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"TUDO É POLITICA, MAS A POLÍTICA NÃO É TUDO"

Se algo é liquidado, como num jogo de dados, quem paga tudo é o povo no cassino da eleição. Eleição que atravessou a liberdade de forma instantânea, sem revelar grandeza de quem lhe colocou barreira

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O Estado de Minas é um jornal que nos ensinou a ver o mundo pelo texto dos poetas que acolheu. Iniciantes ou consagrados, uns maliciosos na inocência e outros inocentes na malícia, nenhum jornal teve tantos notáveis que usavam o bem mais elevado da magia da palavra, encanto em todas as coisas que escreviam.

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Redator do jornal dos mineiros, Carlos Drummond de Andrade, e sua intemperança especulativa, traduzida em versos, repatriava a paz para os desiludidos sem lhes cobrar a impiedade militante. Fernando Sabino um dos quatro cavaleiros do bom apocalipse, construtores de eras destruídas, ao lado de Paulo Mendes Campos, Otto Lara Resende e Hélio Pellegrino, esperavam com ansiedade Roberto Drummond, Pedro Nava, Affonso Romano de Sant'Anna e Marina Colasanti. Poesia e crônica de quem cobra o que acha que pode cobrar do seu leitor, sabendo que será pago por contentar alguém com o que sai da sua escrita. Sem lhe dever nada por não ter a pretensão de impor o que vai no coração.


Intelectual não lê, intelectual relê. Usa o sopro da palavra que colhe no dia a dia, mas não enrola a esperança transmitindo mais ilusão do que beleza. Intelectual para valer, vendo o mundo como está de tanta uniformidade no mau gosto e na conduta, deveria se dedicar a restabelecer a antiga ignorância de antes da internet, muito mais inteligente do que a inteligência artificial de hoje. Intelectual de verdade se dedica a distinguir e não a decidir.


Aborrecedores sempre querem controlar o estado de espírito dos calados, sem se interessar pela razão que exclui do coração o exagero. Ensinar a escolher desprezando o alerta de deuses da antiguidade para não levar a sério quem só sabe o que faz depois que fez. Há uma alta complacência fatalista em nossa época. Em permanente discórdia com si próprio, o Brasil suporta todas as provações que a política, atividade descosida e afetada, lhe impõe. A vida subjetiva da felicidade, cada um a tem dentro de si, não resiste à vida na realidade entregue a não perceber o conflito como essência e natureza da política. Perdeu-se o jeito de ver na justiça uma virtude. Uma atmosfera opressiva, um desperdício do esforço que não recompensa a grandeza de quem luta pela vida. Há pessoas enojadas com discussões que não querem esclarecimento, porque os dispostos a esclarecer são também nojentos nos tons e argumentos. Ninguém concede nenhum valor ao outro. Eleição é abusar do direito de ser visto.


Ceticismo misturado com barulho nada produz de bom. Ande e chore enquanto semeias; nenhum talento se desenvolve no desregramento. O Brasil, que nunca fica pronto, para reconhecer-se em si mesmo precisa causar menos prejuízo ao silêncio. O céu não lida conosco através de porta-vozes barulhentos.


A história saltita passando ao largo da cultura. Quem faz rolar a pedra e a vê retornar ao mesmo lugar é sempre o povo. É um incômodo ver falta de ética na justiça e na política tudo contaminar. Causando um embrutecimento psicológico geral que não distingue a beleza da maioria em seu cotidiano de gente boa que na simplicidade vive a situação moral de um honesto. De um lado polos de ódio, nebulosos insultos; do outro universo grandioso, adoecido, adoecedor e movediço.


Sem se preocupar em nos ver como civilização, falar da realidade não requer suficiente profundidade para cavar e encontrar os alicerces da nação. E ao dissociar história de razão, não há passeata, discurso, slogan ou jingle capaz de escrever, no livro das dívidas, versos em homenagem à nova geração.

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Se algo é liquidado, como num jogo de dados, quem paga tudo é o povo no cassino da eleição. Eleição que atravessou a liberdade de forma instantânea, sem revelar grandeza de quem lhe colocou barreira. Nunca careceu de mais defeitos. Tirou mais proveito do desdém do que do respeito. Franco ou falso, virou boato alfinetar alguém. Mas a eleição não é um arado que o eleitor puxa como se fosse boi. O pano de fundo melhor é silêncio sem aflição. O eleitor não é argila a modelar. É planta rara, que só com admiração se deve regar.

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