Meio ambiente

Itabirito avança na recuperação do solo com uso sustentável de resíduos

Projetos de regeneração de áreas degradadas no município mineiro mostram como inovação, ESG e economia circular vêm mudando o futuro Minas Gerais

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A mineração tem papel fundamental na história econômica, social e urbana de Minas Gerais. Desde o período colonial, a atividade impulsiona o desenvolvimento de cidades, gera empregos, movimenta cadeias produtivas e mantém o estado como protagonista nacional. Nesse sentido, MG concentra algumas das maiores reservas do país e responde por cerca de 40% do faturamento nacional do setor, segundo dados do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM). Em 2023, o Brasil alcançou quase US$ 43 bilhões em exportações, reforçando a relevância dessa atividade para a economia.

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Entretanto, ao mesmo tempo em que contribuiu para o crescimento econômico, a atividade extrativa também deixou impactos significativos ao longo das décadas. Em diversas regiões do estado, a exploração intensiva provocou degradação do solo, formação de voçorocas e acúmulo de rejeitos, evidenciando a necessidade de modelos mais responsáveis de atuação.

Diante desse cenário, o setor extrativista brasileiro começou a incorporar uma nova agenda, impulsionada por práticas de ESG, avanços tecnológicos e pela busca por alternativas mais equilibradas. Com isso, iniciativas voltadas à recuperação da natureza e ao reúso de resíduos passaram a ganhar espaço, transformando antigos passivos em oportunidades de regeneração do território. É nesse contexto que surgem exemplos como o da Ivoti Ambiental, empresa do Grupo Tazay especializada em ações sustentáveis ligadas ao setor, que aposta em iniciativas voltadas não apenas para a exploração de recursos naturais, mas também para a recuperação das áreas impactadas.

Desafios e soluções para degradação do solo

Entre os problemas mais comuns em áreas impactadas pelo uso inadequado da superfície estão as voçorocas, grandes erosões abertas pela ação da água sobre terrenos fragilizados, que avançam progressivamente sobre a terra. O fenômeno pode ser agravado por fatores como chuvas intensas, retirada da vegetação nativa, alterações no relevo, drenagem inadequada e processos erosivos naturais.
Além de comprometerem a paisagem e a estabilidade do solo, as voçorocas provocam perda de biodiversidade, assoreamento de rios e córregos, destruição de nascentes, aumento dos riscos geológicos e perigos para comunidades próximas. Em muitos casos, áreas degradadas tornam-se inutilizáveis para agricultura, preservação do patrimônio natural ou qualquer outro aproveitamento econômico, social e até mesmo de lazer.

Rejeitos da extração ganham nova utilidade

Outro desafio histórico envolve os materiais inertes. Tradicionalmente armazenados em estruturas específicas, eles passaram durante muito tempo a ser vistos apenas como resíduos sem função comercial. Hoje, no entanto, esse entendimento vem mudando à medida que novas tecnologias permitem identificar usos mais responsáveis e seguros para esses materiais.

Os resíduos da atividade extrativa são agora estudados sob outra perspectiva: a da economia circular, ou seja, a redução de desperdícios, reutilização de materiais e diminuição da necessidade de exploração de novos recursos naturais para determinadas atividades. Segundo o IBRAM, empresas do setor vêm reforçando ações de reaplicação desses insumos, utilizando-os em construção civil, recomposição de terrenos e recuperação de áreas degradadas.

Mais do que reduzir impactos, essas alternativas também contribuem para geração de valor econômico, cumprimento de exigências regulatórias e fortalecimento da responsabilidade social das empresas.

Ivoti Ambiental
Iniciativas desenvolvidas em cidades mineradoras apostam na recuperação de voçorocas e na estabilização de terrenos impactados pela erosão Divulgação Ivoti Ambiental

Itabirito se torna referência na recuperação do meio ambiente

É justamente essa lógica que orienta as ações desenvolvidas pela Ivoti Ambiental. Uma das principais frentes de trabalho atuais da companhia está em andamento em Itabirito, na Região Central de Minas Gerais.

