artigo

Primazia do bem

Aqueles que foram às urnas esperam que toda a classe política priorize o bem comum, deixando-se guiar por princípios morais que fermentam a honestidade, a credibilidade, resultando em qualificadas gestão e representação

Publicidade
Carregando...

O Brasil vive o singular momento de eleições livres, amplas e limpas – sustentáculo da democracia, autêntico exercício de cidadania. Os resultados das urnas expressam a vontade do povo e sinaliza seus anseios. Esse processo se efetiva contando com a determinante contribuição do arcabouço político-partidário, que reflete a dimensão plural da sociedade neste tempo. Os partidos políticos têm a função de favorecer ampla participação e o acesso de todos às responsabilidades públicas, ensina a Doutrina Social da Igreja Católica. Desempenham, assim, a importante tarefa de interpretar as aspirações da sociedade civil orientando-as para o bem de todos. Portanto, os partidos devem ter o compromisso de desenvolver sínteses políticas e projetos capazes de ajudar os cidadãos a formular suas próprias opções. Naturalmente, são regidos por princípios e valores diferentes, mas devem partilhar sempre o compromisso com o bem comum. Isso significa que um partido político não pode alicerçar a sua ideologia em princípios e concepções que venham atentar contra valores democráticos, particularmente o respeito à dignidade humana.

Fique por dentro das notícias que importam para você!


Eleições são um jogo plural em que ora vence um partido com sua coligação, ora vence outro. As diferenças podem acirrar sentimentos e, para que não levem a perdas irreparáveis, todos devem buscar a primazia do bem. Lamentavelmente, convive-se com disputas figadais que podem se desdobrar em revanches raivosas e ondas de intolerâncias. Esse caminho apenas contribui para que a paixão política alimente polarizações. E corre-se o risco de minimizar a grandeza de se buscar o bem da sociedade, apequenando-se, consequentemente. O exercício do poder na democracia, para além da ideologia partidária, exige um governar para todos, tanto para os vencedores quanto para quem não foi exitoso no pleito. Trata-se de postura que expressa grandeza, na contramão de revanchismos, perseguições e disputas, com o equívoco de buscar construir-se pela desconstrução do semelhante.


O bem comum está acima das comemorações daqueles que venceram as eleições e da inquietação dos que perderam. Importa a grandeza e a nobreza de se exercer o poder para promover e garantir o bem comum, agindo com lisura moral, rechaço à corrupção, sempre a partir do respeito à dignidade humana. Vencer eleições é admitir que se deve enfrentar também, com serenidade e sabedoria, os problemas da própria comunidade política, dedicando-se à busca de soluções para problemas que desfiguram o rosto de uma sociedade democrática. A primazia do bem deve ser o compromisso das instituições e instâncias de poder que configuram o exercício da democracia. Nesse sentido, não se pode negociar o princípio basilar de que a comunidade política está, essencialmente, a serviço da sociedade civil. Não se pode inverter essa ordem hierárquica. Não se pode considerar a sociedade civil como um apêndice ou uma variável da comunidade política.


A Doutrina Social da Igreja sublinha a preeminência da sociedade civil: a comunidade política existe e se justifica no contexto maior da sociedade civil, de quem está a serviço. Agir na contramão dessa realidade leva também ao desencanto com a política, que passa a ser instrumento de vinganças ou de manipulações interesseiras, inviabilizando o bem de todos. A responsabilidade de quem é sufragado nas urnas é enorme. Não se esgota no compromisso partidário, mas projeta-se na amplitude da responsabilidade de dar conta do exercício do mandato, consideradas as complexidades de funcionamentos, os desafios e as exigências na confecção de um novo tecido social, superando a consideração de interesses oligárquicos para garantir o bem do povo. Vencer as eleições deve ser “porta de entrada” para a oferta da própria vida em benefício do bem comum. Não é simplesmente ocupar cadeiras para a satisfação de caprichos, da vaidade pessoal, ou conquistar benesses.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia


A primazia do bem comum é farol que deve iluminar diálogos e confrontos. O momento atual exige análises lúcidas para que não se perca a oportunidade de novas respostas aos desafios e necessidades do povo. As análises, opiniões e narrativas constituem importante contribuição para que muitas promessas se efetivem. A corrida eleitoral não é uma gincana entre vencedores e perdedores, mas a busca por um bem maior. O sabor da vitória ou o amargo da derrota não podem ser o critério de atuação, de discernimentos sobre prioridades. Aqueles que foram às urnas esperam que toda a classe política priorize o bem comum, deixando-se guiar por princípios morais que fermentam a honestidade, a credibilidade, resultando em qualificadas gestão e representação. O ponto de partida e de chegada será sempre a primazia do bem, corrigindo descompassos, superando crises, reavendo credibilidade na política. Respeitada essa primazia, impulsiona-se, na sociedade, a justiça social e o compromisso com a solidariedade. Abandonado esse caminho, prevalecerão as escolhas equivocadas, as manipulações interesseiras, com prejuízos pesados para todos. Aqueles que verdadeiramente buscam servir ao povo, exercendo qualificadamente a cidadania, tem este horizonte luminoso e inspirador: buscar sempre a primazia do bem.

Acesse o Clube do Assinante

Clique aqui para finalizar a ativação.

Acesse sua conta

Se você já possui cadastro no Estado de Minas, informe e-mail/matrícula e senha. Se ainda não tem,

Informe seus dados para criar uma conta:

Digite seu e-mail da conta para enviarmos os passos para a recuperação de senha:

Faça a sua assinatura

Estado de Minas

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Aproveite o melhor do Estado de Minas: conteúdos exclusivos, colunistas renomados e muitos benefícios para você

Assine agora
overflay