Do apito final ao início da disputa
A democracia não se fortalece com a lógica da rivalidade permanente, mas com o debate qualificado, o respeito às diferenças e o compromisso com a informação
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Os olhares do planeta estavam voltados ontem para o apito final nos gramados norte-americanos. Com o encerramento da Copa do Mundo, encerra-se também um período de catarse coletiva, em que as paixões foram canalizadas para as quatro linhas e o debate público deu uma trégua temporária em nome do esporte. Para o torcedor brasileiro, o gosto que fica é amargo, marcado pela frustração com uma desclassificação precoce que tirou a Seleção da disputa muito antes do esperado, deixando o país como mero espectador nas fases decisivas.
A realidade nacional não permite espaço para o desânimo prolongado. A partir de hoje, 20 de julho, o Brasil é convocado a mudar de canal e de foco. É dada a largada oficial para o início das convenções partidárias, etapa decisiva para a definição dos candidatos que disputarão as eleições de outubro.
O jogo está apenas começando. O período que se abre hoje e se estende até 5 de agosto é o momento em que os partidos formalizam candidaturas, consolidam alianças, escolhem candidatos a vice e definem estratégias para uma campanha que tende a ser intensa e marcada por forte disputa de narrativas. O processo eleitoral deixa de ser uma sucessão de especulações para assumir contornos concretos.
O calendário eleitoral impõe um ritmo acelerado. Após as convenções, vêm os registros das candidaturas, o início da propaganda, os debates e a mobilização das campanhas até o primeiro turno, em outubro. Cada etapa será determinante para que o eleitor conheça propostas, avalie perfis e compare projetos para o futuro do país.
Se a Copa desperta paixões e divide torcidas, as eleições exigem uma postura diferente. A democracia não se fortalece com a lógica da rivalidade permanente, mas com o debate qualificado, o respeito às diferenças e o compromisso com a informação. A escolha nas urnas produz consequências muito mais duradouras do que qualquer resultado esportivo.
É natural que a política desperte emoções. Mas, diferentemente do futebol, em que o espetáculo termina com o apito final, os efeitos das decisões eleitorais permanecem por anos. Da qualidade dos governantes dependerão políticas públicas, investimentos, oportunidades de emprego, serviços essenciais e o ambiente institucional do país.
O início das convenções deve ser visto como um convite à participação cidadã. Cabe aos partidos apresentar candidatos preparados e programas consistentes. Cabe aos candidatos demonstrar capacidade, equilíbrio e compromisso com o interesse público. E cabe ao eleitor acompanhar esse processo com espírito crítico, valorizando fatos em vez de boatos, propostas em vez de slogans.
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A desclassificação precoce do Brasil no Mundial de futebol inicia outra competição, muito mais relevante para seu futuro. Que prevaleçam o debate democrático, a responsabilidade e o respeito às instituições. Em outubro, não estará em jogo apenas uma vitória eleitoral, mas os rumos do país nos próximos anos.