoras. Nascido em Bambuí, no dia 31 de outubro de 1929, José Fernandes Filho formou-se em Direito pela Faculdade Mineira de Direito da Universidade Católica de Minas Gerais, em 1957. Pós-graduado em Direito Público e especialista em Direito Administrativo, Tributário e Constitucional, o professor José Fernandes Filho foi secretário, assistente e delegado do Tribunal de Contas da União, Secretário de Estado de Educação, juiz suplente da Junta de Conciliação e Julgamento de São João del-Rei e juiz efetivo do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais. Vejam o tamanho de minha responsabilidade, um simples compositor popular até ontem – até ontem – hoje colocado nesta magnífica cadeira nº 29. 

Quis o destino que o Professor José Fernandes Filho fizesse a passagem no dia 10 de outubro de 2025, aos 96 anos de idade. É uma enorme honra poder sucedê-lo aqui nesta instituição, onde humildemente cheguei para ocupar sua cadeira, cujo Patrono é a proeminente figura de nossa história, o pensador Aureliano Pimentel, que viveu de 1830 a 1903. Pimentel foi um grande intelectual e humanista do século 19, que fez parte do corpo docente e administrativo do Imperial Colégio Pedro II, durante o Segundo Império. Lecionou disciplinas humanísticas como Latim, Filosofia e Português, passou pelas principais instituições de ensino da Província de Minas Gerais, e foi fundamental para aperfeiçoar e profissionalizar toda a cadeia do ensino fundamental, fazendo a mediação entre a intelectualidade docente, a sociedade civil e o Estado. Um precursor e visionário. Sua extensa biografia é patrimônio da História, das Letras e da Política não só de nosso Estado, mas de todo o Brasil. Cabe também citar os nomes dos luminares das letras, do Direito, das ciências e da política que se sentaram antes de mim nesta cadeira que agora ocupo. Peço que os senhores e senhoras, por favor não ousem comparar, mas apenas assimilem – para usar uma palavra do momento – a assimetria provocada por minha minúscula sombra, projetada na gigantesca imagem de cada um dos seus prévios ocupantes, que só tornam tal assimetria cada vez mais contrastante e desproporcional. 

Vejam só: sentaram-se na cadeira nº 29 Lindolpho Gomes, Milton Campos, Gustavo Capanema, Pedro Aleixo, Murilo Badaró, Afonso Arinos Filho e o Professor José Fernandes Filho. Nomes que falam e testificam, à sua simples menção, as etapas mais nobres de nossa História. A respeito dessas enormes figuras, posso apenas repetir uma frase que o próprio Professor José Fernandes Filho proferiu em seu discurso de posse, porquanto ela ainda segue perfeitamente válida, inclusive com relação a seu próprio autor. Disse o professor: “a tradição sugere natural referência aos meus antecessores, ocupantes da Cadeira nº 29. (...mas) Não lhes ofenderei a memória, repetindo a liturgia de sua dispensável apresentação. Todos os conheceram, mercê dos serviços prestados, aqui e alhures, onde estivessem”. Eu, Márcio Hilton Fragoso Borges, humildemente assino embaixo. Então, só resta agora agradecer de forma especial a quatro diletos confrades, que considero meus paraninfos neste dia tão especial, os estimados acadêmicos que formalizaram este lindo acolhimento que estou recebendo agora com tanta honra e alegria. 

Começo pelo excelentíssimo presidente desta instituição, professor, ensaísta, poeta, tradutor e de tantas outras qualificações, Jacyntho José Lins Brandão. Jacyntho Lins Brandão ocupa a cadeira nº 25 da Academia Mineira de Letras, para a qual foi eleito em 17 de maio de 2018 e tomou posse em 11 de dezembro de 2018. Preside a instituição desde maio de 2023 e foi reeleito em 2025. Jacyntho nasceu em Rio Espera, MG, no dia 30 de dezembro de 1952, mesmo ano em que nasceu meu finado irmão Lô Borges. Jacyntho também teve uma porção de irmãos – sete. Eu tive onze. Jacyntho cursou o ginasial no Colégio Loyola, como fez meu outro paraninfo Ângelo Oswaldo, a quem ainda vou também agradecer. Jacyntho fez o clássico no Colégio Estadual. Eu também, alguns anos antes dele. Em 1972, Jacyntho ingressou no curso de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais. Eu também fiz Letras lá, um pouco antes. Que mais? Jacyntho é Brandão, mesmo sobrenome de minha esposa Cláudia. Definitivamente, um bom presságio para mim, esse tanto de superposições biográficas que certamente vão além da coincidência. Pois se forem apenas coincidências, elas param por aí. Porque daí pra frente, é goleada do Jacyntho. O restante da gigantesca biografia desse homem se distancia totalmente das minhas parcas qualidades como poeta e autodidata. Jacyntho é graduado em Português e Francês, é doutor em Letras Clássicas, é professor de literatura grega, diretor de faculdade, vice-reitor e professor emérito. Graduado e premiado. Sua biografia é extensa demais e eu ficaria aqui o resto da manhã falando de seus atributos e realizações. Dos artigos que publicou em periódicos nacionais e estrangeiros. Dos romances e poemas que escreveu. Das peças de teatro e traduções. A produção intelectual de Jacyntho José Lins Brandão é gigantesca. 

