EDITORIAL

O Brasil precisa ter atenção integral nas estradas

Paralelamente à questão humanitária, as rodovias federais consolidam-se como vias de escoamento para as facções em diversas frentes

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No Brasil, as estradas são a rota logística e a espinha dorsal da integração. Por razões históricas e políticas, o país concentrou capital nesse meio de transporte e, hoje, essa escolha carrega desafios tão grandes quanto a extensão do território nacional por onde passa o asfalto. O Produto Interno Bruto (PIB) pulsa pelas rodovias, fazendo delas artérias vitais para o desenvolvimento econômico e social. Quase a totalidade da riqueza depende das pistas para chegar aos portos e centros de consumo. Sem viajar sobre rodas, a produção trava e não atinge o fim do ciclo – seja para exportação ou abastecimento local.

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Nesse cenário, o que precisa ser urgentemente interrompido apresenta dois vilões principais: a violência e o crime. De acordo com os dados mais recentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF), a agressividade tem levado a uma amarga realidade.

Levantamento da instituição, referente a 2025, acende o sinal de alerta para o comportamento dos motoristas no que diz respeito à imprudência. No ano passado, foram 72.529 acidentes nas estradas federais, com 83.550 feridos e 6.043 mortes. O relatório ainda mostra que o volume de multas ultrapassou a marca de 10,2 milhões de registros, com o excesso de velocidade atingindo o alarmante recorde histórico de 7.237.407 autuações.

A infraestrutura segue ditando a gravidade das ocorrências, já que os números revelam 4.143 óbitos nas pistas simples, contra 1.603 nas duplas. O maior motivo são as colisões frontais causadas por ultrapassagens malsucedidas.Fica claro que a combinação de risco assumido e falta de investimento é determinante para os desastres noticiados diariamente. O comportamento individual e coletivo faz com que as viagens, rotineiras ou eventuais, se transformem em estatísticas de horror. O desrespeito às leis por parte dos condutores, a passividade da sociedade diante de tamanha tragédia e a morosidade do poder público em implantar soluções resultam em sofrimento e prejuízo irreparáveis.

O drama viário brasileiro também avança na esfera da criminalidade. Segundo o anuário da PRF, o seu braço de inteligência tem sido acionado cada vez mais no combate ao tráfico, danos ambientais e desarmamento. Em 2025, a interceptação de entorpecentes pelos agentes ultrapassou 760 toneladas. Na área ambiental, o destaque ficou com o recolhimento histórico de 103 kg de ouro ilegal de uma só vez em Boa Vista (RR) – no consolidado do ano, foram encontrados 213,68 kg do precioso minério sem comprovação legal. E um arsenal acabou apreendido: 1.124 armas, incluindo 63 fuzis de alto calibre e mais de 59 mil munições.

As informações comprovam que, paralelamente à questão humanitária, as estradas federais consolidam-se como vias de escoamento para as facções em diversas frentes. Enfrentar essa realidade exige ir muito além da tradicional fiscalização já amplamente realizada pelas autoridades. A modernização tecnológica e o policiamento orientado são medidas indispensáveis, mas ineficazes se operarem isolados.

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Assim como quem está ao volante, o Brasil precisa ter atenção integral nas estradas. A exemplo da “regra de ouro” dos motoristas, o país deve manter o foco se quiser acabar com os desastres e a circulação criminosa. É necessário escolher a prudência e o investimento na segurança, em um caminho que leve ao fim das perdas humanas e financeiras. Nas rodovias brasileiras, a rapidez deve estar nessa busca. Afinal, chegar ao destino – das viagens e do desenvolvimento – é o principal objetivo da jornada das pessoas e da nação.

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