ARTIGO

Luzes e sombras da Copa

Urge-se a recuperação do sentido de pertença e de responsabilidade social, inclusive no mundo dos esportes

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Omundo dos esportes mobiliza, de modo impressionante e singular, mentes e corações, com a paixão que toca o mais fundo da alma. Assim, nestas últimas semanas, vive-se a Copa do Mundo de futebol, com suas luzes e sombras que podem se tornar lições indispensáveis. Ultrapassa-se os limites dos campos de disputa futebolística para alcançar culturas, proporcionando análises que revelam escolhas, oportunidades, forças e fragilidades. A paixão pelo esporte, com estádios repletos, desdobra-se em um olhar analítico e crítico, como tem acontecido especialmente nestes dias após a eliminação da Seleção Brasileira. São variados os tipos de análise e mesmo os mais curtos, ao modo “tiktok”, podem levar a aprendizados, essenciais para conquistar posturas cidadãs mais adequadas, capazes de contribuir com o crescimento da nação.

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A competição esportiva, mesmo sem alcançar a totalidade da população brasileira, resgatou, pelas cores verde e amarelo, o sentido de pertencimento a uma nação, pátria amada e idolatrada, para além de usurpações partidárias e excludentes. Percebe-se, assim, que há urgência em investir, sempre mais, na consolidação desse sentido de pertencimento, vencendo interesses mesquinhos ditados pela força diabólica do dinheiro. Uma força que ameaça o bem comum, alimenta a desigualdade social, com uma pequena parcela da população muito rica, enquanto significativo número de pessoas enfrenta a extrema pobreza. O domínio do dinheiro contamina até mesmo o âmbito esportivo, alimentando um imaginário e narrativas que restringem a competição em campo à lógica do enriquecimento. Rifa-se o amor à pátria, com reflexos percebidos em apatias dentro do campo. Consequentemente, talentos seduzidos pela ambição desmedida por dinheiro se enfraquecem e perdem a “garra” necessária para alcançar as vitórias no esporte.

Para além do direito à remuneração condizente com as relações econômicas inerentes ao esporte, é preciso priorizar o desempenho essencial para alcançar êxito e evitar certas frustrações. Dentro desse domínio do dinheiro que distorce mentalidades, inclui-se a dominação patológica e sedutora dos esquemas de apostas, ameaça à construção de uma sociedade solidária e igualitária. Nesse contexto esportivo tão tristemente obscurecido por interesses pouco nobres, brilharam fortemente aqueles que estabeleceram um contraponto e lutaram com galhardia, sem fama, sem somas bilionárias, mas alavancados por um sentido de respeito à sua nação. Um desempenho esportivo que sinaliza para as potencialidades que agigantam nações, mesmo aquelas pequeninas. Performances que deveriam mexer com os brios de quem é “gigante pela própria natureza”, mas carece de agigantar-se a partir de uma política exercida com autoridade moral, alicerçada no sentido genuíno de justiça. Um jeito nobre de se exercer o poder, que não se restrinja aos interesses cartoriais, e efetivamente busque consolidar significativos resultados, mais igualdade social. Trata-se de exigência para evitar manipulações espúrias que distorcem instituições e, também, o mundo dos esportes.

Se não houver mais investimento em um modo novo de agir, prevalecerão, entre outros males, os autoritarismos sustentados pela subserviência interesseira e escrava do dinheiro. Uma submissão que produz fragilidades que alargam o tempo de jejum das vitórias, não somente no campo, também em desempenhos políticos e cidadãos. Urge-se a recuperação do sentido de pertença e de responsabilidade social, inclusive no mundo dos esportes, para inspirar e impulsionar desenvolvimento integral, com a construção de novos cenários, a partir de um sentido nobre de cidadania. Os fracassos esportivos remetem também à escassez de líderes. O esporte e outros campos da vida sofrem com aqueles que se dedicam a falatórios e a populismos, uma presença fragilizada, sem potencial para inspirar nobres valores, motivar as pessoas a melhorar, cada vez mais, a ter “garra” e competência, condições essenciais para lutar e reagir, mudando cenários de derrota para alcançar vitórias.

É preciso incomodar-se com o despreparo que campeia em muitos setores e gera desperdício de recursos, inclusive de muitos talentos com potencial para escrever uma história nova e oferecer respostas adequadas a muitos desafios. A busca pelo exercício de um adequado desempenho, com investimentos em permanente qualificação, precisa se consolidar como um valor social, para que as pessoas não se achem as únicas capazes de exercer cargos e responsabilidades. Neste momento frustrante da eliminação da Seleção Brasileira de futebol, deve-se vislumbrar oportunidade de mudanças, refletindo sobre opiniões diversas e críticas, mesmo as mais dolorosas. Assim, é possível evitar novos fracassos, em diferentes campos, inclusive aqueles que impedem a nação de alcançar suas vitórias, condizentes com suas potencialidades, com a grandeza de suas riquezas, em reverência aos seus valores históricos e culturais que a enobrecem.

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Este momento pede um “renascer das cinzas”, dos resultados ruins no mundo esportivo à reação para se conseguir um Estado mais eficiente, capaz de servir ao conjunto da nação, garantindo um contexto social mais igualitário. Um grande movimento para se conquistar representação política com autoridade, contracenando com instituições educacionais e culturais para renovar a cultura brasileira, na riqueza de sua pluralidade, contemplando valores morais e religiosos. Assim, reverter a irônica contagem de fracassos – aqueles que levam a eliminações consecutivas em Copas do Mundo de futebol e a tantas outras derrotas, em outros campos. As lições da derrota, se aprendidas, podem inspirar seriedade, qualificação, colocando o Brasil nos trilhos de novas conquistas, com um novo rosto, que reflita o desenvolvimento integral e a fraternidade solidária.

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