artigo

Verdade e poder

O campo político carece de uma lucidez maior, libertando-se das estreitezas que se expressam na troca de farpas, na diabólica validação da própria imagem pisoteando a vida moral alheia

Publicidade
Carregando...

Cada ano eleitoral é oportunidade para o cidadão dirigir o seu olhar, mais atentamente, aos funcionamentos da sociedade que exercem força determinante nos discernimentos. A disputa eleitoral oferece, pois, possibilidade para o exercício consciente da cidadania, um poder que tem força para operar grandes mudanças, indispensáveis e inadiáveis mudanças, considerando as demandas inscritas nos cenários sociais, especialmente quando se trata de pobreza e de exclusão. Convive-se com a escassez de nomes confiáveis e, sobretudo, capazes de exercer o poder a serviço dos pobres, contribuindo com a constituição de uma nova cultura. Sabe-se que não se pode enjaular o poder, que deveria ser exercido em nome do povo e na promoção do bem comum, nas bitolas da política partidária. Espera-se, e é uma urgência, que possa prevalecer uma perspectiva mais humanística, capaz de garantir que o exercício do poder busque alicerçar o bem comum e esteja a serviço da vida de todos.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O ESTADO DE MINAS NO Google Discover Icon Google Discover SIGA O EM NO Google Discover Icon Google Discover


De modo geral, as promessas sobre as quais os candidatos se assentam não se efetivam por muitas razões. A carência de líderes com envergadura moral e espiritual faz com que a sociedade pague preço alto demais. Há uma especial demanda por pessoas nas instâncias do poder capacitadas a partir de uma espiritualidade que permita reconhecer como a humanidade é magnífica. Essa lacuna influencia decisivamente posturas políticas, limitando-as à busca pela garantia de benesses a oligarquias, a interesses particulares e cartoriais, sem considerar a responsabilidade de contribuir com a gestação de uma nova cultura, capaz de edificar uma ordem sociopolítica renovada. Constata-se uma miopia que contamina diferentes procedimentos, convive-se com posturas mesquinhas que prejudicam todos os cidadãos. Promessas não são garantidas, as vaidades presidem condutas, e a falta de sensibilidade social leva à normalização da indiferença em relação aos que sofrem.


Em razão das carências humanísticas de muitos que estão no exercício do poder, diferentes iniciativas tornam-se incapazes de significativamente qualificar cenários, incrementar valores culturais, comprometendo muitos serviços, que não dão conta de corresponder à sacralidade da vida. Especificamente a falta de uma fecunda espiritualidade mina as atitudes daqueles que exercem o poder, privando-as de uma força essencial ao impulsionamento de projetos, à construção de propostas efetivas que correspondam às necessidades cidadãs. As riquezas que deveriam servir à população são mal administradas, aprisionadas na mediocridade de exercícios políticos que passam à margem do bem comum. A vaidade e a força sedutora do poder aprisionam muitos nas ilusões de cargos e de lugares ocupados. Consequentemente, a representação política é exercida sem lustro e sem contribuições relevantes à ingente tarefa de construir uma sociedade igualitária e solidária.


Há um caminho a ser percorrido para que a verdade, assimilada como dom, alicerce todas as formas de exercício da cidadania. A verdade, como disse Jesus na sua maestria, liberta, quando é conhecida e vivida. Um conhecimento e uma vivência capazes de libertar a política do equivocado entendimento que a coloca como sinônimo de esperteza. Importa ressaltar que a verdade é dom, jamais manipulação, que é um tipo de violência.


A verdade do Evangelho transforma vidas, entrelaça comunidades e culturas. Abrir-se à verdade do Evangelho é investimento seguro para construir uma sociedade justa, livre de manipulações e da primazia de interesses que ferem a dignidade humana. Importante é fazer o que indica o papa Leão XIV, na sua primeira Carta Encíclica Magnifica Humanitas: interpretar a realidade com clareza e responsabilidade. Essa interpretação é determinante também na definição de rumos e prioridades no exercício do poder.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia


O papa Leão XIV frisa que, quando a dignidade humana é violada, seja qual for a circunstância, instala-se o fracasso. É assim quando a política deixa de abordar as tragédias da humanidade, quando a economia se volta contra o ser humano ou quando a ciência ultrapassa os limites de sua competência. No caminho de buscar sempre a verdade, importa abrir-se às contribuições reunidas no compêndio da Doutrina Social da Igreja Católica, com critérios e argumentos que podem alavancar novos cenários na política e na realidade social. O campo político carece de uma lucidez maior, libertando-se das estreitezas que se expressam na troca de farpas, na diabólica validação da própria imagem pisoteando a vida moral alheia. A grandeza da cidadania exige uma sensibilidade qualificada, uma percepção aguçada, sobretudo um sentido social com força para contribuir singularmente para o surgimento de um novo ciclo de desenvolvimento. As eleições são oportunidade propícia para efetivar transformações indispensáveis e urgentes, inaugurando processos e procedimentos que qualifiquem a cidadania, efetivando um autêntico sentido de pátria e de solidariedade cristã.

Acesse o Clube do Assinante

Clique aqui para finalizar a ativação.

Acesse sua conta

Se você já possui cadastro no Estado de Minas, informe e-mail/matrícula e senha. Se ainda não tem,

Informe seus dados para criar uma conta:

Digite seu e-mail da conta para enviarmos os passos para a recuperação de senha:

Faça a sua assinatura

Estado de Minas

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Aproveite o melhor do Estado de Minas: conteúdos exclusivos, colunistas renomados e muitos benefícios para você

Assine agora
overflay