EDITORIAL

Teste de nervos no Estreito de Ormuz

A crise fincada em um ponto crítico para a economia mundial diz respeito praticamente a todos – mesmo quem, como o Brasil, está distante da frente de batalha e dos espaços diplomáticos concernentes

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Ao menos na letra do que foi assinado em 18 de junho, está vencido o prazo acertado entre Estados Unidos e Irã para um cessar-fogo na guerra iniciada em 28 de fevereiro, com ataques norte-americanos à República Islâmica, em ação coordenada com Israel. Tecnicamente, as partes não chegaram a entendimento sobre os 15 pontos listados no memorando de entendimento inicial. Em particular, segue o impasse no Estreito de Ormuz, vital para o mercado global de petróleo e gás.

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Não por acaso, foi justamente ali que a frágil trégua foi rompida repetidamente, embora sem dar lugar a uma escalada aberta do conflito – até aqui. O Irã, aparentando segurança sobre sua posição militar, assegura que está definindo com o vizinho Omã um novo modelo de administração do tráfego pela via marítima. Mas insiste que o estreito só será plenamente reaberto quando os EUA levantarem o bloqueio naval aos portos iranianos.

Quanto a Donald Trump, renova as ameaças de fazer valer o poderio bélico dos EUA. Sugere ao adversário que "acene com a bandeira branca" e promete bombardear o aliado Omã "até não sobrar nada", caso se "intrometa". Desta vez, no entanto, o regime islâmico passou das juras de revide para a advertência de que suas forças estariam "prontas para atacar".

No pano de fundo das expectativas pela sequência da crise no Oriente Médio, ao menos dois fatores assomam e, em certa medida, se entrelaçam.

Um deles são sinais de que a capacidade ofensiva e defensiva das forças norte-americanas estaria comprometida, após quase seis meses de guerra e com bases de apoio distribuídas entre os aliados na região duramente atingidas por contra-ataques. Um indicador foi a decisão de retirar da área o porta-aviões Abraham Lincoln, onde o prolongado tempo de missão e as dificuldades crescentes de suprimento estariam minando a saúde mental da tripulação.

Outro, de alcance talvez mais longo, é o recém-anunciado pacto de defesa conjunta entre Arábia Saudita, Turquia e Paquistão. Ademais de terem um histórico de relações firmes com Washington, estão os três envolvidos de alguma maneira no imbróglio iraniano. Os dois últimos, em especial o governo paquistanês, têm atuado como mediadores. Quanto ao reino saudita, que vem de firmar com os EUA um acordo de cooperação nuclear, teve oportunidade para avaliar até que ponto pode continuar assentando a própria segurança exclusivamente sob o guarda-chuva dos EUA.

Os próximos dias e semanas, em particular para os envolvidos mais diretamente, serão o clássico teste de nervos que a linguagem comum resume na pergunta: quem pisca primeiro? Há quem faça suas apostas. Mas a crise fincada em um ponto crítico para a economia mundial diz respeito praticamente a todos – mesmo quem, como o Brasil, está distante da frente de batalha e dos espaços diplomáticos concernentes.

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Cada um, da própria perspectiva, acompanha os desdobramentos para ajustar seus cálculos e traçar planos de resposta a uma situação, por ora, imprevisível. Dos protagonistas, o possível é esperar que se movimentem com nervos de aço e senso de responsabilidade.

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