EDITORIAL

Infância no Brasil: o futuro em suspenso

O Brasil não pode mais conviver com a naturalização da vulnerabilidade da base de sua população. Cuidar da infância é obrigação constitucional e moral

Publicidade
Carregando...

Nesta segunda-feira (24/8), o Brasil celebra o Dia Nacional da Infância, instituído pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) com o propósito de provocar uma reflexão profunda sobre a realidade das meninas e dos meninos em cada canto do país. Uma nação que almeja um futuro com desenvolvimento precisa, muito mais que fazer exercícios de projeção econômica, pensar em suas crianças.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O ESTADO DE MINAS NO Google Discover Icon Google Discover SIGA O EM NO Google Discover Icon Google Discover

No Brasil, o retrato desse período da vida é marcado por contrastes profundos. Se, por um lado, houve avanços recentes importantes, como a redução dos índices de insegurança alimentar grave e subnutrição severa, por outro, a garantia integral de direitos fundamentais ainda esbarra em obstáculos históricos. Alfabetização na idade certa, alimentação plena e defesa contra todas as formas de violência, sejam físicas ou virtuais, e o fim da vulnerabilidade continuam a ser metas desafiadoras que cobram ações do Estado e da sociedade.

No país, as políticas destinadas a essa parcela da população foram estruturadas a partir do princípio constitucional da proteção integral e da prioridade absoluta, tendo o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) como pilar. Atualizações necessárias para responder às novas questões tecnológicas vêm sendo realizadas. Em vigor desde 17 de março de 2026, o ECA Digital estabeleceu um marco jurídico voltado ao ambiente online, determinando direitos e medidas de segurança para o uso de redes sociais, jogos eletrônicos, aplicativos, plataformas de vídeo, lojas de aplicativos, sistemas operacionais e outros produtos e serviços de tecnologia direcionados a crianças e adolescentes. As ferramentas de supervisão, para que pais e responsáveis monitorem e gerenciem os acessos são fundamentais, assim como a punição em casos de descumprimento da lei.

Fora das telas, a alavanca mais poderosa para a quebra do ciclo de pobreza que persegue famílias brasileiras está travada em um diagnóstico alarmante que vem da infância: o ensino público apresenta milhares de crianças que chegam ao final do ciclo de alfabetização sem o domínio pleno da leitura e da escrita, um déficit que compromete todo o percurso escolar e eleva as taxas de evasão juvenil. Diretamente ligada à aprendizagem, o tema da segurança alimentar, pré-requisito biológico para o desenvolvimento cognitivo, também possui relatórios que revelam a convivência diária com a incerteza sobre o que garotas e garotos terão à mesa para comer.

Mas além das armadilhas digitais, da educação e da alimentação, a infância exige barreiras intransponíveis contra o trabalho infantil, a violência e a negligência. Muitas vezes justificada como “ajuda” familiar, a exploração rouba o tempo de aprender e perpetua bolsões de miséria pelo país. Já as agressões e os abusos domésticos são inaceitáveis e criam dores que podem destruir uma vida toda. Para esse combate ser vitorioso é fundamental que o sistema de identificação de riscos, blindagem e amparo esteja fortalecido, estruturado e capacitado para agir com rapidez. A articulação entre escolas, Conselhos Tutelares, delegacias especializadas, Ministério Público (MP) e o Sistema Único de Assistência Social (SUAS) ainda tem muito a aprimorar para que os resultados sejam melhores.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

O Brasil não pode mais conviver com a naturalização da vulnerabilidade da base de sua população. Cuidar da infância é obrigação constitucional e moral. Superar os gargalos da alfabetização, erradicar definitivamente a insegurança alimentar e blindar as crianças contra a violência requer vontade política constante, investimento permanente e envolvimento da sociedade, com cobrança rigorosa. O alcance do país no futuro depende de estratégias consistentes direcionadas às crianças, e que precisam ser colocadas em prática imediatamente. Sem isso, não se pode construir o alicerce de capital humano, social e econômico para o crescimento da nação.

Acesse o Clube do Assinante

Clique aqui para finalizar a ativação.

Acesse sua conta

Se você já possui cadastro no Estado de Minas, informe e-mail/matrícula e senha. Se ainda não tem,

Informe seus dados para criar uma conta:

Digite seu e-mail da conta para enviarmos os passos para a recuperação de senha:

Faça a sua assinatura

Estado de Minas

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Aproveite o melhor do Estado de Minas: conteúdos exclusivos, colunistas renomados e muitos benefícios para você

Assine agora
overflay