Como o cultivo de feijão transformou uma família referência no agro mineiro
Conheça a trajetória Ladislau, produtor que transformou tradição familiar, inovação e cooperativismo em um modelo de crescimento no campo
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A história de Ladislau Jerônimo de Melo é resultado de décadas dedicadas ao campo. Presidente da Associação dos Produtores de Hortifrutigranjeiros de Minas Gerais, fundador da Melo Agronegócios e associado do Sicredi em Lagoa Dourada, ele começou ainda na infância, vendendo hortaliças ao lado da família. Com o passar dos anos, acompanhou as transformações da agricultura, investiu em tecnologia e ajudou a consolidar uma produção marcada pelo trabalho, inovação e cooperativismo.
Sua experiência reflete a importância do feijão para o agronegócio no Brasil. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em maio deste ano, a estimativa era de que a produção nacional do grão alcançasse 2,8 milhões de toneladas, sendo Minas Gerais líder desse cenário, com previsão de colher 531,6 mil, o equivalente a 18,7% de toda a produção do país. Por trás desses números estão produtores que unem tradição, conhecimento técnico e inovação para fortalecer uma das principais práticas da agricultura nacional.
Das primeiras lavouras ao crescimento da produção familiar
A relação de Ladislau com o campo começou cedo. Aos 10 anos, ele já ajudava a família na venda de hortaliças. Algum tempo depois, iniciou o cultivo de feijão e milho no Brejo da Mutuca, em uma área compartilhada, onde dois terços do terreno eram utilizados por ele e o restante pertencia a outro proprietário.
Os primeiros anos foram marcados por desafios, como enchentes e chuvas de granizo, ainda assim, a família seguiu investindo na produção. Ao lado dos pais, Ladislau consolidou o cultivo do feijão como parte da rotina da propriedade e após o casamento com Madalena, adquiriu o terreno onde hoje funciona a Melo Agronegócios e passou a cultivar a nova área com a esposa, mantendo, por um período, as atividades também no Brejo da Mutuca.
"A produção no início era boa. Hoje o cenário é mais desafiador por causa do aumento das pragas e das doenças nas lavouras", recorda. Durante muitos anos, dividiu o trabalho com o irmão José de Souza, mas, atualmente, a parceria é com Antônio Carlos, seu outro irmão, na qual possui uma relação construída sobre confiança, cooperação e trabalho conjunto.
Produzir com planejamento é tão importante quanto cultivar
Para Ladislau, produzir feijão vai além da rentabilidade. A atividade exige conhecimento técnico, organização e manejo adequado da propriedade, com práticas como a rotação de culturas e a diversificação do plantio para preservar a fertilidade do solo e garantir a sustentabilidade da produção.
"O cuidado central está em respeitar a janela certa de plantio, evitando os períodos mais críticos do inverno e das chuvas porque o excesso faz o feijão brotar na vagem e perder qualidade, e muito sol também prejudica a lavoura", explica.
Tecnologia e inovação impulsionam a produtividade no campo
Em Minas Gerais, o calendário de cultivo acompanha o início das chuvas, em outubro ou entre fevereiro e março: "No cultivo de sequeiro, aproveitando a palhada do milho ou da soja, uma boa safra alcança cerca de 30 sacas por hectare. Nas áreas irrigadas por pivô central, a produtividade chega entre 50 e 60 sacas.", reforça o produtor. Na propriedade, são cultivadas variedades de feijão preto, carioca e vermelho, escolhidas de acordo com as condições de mercado e a rentabilidade de cada safra.
À medida que a produção cresceu, a infraestrutura também precisou acompanhar esse desenvolvimento. E seu primeiro investimento foi um galpão para o tratamento dos grãos. Depois vieram um silo com secador e novas ampliações, que permitiram aumentar a capacidade operacional da empresa. Para Ladislau, a maior transformação ao longo dos anos foi a evolução da tecnologia e dos equipamentos agrícolas, responsáveis por elevar a eficiência e a produtividade no campo.
Hoje, à frente da Associação dos Produtores de Hortifrutigranjeiros de Minas Gerais, o agricultor acompanha outra mudança importante na empresa: a modernização do beneficiamento dos grãos. Segundo seu filho, Ladislau Junio, a Melo Agronegócios foi pioneira em Minas Gerais na adoção de um sistema de seleção óptica por cor, tecnologia capaz de identificar impurezas e grãos contaminados durante o processamento. A inovação ampliou a capacidade de atendimento da empresa, que hoje abastece produtores e clientes em Lagoa Dourada e em toda a região do Campo das Vertentes.
O cooperativismo fortalece quem produz e impulsiona o agro mineiro
Ao longo de sua trajetória, Ladislau acompanhou as transformações do agronegócio. A modernização da produção, a adoção e ampliação de infraestruturas que exigiram planejamento, investimentos e acesso a soluções financeiras capazes de acompanhar o ritmo do campo. Nesse cenário, o cooperativismo de crédito tem desempenhado um papel importante ao apoiar produtores rurais em diferentes etapas do desenvolvimento de seus negócios.
Com esse propósito, o Sicredi vai disponibilizar R$ 72,1 bilhões em aproximadamente 340 mil operações aos produtores rurais durante o Plano Safra 2026/2027. O montante representa um crescimento de 4,4% em relação ao ciclo anterior, quando foram liberados R$ 69 bilhões em mais de 320 mil operações. Atualmente, a instituição possui uma carteira de crédito agro de R$ 121 bilhões e se mantém como a instituição financeira privada que mais concede crédito rural no país.
Do volume previsto para o novo ciclo, R$ 27,6 bilhões serão destinados às operações de custeio, R$ 15,4 bilhões a investimentos e R$ 2 bilhões às operações de comercialização e industrialização. A expectativa é, ainda, conceder R$ 18 bilhões em crédito por meio de Cédulas de Produto Rural (CPR), além de R$ 9 bilhões em linhas de crédito em moeda estrangeira, voltadas aos produtores inseridos na cadeia de exportação. A iniciativa amplia as possibilidades de planejamento financeiro e oferece alternativas competitivas para o setor.
"Seguimos ao lado dos pequenos e médios produtores rurais, que representam a base do campo brasileiro. A maior parte dos recursos será destinada para fortalecer quem produz e movimenta a economia local, tanto em Minas Gerais quanto em todo o país. Para a agricultura familiar, serão destinados R$ 13,3 bilhões e, para os produtores de médio porte, R$ 14,6 bilhões. Juntos, esses públicos representam 88% das operações previstas", afirma o presidente da Central Sicredi Sul/Sudeste, Márcio Port.
No Plano Safra 2025/2026, o Sicredi registrou um volume recorde de financiamentos ao setor agropecuário. Foram R$ 69 bilhões liberados em mais de 320 mil operações, incluindo R$ 16,9 bilhões em CPR. Os pequenos e médios produtores responderam por 88% das operações realizadas. Mesmo diante de um cenário econômico desafiador, a instituição manteve sua relevância no crédito rural nacional, alcançando R$ 25,6 bilhões em operações de custeio, R$ 18,7 bilhões em investimentos e R$ 2 bilhões destinados à industrialização e comercialização.
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