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LEITOR FALA SOBRE SERVIÇO DO SUS VOLTADO PARA MULHERES

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“É uma boa notícia. E justamente por ser boa, não precisa de propaganda para parecer maior. O Ministério da Saúde passou a oferecer até 100 mil teleatendimentos mensais de saúde mental para mulheres em situação de violência e mães atípicas. O serviço 'Acolhe mais' está disponível pelo Meu SUS Digital e também alcança mães, tias, avós, irmãs e outras familiares que cuidam de pessoas com deficiência, transtornos do neurodesenvolvimento ou doenças raras. A iniciativa começou como piloto em Recife e no Rio de Janeiro e agora chega ao país inteiro. A pergunta incômoda é inevitável. Por que tanta gente precisou chegar ao limite para que o poder público percebesse que quem cuida também adoece? Os números não permitem romantizar a realidade. As notificações de violência contra mulheres passaram de 167,4 mil em 2015 para 348,5 mil em 2025. Mais que dobraram em uma década. Não é estatística para discurso. É gente apanhando, sendo humilhada, ameaçada, violentada ou explorada dentro de casa e, muitas vezes, tentando continuar a vida como se nada tivesse acontecido. E há as mães atípicas. Mulheres que dormem pouco, trabalham muito, gastam dinheiro que não têm, enfrentam filas, consultas, terapias e olhares tortos. Muitas cuidam de todo mundo e não encontram ninguém para perguntar se elas estão bem. O teleatendimento ajuda. Pode salvar uma vida. Mas seria uma desonestidade tratá-lo como solução definitiva. Psicóloga na tela não substitui uma rede de proteção funcionando. Não substitui CAPS, assistência social, segurança pública, renda, transporte, escola preparada e atendimento especializado. E muito menos impede o agressor de continuar agindo. O governo anuncia 100 mil atendimentos. Ótimo. Agora precisa garantir que não sejam apenas 100 mil portas digitais abertas para uma realidade que continua fechada do lado de fora. Porque não basta dizer a uma mulher que ela não está sozinha. É preciso provar isso quando ela desliga o celular. Saúde mental não pode ser aplicativo para aliviar a consciência de quem administra. Tem de ser política pública para devolver dignidade a quem já perdeu quase tudo.”

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GREGÓRIO JOSÉ
Belo Horizonte

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