O projeto utiliza rejeitos inertes e não perigosos oriundos da atividade mineradora para remodelar áreas degradadas por processos erosivos. A proposta consiste em utilizar esses materiais para recomposição do relevo, estabilização do solo e recuperação de voçorocas previamente licenciadas pelos órgãos competentes.

Atualmente, cinco estão em processo de restauração, somando cerca de 9 hectares revitalizados. Segundo a empresa, aproximadamente 1,3 milhão de toneladas de materiais seguros da cadeia produtiva já foram destinados às áreas, contribuindo para estabilização do território e regeneração da vegetação.

A metodologia aplicada inclui etapas de engenharia e monitoramento, que preveem o preenchimento técnico das erosões, seguido pelo reflorestamento com espécies nativas e pelo acompanhamento contínuo das condições do terreno. Além das transformações no espaço, o projeto também apresenta reflexos sociais e econômicos: mais do que reduzir riscos de expansão das erosões, ele melhora a segurança local e cria possibilidades futuras de uso consciente da terra, incluindo áreas verdes, espaços de preservação e atividades econômicas compatíveis com o ecossistema.

Na chamada Fase I do projeto, lugares previamente licenciados somam cerca de 8,3 hectares e possuem capacidade para receber até 3 milhões de toneladas de materiais inertes oriundos da atividade mineradora Já a Fase II inclui o licenciamento de novas áreas, totalizando aproximadamente 20 hectares adicionais destinados à regeneração do território. Além da pauta ligada à preservação, o trabalho também evidencia uma mudança importante de mentalidade dentro do setor: resíduos antes considerados apenas passivos passam a ser tratados como insumos capazes de gerar impacto positivo.

ESG e inovação aceleram mudanças no setor

Nos últimos anos, o segmento passou a incorporar com mais intensidade conceitos ligados à economia circular e responsabilidade socioambiental.

Nesse contexto, inovação, tecnologia e preservação caminham juntas e desempenham papel decisivo. A agenda ESG deixou de ser apenas um diferencial reputacional e ocupa posição estratégica nas empresas do ramo. Questões como gestão de resíduos, recuperação verde, redução das emissões de carbono, segurança operacional e relacionamento com comunidades passaram a integrar o centro das decisões corporativas.

O conceito de gestão responsável inerente ao projeto em Minas também aparece na logística e no transporte dos materiais utilizados. O Grupo Tazay, por exemplo, investe em operações de menor impacto. Parte das atividades ligadas ao transporte utiliza caminhões elétricos e veículos movidos a biometano, alternativa renovável ao diesel convencional.

A adoção dessas tecnologias busca reduzir emissões de gases poluentes e reforçar o compromisso com operações mais conscientes em todas as etapas do processo, ampliando o alinhamento às metas de descarbonização e eficiência.

Ivoti Ambiental
O reflorestamento com espécies nativas faz parte das etapas de recuperação das áreas degradadas, contribuindo para a regeneração do solo e da vegetação local Divulgação Ivoti Ambiental

A mineração do futuro passa pela regeneração

Durante muitos anos, o debate sobre o garimpo esteve centrado quase exclusivamente na exploração de recursos naturais. Hoje, no entanto, cresce a percepção de que o futuro do setor dependerá também da capacidade de regenerar territórios, reduzir impactos e criar alternativas para resíduos antes considerados sem utilidade.

Projetos de recuperação da natureza desenvolvidos em Minas Gerais mostram que a reutilização responsável de rejeitos pode representar uma alternativa viável tanto do ponto de vista ecológico quanto econômico. A recuperação dessas áreas pode permitir, futuramente, a criação de espaços verdes, locais de preservação, atividades de lazer e até projetos de uso eficiente do solo.

Mais do que conter erosões ou restaurar áreas degradadas, iniciativas como as da Ivoti Ambiental indicam uma mudança de paradigma: a ideia de que o futuro do setor não será definido apenas pelo que extrai da terra, mas também pela capacidade de devolver equilíbrio duradouro e valor social aos espaços onde atua.

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Para saber mais sobre as projetos e soluções sustentáveis acesse: ivotiambiental.com.br

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