Livro desvenda o pensamento simbólico de Drummond em 'A rosa do povo'
Novo ensaio revisita a obra-prima de 1945; análise usa psicologia e filosofia para revelar o imaginário do poeta em tempos de crise mundial
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O ensaísta pernambucano Eduardo Bezerra Cavalcanti lança no sábado (9/5), na Livraria Scriptum, em Belo Horizonte, o livro “O pensamento simbólico em Drummond”. A obra, publicada pela Editora Cubzac, reinterpreta “A rosa do povo”, um dos livros cruciais na poesia de Carlos Drummond de Andrade, lançado em 1945.
No estudo, Cavalcanti combina diferentes abordagens teóricas. Ele reconstitui núcleos simbólicos da obra e analisa situações de impasse e conflito do indivíduo diante da conjuntura histórica de seu tempo, marcada pela Segunda Guerra Mundial.
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Com uma visão multidisciplinar, que utiliza fontes da psicologia e da filosofia, a análise revela o alcance subjetivo e existencial dos poemas de Drummond em seu momento de maior engajamento social.
Símbolos e teorias na análise
A análise de “A rosa do povo” observa cinco principais conjuntos de imagens: áporo, labirinto, círculo, cristal e cidade. Esses encadeamentos simbólicos culminam no enfoque sobre o personagem Carlito, um duplo chapliniano de Drummond que concentra a leitura de Cavalcanti.
O estudo destaca que esses símbolos expressam o “processo de individuação” do poeta, um conceito da teoria psicanalítica de Carl G. Jung, e respondem à fragmentação presente na obra. O pensamento junguiano é contrastado com o método de Gaston Bachelard e sua fenomenologia da imaginação poética.
A obra também retoma a abordagem existenciária de Martin Heidegger, usada pioneiramente por Affonso Romano de Sant'Anna em sua tese sobre Drummond na década de 1960. O texto convida à reflexão sobre a linguagem, o mistério e a estrutura imagética da poesia drummondiana como forma de elaborar o sofrimento e a memória.
Sobre o autor e o lançamento
Eduardo Bezerra Cavalcanti é licenciado em Letras pela PUC-Rio. Atuou como pesquisador no Instituto Nacional do Livro e na Fundação Joaquim Nabuco-Recife. É autor de “Hélio Feijó: leitura de imagens” e de artigos sobre arte brasileira.
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O lançamento ocorre no sábado, dia 9 de maio, às 11h30, na Livraria Scriptum (Rua Fernandes Tourinho, 99, Savassi, Belo Horizonte).