Ao lado dele, ergue-se a outra figura igualmente gigantesca, Ângelo Oswaldo de Araújo Santos, escritor, jornalista, curador, gestor público, político, militante cívico, e prefeito de Ouro Preto. Ângelo, esta pessoa maravilhosa, de quem tenho grande orgulho de ser amigo há mais de 60 anos, e que me deu a inexcedível satisfação de receber-me oficialmente, com seu discurso de mestre da oratória, que ele sempre foi desde menino. Conheço Ângelo Oswaldo desde os tempos em que ele era um promissor estudante secundarista do Colégio Loyola – promissor e militante – e eu, um morador novato do Edifício Levy, que ele frequentava, por ser amigo e colega de sala do Leonardo Padrão, morador do quarto andar, que também era meu grande amigo. Além disso, Ângelo Oswaldo foi companheiro de jornalismo do meu pai Salomão Borges, na sala de redação do Estado de Minas, e isso só fez aumentar nossa amizade e conexão. Ângelo também admirava meu pai, que foi um homem realmente admirável e declaradamente fã do meu amigo Ângelo Oswaldo Hoje estamos aqui, juntos mais uma vez, irmanados nesta festa. Obrigado meu querido Ângelo Oswaldo. Espero merecer um dia tanto amor fraterno e tanta generosidade. Não há palavras suficientes para expressar minha gratidão por você e a emoção quase incontida que senti ao ouvir o que você disse a meu respeito. Minha gratidão, e meu coração para sempre. 

Finalmente, quero agradecer com o mesmo intenso calor a outros dois grandes confrades. Um é o acadêmico Amilcar Viana Martins, meu grande amigo desde nossa adolescência, quando a gente, frequentava o Maleta, ele com a turma de teatro, eu cinéfilo do CEC. A gente era colega no Estadual, no movimento estudantil, e se via toda hora. Mais tarde, eu trabalhei com Amilcar na sua campanha para prefeito de BH, convivemos muito e acabei ficando muito amigo de seu irmão Roberto. Nossa campanha bateu na trave, como o Amilcar mesmo diz. Mas perdemos para um grande homem, que foi o Prefeito Célio de Castro. Grande Amilquinha, toda minha amizade e meu carinho para você. Não posso terminar sem manifestar publicamente meu agradecimento ao grande acadêmico Rogério Faria Tavares, presidente emérito desta casa, doutor em literatura, professor, advogado, jornalista e escritor consagrado. Foi você que me recebeu aqui na minha primeira visita e orientou meus passos para prosseguir em minha pretensão, manifesta naquela tarde em que o historiador Bruno Viveiros nos apresentou, pretensão que hoje se realiza. Eu já conhecia sua fama de erudição, desde seus tempos de repórter e apresentador de tevê, na PUC TV, na Rede TV e na Rede Minas. Depois de minha eleição, nos aproximamos naturalmente e hoje posso considerá-lo um amigo querido. 

Rogério, agora confrade, receba de novo minha enorme gratidão por tudo o que fez e tem feito por mim. Assim, cá estou eu, em meio a tantos brilhantes artistas e intelectuais, tantos expoentes da nossa cultura e nossa vida pública, tantos amigos e parentes queridos, tentando assimilar isso tudo. Emocionado, orgulhoso e muito grato a cada uma das pessoas, presentes ou ausentes, irmãos, irmãs, parentes, amigos e parceiros que, de alguma forma, me ajudaram e me inspiraram nessa travessia. 

Quero agradecer a cada um dos membros da Academia Mineira de Letras, que tão generosa e simpaticamente estão me acolhendo como seu par, em grupo tão ímpar de talentos e virtudes. Em especial, desejo expressar publicamente meu amor e minha gratidão por minha esposa Cláudia Maria de Miranda Brandão, minha zelosa companheira há 41 anos, chave da minha felicidade. Sem ela, só Deus sabe se eu ainda estaria andando por aí. Quero expressar meu amor e minha gratidão por meus filhos José Roberto, Gabriel, Isabel e Helena. Meu amor e minha gratidão por meus netos e netas. Meu amor e minha gratidão por minhas irmãs e meus irmãos filhos de Salomão e Maricota que graças a Deus ainda estão aqui. Um beijo especial e meu amor eterno ao nosso décimo-segundo irmão, Milton Silva Campos do Nascimento, o nosso amado e idolatrado Bituca. 

Com amor e gratidão, declaro e declamo a saudade infinita dos meus três irmãos que se foram deste plano terrestre, os insubstituíveis e nunca suficientemente pranteados Sônia, Sheila e Salomão, este último então, aquele que foi e continuará sendo meu eterno parceiro Lô Borges, enquanto eu e ele formos imortais, neste mundo feito de coisas e seres impermanentes. Dedico este momento único de minha vida a meus saudosos pais, Salomão Magalhães Borges e Maria Fragoso Borges. 

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Como orgulhosa criança que hoje me sinto, peço pela milionésima vez: Bença Pai e Bença Mãe, vejam a alegria do seu filho. A cada um dos senhores e das senhoras aqui presentes, que tão polidamente me escutaram até o final, reservo minha imensa gratidão pela paciência de viajarem comigo nessas memórias dispersas em imagens caleidoscópicas, neste texto piroclástico, que pouco teve de formal ou erudito, longe dos inspirados e históricos discursos proferidos pelos que vieram antes de mim, mas que talvez, pela sinceridade e pela verdade nele contidos, não seja de todo indigno dos homens e mulheres monumentais que me precederam. Com meu mais profundo respeito, tenham um ótimo dia e muitíssimo obrigado.”

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