LEITOR COMENTA O FINANCIAMENTO DE CAMPANHAS
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“Tem festa junina, com fogueira, quadrilha e milho verde. Tem Dia dos Namorados, com flores, jantares e promessas de amor eterno que, muitas vezes, duram menos que o parcelamento do presente. Tem Copa do Mundo, capaz de fazer o país esquecer por noventa minutos os próprios problemas e acreditar novamente que tudo pode dar certo. Mas junho também reserva uma data menos festiva. No dia 16, o Tribunal Superior Eleitoral divulgará o montante de recursos disponíveis no Fundo Especial de Financiamento de Campanha, o famoso fundão eleitoral. E aí termina a festa do povo e começa a festa da política. É curioso observar como o Brasil consegue conviver com tantas realidades ao mesmo tempo. Enquanto milhões de famílias fazem contas para pagar a prestação do carro, o aluguel, o supermercado e a conta de luz, partidos políticos aguardam ansiosamente a divulgação de bilhões de reais em dinheiro público para financiar campanhas eleitorais. Não importa se falta médico em postos de saúde. Não importa se há escolas precisando de reformas. Não importa se estradas permanecem esburacadas ou se municípios lutam para fechar as contas no fim do mês. Quando chega a temporada eleitoral, o dinheiro aparece. E aparece em abundância. O cidadão comum precisa justificar cada centavo de sua renda para sobreviver. O político recebe recursos que saem exatamente do bolso desse cidadão para convencê-lo de que merece continuar no poder. É uma engenharia que desafia a lógica. O eleitor paga a campanha. O candidato faz a campanha. O candidato é eleito. E depois o eleitor continua pagando a conta. O mais impressionante é que boa parte da população sequer sabe quanto custa uma eleição. Junho é o mês das bandeirinhas coloridas balançando nas praças. Mas também deveria ser o mês da reflexão sobre as prioridades nacionais. Porque enquanto o país se emociona com gols, celebra amores e dança forró, a máquina política segue funcionando com eficiência admirável quando o assunto é garantir recursos para si mesma. O problema não está na democracia. Eleições custam dinheiro em qualquer lugar do mundo. O problema é quando o custo da política parece crescer em velocidade muito superior à capacidade do país de resolver seus problemas mais básicos.”
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GREGÓRIO JOSÉ
Belo Horizonte