Operação Furnas 2026: 100 anos no "Mar de Minas"
Segurança nacional vai além de proteger fronteiras: vai preservar recursos naturais, preparar nas emergências climáticas e atuação rápida em todo o território
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EDUARDO MACHADO VASQUEZ - Almirante de Esquadra e comandante de Operações Navais da Marinha do Brasil
Há exatos 100 anos, a Marinha do Brasil (MB) estabelecia, em Pirapora, sua presença institucional em Minas Gerais. Transcorrido um século desde a criação da então Capitania dos Portos do Estado de Minas Gerais, a Marinha mantém vivo esse vínculo histórico com a sociedade mineira, hoje fortalecido pela atuação da Capitania Fluvial de Minas Gerais, da Delegacia Fluvial de Pirapora e da Delegacia Fluvial de Furnas. É sob esse pano de fundo histórico que se desenvolve a Operação Furnas 2026 – que começou em 22 de junho e vai até amanhã (3 de julho) –, no município de São José da Barra, como mais um expressivo exercício conduzido no âmbito do Comando de Operações Navais.
Na região do Lago de Furnas, essa presença se materializa permanentemente por intermédio da Delegacia Fluvial de Furnas, como representante da Autoridade Marítima, atuando continuamente na salvaguarda da vida humana, na segurança da navegação e na prevenção da poluição hídrica; e da Base Aérea Expedicionária que amplia a capacidade logística e de pronta resposta da Força Naval no interior do estado.
Esse ambiente operacional, formado pela barragem da Usina Hidrelétrica de Furnas, é um dos maiores reservatórios do País, com mais de 1.400 km² de área inundada e cerca de 3.500 km de perímetro, o equivalente a quase metade da extensão do litoral brasileiro: o valioso “Mar de Minas”. Toda essa magnitude, que se traduz em pujança econômica e estratégica para o País, é atribuída a um dos mais valorosos filhos de Minas Gerais, o visionário presidente Juscelino Kubitschek. O “Homem de Minas”, diante do estrangulamento energético que ameaçava a industrialização do país, constituiu, em 1957, a empresa que seria responsável pela criação desse pedaço do Brasil moderno.
Nesse cenário, o Corpo de Fuzileiros Navais (CFN) realizou o deslocamento de mais de 1.600 militares, além de viaturas e aeronaves por cerca de 1.000 km, um movimento logístico que evidencia o valor estratégico da Força de Fuzileiros da Esquadra (FFE), e sua capacidade expedicionária, evidenciando aptidão para estar presente em qualquer parte do território nacional sempre que necessário. A manobra tem como propósito integrar as capacidades do CFN na condução de Operações Ribeirinhas, Operações de Apoio à Defesa Civil e Operações de Paz, fortalecendo a interoperabilidade e elevando o nível de prontidão das tropas.
O “Mar de Minas” e seu entorno possibilitam que a Divisão Ribeirinha da FFE desenvolva os treinamentos de grande complexidade característicos das Operações Ribeirinhas, antes dependentes de longos deslocamentos às regiões amazônica e pantaneira.
O Rio Grande configura-se como importante via de transporte e apoio logístico e, por essa razão, o lago apresenta grande potencial para o deslocamento de pessoal e material em emergências. Nesse contexto, os adestramentos em Operações de Apoio à Defesa Civil tornaram-se prioritários para a manutenção da condição de prontidão da Força de Resposta Imediata a Desastres Ambientais (FRIDA) do Corpo de Fuzileiros Navais. Destaca-se, ainda, a atuação integrada e coordenada com o Sistema Nacional de Defesa Civil e demais órgãos e agências governamentais, não governamentais e privadas, para prevenir e, caso necessário, restabelecer a normalidade social e mitigar impactos à população e ao meio ambiente.
Adicionalmente, será conduzido um exercício de Operações de Paz, com uma Força de Emprego Rápido e uma Companhia de Desativação de Artefatos Explosivos, voltado à preparação de pessoal especializado para missões sob a égide da Organização das Nações Unidas, ampliando a capacidade do Brasil de contribuir para a segurança e a estabilidade internacionais. Nesse contexto, destaca-se o crescimento da participação feminina, em alinhamento com a Agenda Paz, Mulheres e Segurança da ONU. Ressalta-se, ainda, que, ao final de maio de 2026, a Força de Reação Rápida da MB foi inspecionada pela ONU para manter a certificação no nível 3 de prontidão, o mais elevado patamar operacional alcançável por tropa brasileira, condição pioneira mantida pela Força desde 2021. Na mesma ocasião, a Companhia de Desativação de Artefatos Explosivos também foi inspecionada, com vistas à elevação de seu grau de prontidão ao nível 2.
Destaca-se, ainda, o caráter internacional da operação. A participação de 83 militares de sete países – Argentina, Bolívia, França, Itália, Paraguai, Peru e Polônia –, além de um representante da Junta Interamericana de Defesa, demonstra a disposição do Brasil em exercer protagonismo em missões multilaterais no cenário internacional.
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Por fim, evidencia-se com esse exercício que a segurança nacional vai além de proteger fronteiras: envolve também a preservação de recursos naturais, a preparação para emergências climáticas e a capacidade de atuação rápida em todo o território. Nesse contexto, a Operação Furnas 2026 reafirma o compromisso da Marinha do Brasil em “Proteger Nossas Riquezas e Cuidar da Nossa Gente”.